
TGIF, Droppers!
Hoje eu aprendi: que o Google é dono de três dos principais laboratórios de inteligência artificial do mundo. Comprou 100% do DeepMind por ~US$ 400 milhões em 2014, investiu US$ 3 bilhões na Anthropic por ~14% da empresa e também é dono de ~10% da SpaceX, que se fundiu com a xAI.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• SaaSpocalipse: o banho de sangue dos softwares
• Trending: YouTube versus Netflix
• Spotify: de audiobooks para books
• Stats: -$1 trilhão em cripto
• Capex: o orçamento das big techs para 2026
• Contra Dados Não Há Argumentos: o crescimento das hyperscalers.

MERCADO
SaaSpocalipse: o banho de sangue dos softwares

O pânico de que a IA pode substituir o emprego de todo mundo não acabou. Só que agora ele não se limita somente aos humanos, mas também inclui as empresas de software (SaaS), que tiveram sua existência colocada em xeque essa semana e derreteram na bolsa.
As principais empresas de software americanas (S&P 500 software and services index) perderam +US$ 1 trilhão de valor de mercado esta semana. Os ingratos destaques negativos ficaram com: Intuit (-34%), ServiceNow (-28%), Salesforce (-26%), Oracle (-20%), Figma (-56%), SnowFlake (-39%), Workday (-49%)
O principal motivador dessa fuga em massa foram as ferramentas lançadas pela Anthropic e pela OpenAI, que basicamente permitem que qualquer usuário desenvolva o próprio app/software usando linguagem natural (português, inglês) em vez de códigos de programação.
O que dizem os pessimistas: que a IA muda as regras sobre o que construímos e quem constrói. Como a barreira técnica diminui, empresas desenvolvem os próprios softwares dentro de casa ao invés de contratá-los.
O que dizem os otimistas: que IA não irá substituir empresas de software, mas aprimorar a indústria. O resultado não é substituição, mas a elevação delas (+personalização, +segurança, +integrações, etc).
Enquanto aguardamos as cenas dos próximos capítulos, algumas premissas já podem ser consideradas verdadeiras:
→ Mais com menos: com IA automatizando processos e aumentando a produtividade, empresas precisam de menos funcionários — vide layoffs.
→ Fim do preço por usuário: com agentes interagindo com ferramentas sem humanos precisarem fazer login, a precificação por usuário deixa de fazer sentido.
→ Desafio da distribuição: se qualquer um consegue desenvolver o próprio app, o gargalo do sucesso sai do estágio de criação para o estágio de distribuição.
Assim como o PC não eliminou a computação mainframe, assim como a internet não matou o varejo, assim como a mídia não morreu, o SEO não acabou, os mecanismos de busca não foram enterrados… a indústria de software provavelmente não está em extinção — mas sem dúvidas está em completa transformação.
QUICK DROPS
Mundo Afora
Alphabet: deu show na apresentação de resultados trimestrais e a única métrica que despontou foi a receita do YouTube, que trouxe “só” US$ 11,38 bi.
ElevenLabs: nossos parceiros expandindo as fronteiras do que é possível fazer ao juntar Voz + IA, captaram rodada de US$ 500 milhões e já valem US$ 11 bi.
Reddit: depois de brigar com todo mundo que usou bot pra fazer scrapping nos seus servidores, vai apostar em IA pra buscas — pra crescer a receita.
Amazon: despencou -11% no after market depois de anunciar que vai investir mais em capex (200bi) do que toda sua receita operacional de 2025 (139bi).

YouTube versus Netflix
Como a Netflix é acessada através de uma assinatura paga e produz as próprias séries e filmes, enquanto o YouTube tem a opção gratuita e não cria o próprio conteúdo… muitos acreditam que a primeira é maior que a segunda, porém…
Netflix: gerou US$45 bilhões em receita em 2025.
YouTube: gerou US$60 bilhões em receita em 2025.
A semelhança entre as duas existe apenas no quesito modelo de negócio (as duas maiores empresas de streaming do mundo) e a diferença começa na estratégia de cada uma:
Netflix: aposta em assinaturas pagas, mas oferece opção mais barata com suporte de anúncios, além de investir pesado na produção de conteúdo proprietário, esportes ao vivo, etc.
YouTube: oferece uma opção completamente gratuita suportada por anúncios, mas também tem a assinatura paga e deixa com que os criadores se encarreguem dos conteúdos — e os compensa por visualizações.
O YouTube pagou US$ 100 bilhões aos criadores nos últimos quatro anos, sem gastar nada com a produção de conteúdo.
A Netflix gastou US$ 16 bilhões em conteúdo só em 2024 e precisa continuar investindo, ou seu catálogo vai desaparecer.
MÍDIA
Spotify: de audiobooks para books

A Amazon é considerada como a primeira livraria online do mundo, mas hoje também oferece sua própria plataforma de streaming de músicas (Amazon Music). O Spotify é considerado a primeira grande plataforma (não-pirata) de músicas online do mundo, mas agora também está lançando sua própria livraria online!
Através de uma parceria com a Bookshop.org — um marketplace que é quase uma Estante Virtual gringa —, os usuários premium dos EUA e UK poderão comprar livros físicos diretamente no app do Spotify.
A novidade também tem funcionalidades tech:
→Page Match: os usuários poderão escanear uma página com o celular para sincronizar a reprodução do audiobook!
→Audiobook Recaps: resumos concisos e personalizados para a última sessão em que os usuários pararam de ouvir.
Enquanto a Bookshop fica responsável pela operação física (definir preços, gerir estoque, processar as vendas) e compartilha parte do lucro com livrarias locais e independentes, o Spotify receberá uma comissão de afiliado (sem valor divulgado) pelas compras feitas dentro de seu aplicativo.
A aposta nos audiobooks deu certo: desde que foram lançados em 2022, mais da metade dos 281 milhões de assinantes premium já ouviram pelo menos um livro. E a tendência continua: número de ouvintes aumentou 36% no último ano, e as horas de audição cresceram 37%.
PS: o app também está adicionando recursos com tradução de letras e visualização offline delas.
QUICK DROPS
Brasil Adentro
GPS IT, especializada em infraestrutura e segurança de TI, é adquirida pelo Extreme Group (dono da EDS, Beyond, EDX e Pointer) por R$50 milhões
MakeOne anunciou a fusão entre a HexaDigital e a PurpleBird Security, que agora será chamada de Hexa Security, novo braço de cibersegurança do grupo.
Ruvo, a fintech movimentando grana dos usuários entre o Brasil e os EUA com PIX, Cartão e Cripto, capta US$ 4,6 mi em rodada seed.
GPS IT, especializada em infraestrutura e segurança de TI, é adquirida pelo Extreme Group (dono da EDS, Beyond, EDX e Pointer) por R$50 milhões
Tecto, o braço da V.tal focado em data centers, captou R$ 233 mi com o BNDES para a expansão do Mega Lobster, seu 3º e maior data center em Fortaleza.
MagaluPay, a fintech do Magazine Luíza, recebeu aprovação do BC para aumentar o capital social de R$ 40 mi para R$ 360 mi.
STATS
~US$ 1 trilhão
Foi quando o mercado de criptomoedas perdeu de valor nos últimos 22 dias — são US$ 45 bilhões evaporados por dia. Se der zoom out, a situação piora: US$ 2,2 trilhões de valor perdido desde 10 de Outubro (-50%).
Mas, antes de tentar prever o futuro, vale a pena conferir o passado da moeda mais valiosa do mercado cripto, o Bitcoin:
2011: queda de ~93% do ATH (caos da Mt.Gox)
2015: queda de ~86% do ATH (o chamado inverno cripto)
2018: queda de ~84% do ATH (a bolha ICO)
2021: queda de ~77% do ATH (implosão da FTX, Terra/Luna, Celsius)
2025: queda de 49% do ATH (porcentagem das 6h de sexta)
Só ontem, a moeda digital com a promessa de ser o futuro do dinheiro perdeu US$ 300 bilhões de valor de mercado.
Se a média das quedas passadas for algum indicativo do que pode vir a acontecer e o Bitcoin continuar caindo até ~70% do seu ATH, isso implicaria um valor de $38k — ou seja, o fundo ainda não estaria próximo.
MARKETING
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IA
CAPEX: o orçamento das big techs para 2026

img via Axios
Depois de uma semaninha movimentada com (quase) todas as principais big techs apresentando os resultados do último trimestre, o mundo descobriu o quanto elas planejam gastar em CapEx (Capital Expenditure) durante o próximo ano… Spoiler: é MUITA grana.
Caneta Dropadora:
CapEx é a sigla para Capital Expenditure (despesa de capital). Ou seja, é o dinheiro que uma empresa gasta para comprar ou melhorar coisas grandes e duradouras, que vão ser usadas por vários anos.
OpEx é a sigla para Operational Expenditure (despesa operacional). Ou seja, é o dinheiro que a empresa gasta para funcionar no dia a dia como salários, aluguel, manutenção, conta de luz, cápsulas de café, etc.
Já não era segredo para ninguém a tara sede das big techs por chips, data centers e energia, a grande questão era… quanto? E a resposta surpreendeu até os mais otimistas: ~US$ 700 bilhões (só ~20 países tem PIB maior que isso).
Google: vai dobrar o valor do ano passado para US$ 175-185 bilhões.
Amazon: US$ 200 bilhões (+18% YoY).
Meta: também vai praticamente dobrar (93%) o valor para US$ 115-135 bi.
Microsoft: ainda não confirmou, mas estima-se algo em torno de US$ 105 bi.
Tesla: parece tímida, mas vai aumentar em 135% para US$ 20 bi.
Apple: sempre na contramão, vai subir em 10% para US$ 14 bilhões.
O recado das big techs é claro: sem investir em infraestrutura, nenhuma delas consegue atender a demanda do mercado — e nem continuar competindo com as que investem. Por outro lado, o ceticismo manda avisar que se a receita projetada não se realizar, tanto capital investido vira sinônimo de bolha.
De que lado da força você está?
CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS
Crescimento das hyperscalers.

No setor de hyperscalers, o Google Cloud foi o vencedor disparado do último trimestre (com ~50% de crescimento). A Amazon ficou com o segundo lugar com os nada tímidos ~25% e a Microsoft foi a única que diminuiu o ritmo de crescimento — de 40% para 39%.
DROP LIKE IT'S HOT
[para assistir] John Collison (stripe) e Dwarkesh Patel e Elon Musk tomando uma Guinness e conversando por 2,5h sobre GPUs, xAI, Optimus, China, Gestão, etc...
[para apagar] Uma empresa japonesa lançou uma borracha "faça você mesmo o Monte Fuji".
[para rir] É muito louco que a maneira mais eficaz de salvar algo como PDF seja enganar o computador dizendo que vai imprimir.
[para torcer] nesse ano o Super Bowl vai passar de graça na GETV no sábado as 20:30 — mas sem os tão esperados anúncios da TV americana.
[para competir] o X está premiando com US$ 1 milhão, US$ 500 mil e US$ 250 mil os três melhores vídeos sobre o @Grok, criados com o Imagine 1.0.

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