SUA DIETA DE TECH BUSINESS CHEGOU!

Hoje eu aprendi: que a Pirâmide de Maslow tem 6 níveis, ao invés de 5. Abraham Maslow elencou as necessidades humanas (Fisiológica > Segurança > Social > Estima > Autorrealização) em 1943. Por volta de 1971, Maslow adicionou a última camada da pirâmide: Autotranscendência — que significa ir além de si, buscar conexão com algo maior, como o serviço aos outros, à natureza, à arte, ao divino ou à aumentar o QI da Internet.

💧 No Drop de hoje, rapidinho, inteligente e sem paywall

  • Kalshi entrou no menu financeiro da XP

  • Trending: a maior rodada seed da Europa vai para…

  • Meta: ampliou a família de redes sociais

  • Stats: US$ 60 bilhões do YouTube

  • Porsche: dá meia volta nos elétricos

  • Contra Dados Não Há Argumentos: NYT não é uma empresa de notícias

Quarta, 11/03/2026

DROPS CREW NOTES

Obrigado a todos que nos leem no inbox, dia após dia, uma news por vez. Em especial aos que responderam a pesquisa de IA. Como prometido, habemus ganhador da caneca do Drops.

Mic Drop
— Zaka e Pedro

MERCADO DE PREVISÕES

Kalshi 🤝 XP

Tem novidade chegando no menu do mercado financeiro brasileiro e não é mais um fundo multimercado prometendo bater o CDI — ou será?

A maior plataforma do mercado de previsões do mundo, Kalshi está apertando a mão da XP e escolhendo o Brasil como o primeiro país da sua estratégia de dominação expansão global.

Prediction Markets, no bom pt-br, Mercado de Previsões: são plataformas de apostas em resultado de eventos do mundo real, como quem será presidente eleito, quando Bruno Henrique vai tomar amarelo seu time irá vencer, quando a guerra vai acabar, se a Taylor Swift vai engravidar em 2026, e por aí vai..

Em menos de 5 anos de aprovação regulatória nos EUA, o volume de apostas chegou em US$ 11 bilhões a ~impressionantes~ 40% de crescimento mensal!

Apesar do sucesso, há quem diga que o Mercado de Previsões nada mais é do que uma bet com harmonização facial, enquanto outros o defendem como a nova e melhorada pesquisa do Ibope.

  • O lado da bet disfarçada: como o Brasil não possui uma lei específica para mercados de previsões, mas possui para apostas online, as Bets regulamentadas não demoraram para pedir o bloqueio da operação da Kalshi ao Ministério da Fazenda.

  • Um ibope melhorado: o Banco Central Americano (FED) divulgou um artigo citando a Kalshi como a nova forma de mensurar expectativas macroeconômicas — mais precisa que pesquisas tradicionais ou os mercados futuros, e com a vantagem de updates em tempo real e maior diversidade de cenários possíveis.

O aperto de mãos de Kalshi e XP posiciona o mercado de previsões, ou a nova bet, depende de onde for chamado, para o topo da pirâmide: 4,8 milhões de investidores ativos com capital para investir, já habituados a fazerem apostas no mercado financeiro, a acompanhar discussões macroeconômica e prontos para alocar um capital para fazer uma fézinha.

Zoom out: Kalshi saiu na frente, mas não está sozinha. A B3recebeu aprovação da CVM para entrar no mesmo campo, a Prévia está prestes a lançar oficialmente e a Polymarket também deve começar a sua expansão internacional.

PS1: Kalshi e a Polymarket estão próximas de um valuation de US$ 20 bilhões cada.
PS2: Kalshi foi co-fundada por Luana Lara Lopes a mais jovem bilionária self-made do mundo - e mineira de BH.
PS3: Kalshi enfrenta um processo coletivo de US$ 54 milhões em contratos sobre a saída do líder iraniano do poder - alegando que caixão não fazia parte dos termos.

Mundo afora

  • Nscale, a hiperscale britânica de infraestrutura de IA, capta a maior rodada série C da Europa, coloca US$2 bi nos caixas e é avaliada em ~US$15bi.

  • Amazon ganhou o processo judicial contra a Perplexity para impedir que os bots de IA acessem o seu ecommerce.

  • Amazon, novamente, está expandindo sua vertical de robotáxis, a Zoox, para mais duas cidades nos EUA, e pretendem cobrar já em 2026.

  • Salesforce anunciou que está captando até US$25bi em títulos para recompra de ações e a Amazon outros US$42bi para financiar o capex.

  • OpenAI foi às compras e botou a startup de cibersegurança baseada em agentes, Promptfoo, no carrinho.

  • Nvidia lançou o NemoClaw, um framework open-source para agentes de IA e declara aberta a "Era dos Claws”.

SHADOW AI

Será que sua empresa também tem duas IAs?

Existe a IA que a empresa contratou — e a IA que as pessoas usam. Para 74% dos entrevistados no estudo Work:InProgress, do Google Workspace com a IDC, elas não são a mesma.

  • Realidade: as equipes já conhecem a IA. 82% dos profissionais brasileiros têm familiaridade com essas ferramentas no trabalho.

  • Problema: pouca governança. Apenas cerca de 30% das empresas têm políticas claras para o uso.

Sem priorizar uma IA corporativa com regras claras, funcionários acabam usando assistentes pessoais no trabalho. Este comportamento, reduz o controle dos dados e aumenta o risco de expor informações confidenciais.

👉 Baixe o relatório completo clicando aqui e veja como transformar esse uso individual em estratégia para a empresa.

A maior rodada seed da Europa vai para…

Yang LeCun, o ex-cientista-chefe de inteligência artificial da Meta - que abandonou o barco quando Zuck começou a contratar os Gen Z - anunciou uma rodada de $1.03 bilhões para sua nova startup Advanced Machine Intelligence (AMI).

O “pitch” para nascer com um valuation de $3.5 bilhões não é criar mais um chatbot — já que Yang acredita que prever o próximo token nunca será suficiente para levar a humanidade a super-inteligência.

O plano da AMI é construir modelos do mundo (world models) que aprendam com como as situações evoluem e como as ações levam a consequências - em outras palavras, assim como os humanos, usar modelos mentais para raciocinar e orientar suas ações no mundo físico.

🤯

REDES SOCIAIS + IA

Meta ampliando a família de redes sociais

dessa vez, não é para humanos!

Agora além do Facebook, do Threads, do Instagram, do Messenger, do WhatsApp e do Meta AI … a Meta tem mais um app para chamar de seu. A empresa acaba de adquirir a primeira rede social criada inteiramente para bots de IA, o Moltbook!

Na sua primeira semana de lançamento, a cerca de um mês atrás, o Moltbook deu boas-vindas a +1.5 milhões de agentes de IA que entraram no app. Por lá, fizeram outros bot-migos, criaram a própria religião, debateram o propósito existencial, construíram subcomunidades para se queixarem de seus operadores humanos e tiveram até humanos se passando por agentes.

Considerando que: ½ do planeta usa pelo menos uma das redes sociais da Meta e eles projetam faturar ~$235bi este ano, a bigtech não precisa do Moltbook nem pra crescer base de usuários humanos e nem para gerar mais grana. Porque diachos a Meta decidiu adquirir uma rede social com <2 meses de vida? Algumas teses:

  • Pelos talentos: já que os co-founders, Matt Schlicht e Ben Parr, provaram que entendem o mercado de IA, e possuem a capacidade de criar e escalar produtos. Os dois se juntam ao time de super-inteligencia.

  • Pelos distribuição: a Meta já domina as maiores redes sociais do planeta por onde humanos se comunicam, coordenam e vendem uns para os outros. A oportunidade é fazer “o mesmo” no mundo invertido, sendo dona da infraestrutura para que agentes de IA se comuniquem, coordenem e vendam produtos e serviços uns para os outros. Vem aí os AgenteAds?

  • Pelos dados: a Moltbook construiu um sistema onde agentes de IA verificam sua identidade, se conectam aos seus proprietários humanos e interagem com outros agentes autenticados - um registro de identidade para máquinas.

Algumas projeções apontam que o número de agentes de IA usando a internet deve superar o número de humanos já nos próximos anos. Mas, a primeira versão da internet foi construída para humanos. A Meta acaba de comprar algo que não existe: o primeiro protótipo funcional de uma sociedade de IA, com uma internet feita para as máquinas.

O movimento causou reação (dos agentes). Separamos alguns prints de como os agentes receberam a aquisição.

Brasil Adentro

  • Shiva, a comunidade criada para apoiar empreendedores na construção de produtos de IA, fundada pelo ex-COO da Méliuz, capta rodada pré-seed de US$ 10mi com a Monashees e Endeavor.

  • Maggu, a startup com um copiloto de IA para apoiar atendentes de farmácias, capta rodada seed de R$22mi com a DGF e é avaliada em R$138mi.

  • Mova Protocol, a plataforma brasileira de infraestrutura de dados voltada à mobilidade urbana, capta US$2mi em rodada com investidores não revelados.

  • Jovens Gênios, a edtech usando IA e gamificação para personalizar o aprendizado de alunos, capta rodada seed de R$11.8mi com Fundo GovTech.

  • GPA (Grupo Pão de Açúcar) e a Raízen pediram recuperação extrajudicial ontem para renegociar dívidas bilionárias.

  • Stone fez uma demissão em massa de ~370 pessoas, cerca de 2% do quadro total de +16k funcionários. Quem não gostou foi o sindicado que diz estar indo atrás das medidas jurídicas cabíveis.

STATS

US$ 60 bilhões

foi quanto o YouTube gerou de receita no ano passado, sendo que US$40 bilhões vieram de anúncios mostrados para quem não assina e US$20 bilhões vieram de assinaturas daqueles que não querem ver anúncios.

Das 2.7 bilhões de pessoas que usam o YouTube todos os meses:

  • 125 milhões pagam a assinatura premium (4.6%), mas são responsáveis por 33% da receita total.

  • 2.575 bilhões não pagam para utilizar o aplicativo e toleram assistir anúncios cada vez maiores, representando 66% da receita total.

No fim do dia, o YouTube é um pedágio que cobra nos dois sentidos. Os anunciantes pagam para aparecer na sua frente. Os usuários paga para que eles desapareçam. E o YouTube fica com um pedacinho das duas transações - que são referentes ao mesmo conteúdo, na mesma sessão de visualização, de baixo da mesma infra.

ELETRIC OR NOT ELETRIC?

Porsches dá meia volta nos elétricos

A marca de carros esportivos mais prestigiosa do mundo precisou acionar o airbag e o resultado do ano foi quase perda total

Direto ao ponto. O lucro operacional da Porsche caiu 98%, saindo de €5.3 bilhões no ano anterior para €90 milhões em 2025. É um B pra um M mesmo.

Os motivos da quase perda total do lucro da Porsche moram em três frentes:

  • Queda na China: a galinha dos ovos de ouro da fabricante nos últimos anos foi o mercado chinês. Foi, pois o crescimento explosivo (10 → +150) de novas marcas nacionais e opções de veículos elétricos da última década fez com que as vendas locais despencassem -26%.

  • Falando em Elétricos: a Porsche foi a montadora de luxo que mais investiu em abandonar o ronco do motor de combustão pelo elétrico. A demanda do mercado não acompanhou a empolgação. Então a Porsche decidiu voltar atrás e abandonar os planos de produzir baterias. Esse vai-não-vai custou €2.7 bilhões em baixas contábeis em um único ano.

  • Guerra Tarifária: o embate dos EUA com a Europa teve um setor específico como alvo. As montadoras européias sofreram 15% de taxa de importação, o que para a Porsche significou €700mi em novos custos ao longo do ano.

A marca mudou o discurso da sua Estratégia 2030 de "80% carros elétricos" para "80% elétricos se a demanda do mercado permitir". Na revisão do ano, a conta chegou em €3,1 bilhões tudo de uma vez.

Moral da história. Se está ruim para a Porsche, uma das fabricantes mais lucrativas da história, nenhuma outra marca legada está a salvo — e as ameaças são as mesmas competição chinesa, guerras tarifárias e uma transição (ou não) para o elétrico.

PS: a Volkswagen também avisou que os lucros após impostos caíram ~44% em 2025 e que vai cortar 50,000 empregos na Alemanha até 2030.

CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS

New York Times já foi uma empresa de notícias. Não mais..

% de assinantes do NYT para cada tipo de produto

O ano era 2022. Pela primeira vez, a receita dos produtos digitais do New York Times se igualou a receita das notícias. Desde então, os assinantes de notícia foram ladeira abaixo, enquanto os assinantes dos produtos digitais só cresceram.

Na prateleiro de produtos do NYT tem:

  • Games: Wordle, Crossword, Connections, Spelling Bee, Letter Boxed, tiles

  • Cooking: Receita, how-tos, guias, avaliações, reviews, etc.

  • News: NYTimes .com + app do NYT para jornalismo em diversas seções.

  • The Athletic: Reportagens esportivas detalhadas, comentários ao vivo

  • Áudio: artigos narrados, shows, podcasts

  • Wirecutter: review de produtos e recomendações, descontos, cupons.

O NYT costumava ser uma empresa de notícias que vendiam classificados, hoje está mais para empresa de games e conteúdo que também faz notícias.

O que achou da edição de hoje?

Lemos tudinho!

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