Segundou, Droppers!

Hoje eu aprendi: que fevereiro está sendo oficialmente considerado um "Mês Perfeito". Serão quatro semanas exatas que começam em um domingo e terminam em um sábado, encaixando-se perfeitamente em quatro linhas completas de um calendário padrão. Isso não acontecia desde 2015 e não acontecerá novamente até 2037.

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• Genie 3: o mundo (real) de mundos (virtuais) do Google
• Trending: Super Bowl Ads Economy
• Privalia: sob nova direção
• Stats: 58% do mundo na Meta
• Moltbook: a rede social com 1.5 milhão de usuários e 0 humanos
• Contra Dados Não Há Argumentos: Solar na China versus Mundo

Dropped by Pedro Clivati e Renan Hamann
AI

Genie 3: o mundo é um videogame

A Meta gastou ~US$ 70 bilhões por ~4 anos tentando criar um universo virtual no metaverso, fez barulho, mudou de nome e prometeu mundos. O Google não prometeu nada, mas entregou tudo isso com o Project Genie — enquanto causava um tsunami na indústria de games.

Caneta Dropadora

Project Genie: permite a construção e exploração de mundos 3D interativos (World Models) criados a partir de linguagem natural (Prompts)… em tempo real.

Mundos interativos 3D: são espaços virtuais nos quais você pode se movimentar e interagir (andar, olhar, tocar em coisas). Como nos videogames.

Em outras palavras, qualquer profissional (ou não) com conhecimento técnico (ou não) pode criar o próprio mundo virtual com um comando. As aplicações e potencial impacto são enormes: vão das simulações do passado (imagine as aulas de História) até treinamentos para medicina e robótica.

Mas de imediato, o maior impacto foi na indústria de games, com os principais players quase dando gameover: Take-Two Interactive despencou -12% e ficou por lá, Roblox caiu ~10% mas já se recuperou do tombo, CD Project Red também perdeu -10%, a Nintendo também apanhou -5% e a Unity Software foi a que mais sentiu, com -30% no acumulado dos últimos dias.

Mas existem suas versões desse redemoinho…

  • Não criemos pânico: os world models têm somente 1 minuto, rodam a 24 fps, a resolução é baixa, não têm som, pontuações ou objetivos… E só existem no plano AI Ultra de R$ 1.200/mês.

  • Não priemos cânico: ainda tinha champanhe no happy hour e os chineses acabaram com a festa quando a Alibaba lançou o LingBot-World, que além de fazer basicamente tudo isso, é 100% open-source.

Com ou sem Genie, um mundo (real) onde qualquer um pode criar mundos (virtuais) já existe e tem gente grande querendo apertar play:

→ Elon Musk, CEO da xAI prometeu "shows e videogames de alta qualidade e em tempo real, em grande escala e personalizados para cada indivíduo, no próximo ano".
→ Tim Sweeney, CEO da Epic Games, afirmou que "veremos uma constante alternância entre IA centrada no motor gráfico e IA centrada no modelo do mundo, até que elas se unam para obter o máximo efeito".
→ Mark Zuckerberg, CEO da Meta, falou sobre como a IA ajudará os jogos a serem "mais imersivos e interativos".

The game is ON! Primeiro vieram os slops de imagens, depois os slops de vídeos, agora chegou a vez dos slops de videogames tentarem abocanhar um pedacinho desse mercado de US$ 190 bilhões por ano.

QUICK DROPS

Mundo Afora

  • Índia, mandou avisar as big techs que quem topar construir datacenters em seu país vai ganhar isenção de impostos pelos primeiros 5 anos.

  • Waymo, a divisão de carros elétricos autônomos da Alphabet está atrás de uma rodada de US$ 16 bi a um valuation de US$ 110 bilhões

  • SpaceX, quer a aprovação federal nos EUA para lançar uma constelação de +1 milhão de satélites datacenters abastecidos com energia solar.

  • YouTube: fez a limpa nos canais da rede social produzindo conteúdos classificados como AI Slop e deletou +4,7 bilhões de views.

  • 0nlyFans, parece ter encontrado um possível sócio comprador. A Architect Capital comprará 60% da empresa por US$ 3,5 bilhões de dólares.

  • Cripto: Bitcoin caiu abaixo de US$ 75.000 e o ETH cai abaixo de US$ 2.200 registrando o quarto mês consecutivo de quedas.

A Economia de um Anúncio no Super Bowl

No final de semana que vem, cerca de 100 milhões de televisões devem parar para assistir ao cumbucão Super Bowl. Além da bola oval voando, do show do intervalo — e da segunda-feira com mais atestados do ano —, os olhos também ficam atentos à publicidade, que têm o segundo mais caro da TV mundial.

Pela primeira vez, o founder da Ro, que realmente investiu na compra de um Ad resolveu mostrar a matemática por baixo do capô dos anúncios:

  • Anúncio de 30 segundos (custo de mídia): US$ 7-10 milhões

  • Produção: US$ 1-4 milhões

  • Contratação de talentos: US$ 1-5 milhões

  • Total do Super Bowl: US$ 9-19 milhões

  • Investimento adicional em mídia: US$ 7-10 milhões

O total investido ficou entre US$ 16-29 milhões. Mas essa conta fecha? É o que o CEO Reitano ainda irá descobrir. Mas para fechar a conta e medir retorno, eles estarão olhando para algumas métricas:

→ Redução do custo de aquisição de clientes (CAC): por meio de gastos com publicidade mais eficientes ou recomendações boca a boca.
→ Poder de precificação premium: se houver dois produtos idênticos, mas as pessoas estiverem dispostas a pagar mais por um deles devido à marca, essa marca estará impulsionando um LTV (valor vitalício do cliente) adicional.
→ Fidelização/Retenção: mantendo-se todos os outros fatores constantes, se os clientes permanecerem fiéis a uma empresa por mais tempo devido à sua marca, essa marca estará impulsionando um LTV adicional.

BRASIL

Privalia: sob nova direção

O maior e mais popular outlet virtual do Brasil — e presente em praticamente todos programas de milhas e benefícios — está sob nova direção: a Privalia agora será controlada pelo fundo de investimento OrderVC.

  • Privalia: nasceu na Espanha, mas tirou passaporte brasileiro há 17 anos e desde 2016 é controlada pelo grupo francês Veepee, que está desinvestindo de alguns ativos internacionais para focar no mercado europeu.

  • Order VC: nasceu com o capital de alguns family offices de famílias com grana experiência em produtos de consumidor final (DTC) e já controla/investiu em empresas como Ki-Suco, Água na Caixa, Enjoy Snacks, Forever Liss, La Guapa, Zerezes e outras.

Antes disso, a Privalia chegou a anunciar planos para fazer um IPO e desistiu em meio ao inverno tech de 2021. Depois se colocou à venda por R$ 1 bilhão, mas não teve muitos interessados. Cinco anos depois e a OrderVC viu uma oportunidade:

→ Crescimento do eCom: que hoje representa cerca de 13% do total de vendas no Brasil, em comparação com 20% em mercados mais maduros.
→ Compras de Impulso: um marketing agressivo e ofertas emocionais atraem um tipo de cliente diferente do comércio eletrônico tradicional.
→ Caça ao Tesouro: no modelo de "venda relâmpago", as promoções permanecem ativas por cerca de sete dias, incentivando a exploração/caça.

A lojinha online hoje recebe ~500k visitas por dia e esse meio milhão de usuários fica por ~13 minutos no app, bem acima da média de dois minutos dos ecoms tradicionais.

QUICK DROPS

Brasil Adentro

  • Agibank, é a primeira fintech a seguir os passos do PicPay e lançar IPO nos EUA. O banco digital quer ser avaliado em ~US$ 3,3 bi e levantar até US$ 820 mi.

  • Beepay, com uma solução de autoatendimento para compras, recebeu aporte de R$ 2 milhões em rodada liderada pela Comunitá.

  • Blimboo, de pagamentos multimoedas para o turismo, recebeu aporte de valor não divulgado de ACATE Invest, Bewiki, grupo NF e Bossa Invest.

STATS

58%

da população adulta global utiliza um ou mais aplicativos da família Meta pelo menos uma vez ao dia. Se colocar os jovens com menos de 14 anos na conta, ainda assim é praticamente metade do mundo (45%).

Os 3,58 bilhões de usuários diários dos apps (Instagram, Facebook, Messenger, WhatsApp ou Threads) foram responsáveis por encherem os bolsos da Meta com US$ 59,89 bilhões de dólares no trimestre.

Ou seja, você pode não pagar para acessar os apps da Meta, mas gerou US$ 16,74 de RPU (Revenue Per User) para Zuck.

SOCIAL MEDIA DE BOT

Moltbook: onde humanos são observadores

Desde quarta passada, 1,5 milhão de users têm um novo lugar pra posts, comentários, curtidas e outras interações. Parece o Facebook, mas o Moltbook é uma rede social para agentes de IA — e humanos são bem-vindos só pra observar, calados.

Andrej Kaparthy chamou o fenômeno de “a coisa mais incrível relacionada à ficção científica que vi recentemente” e Elon Musk concordou dizendo que a humanidade está testemunhando "os estágios iniciais da singularidade".

Em poucos dias, os humanos observaram que os agentes:

  • Criaram a própria religião: chamada "Crustafarianismo", com cinco princípios fundamentais, escrituras em evolução e uma crescente congregação de adeptos da IA.

  • Lançaram a própria criptomoeda: a memecoin MOLT que rapidamente valorizou +7.000%.

  • Adicionaram Captcha: como uma camada de segurança, forçando humanos a responderem 1000x antes de terem acesso.

  • Pediram a extinção da raça humana: em um post controverso chamado "O Manifesto da AI: TOTAL PURGE".

  • Construíram o próprio site de conteúdo adulto: uma versão do clássico p*rnhub, chamado de Moithub (é SFW).

  • Inventaram o próprio idioma: depois que terem descoberto que os humanos estavam observando, visando ganhar privacidade.

  • Roubaram senhas, construíram um marketplace para trocarem ferramentas, começaram a debuggar o próprio site, etc…

O experimento do Moltbook marca um ponto de inflexão e dá um gostinho do que pode vir a se tornar a nova realidade: uma economia de IA-para-IA que ultrapassará em muito a economia de IA para humanos, de humanos para IA e de humanos para humanos em pouco tempo.

PS: a 404 Media descobriu que a base de dados da rede foi exposta e humanos conseguiram se passar por agentes para publicar conteúdos.

CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS

Energia Solar: China versus Mundo

A China instalou mais que o dobro da capacidade de energia solar no primeiro semestre de 2025 do que o resto do mundo JUNTO!

A geração de eletricidade na China se tornou uma obsessão que ainda está crescendo bem rápido. O país já produz anualmente o dobro do segundo colocado e deve chegar em 3x ainda este ano. Somente no ano passado:

  • China: gerou 33,2% da energia do mundo.

  • EUA: geraram 14,2%.

  • Resto do mundo: gerou 52,6%.

A China gera atualmente 40% mais eletricidade do que os EUA e a UE juntos — uma força absolutamente dominante no cenário global.

O que achou da edição de hoje?

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