Bom dia, Dropper!

Hoje eu aprendi: que o Groupon ainda existe fora do Brasil. A startup dos descontos em grupo abriu capital em 2011 com um valor de mercado de US$ 17,8 bilhões, mas já perdeu +95% disso e hoje tem um marketcap de US$ 690 milhões.

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• Anthropic: uma startup de IA dando lucro
• Trending: quanto ganha o CEO da Nvidia?
• SpaceX Raio-X
• Stats: o boleto mensal de US$ 1,25bi do Claude
• Chips: até onde vai o mercado?
• Contra Dados Não Há Argumentos: os data centers e a Nvidia

Dropped pelos humanos Pedro Clivati e Renan Hamann

Anthropic, a startup de IA que dá lucro!

O crescimento astronômico e sem precedentes da startup pode antecipar o seu primeiro trimestre de lucro.

A OpenAI deve queimar US$ 665 bilhões até 2030, quando finalmente terá um pouco de lucro - e isso nas projeções mais otimistas. Agora, ela ainda tem que ver sua maior concorrente, criada por um ex-funcionário, ultrapassar o ChatGPT em receita e com a expectativa de gerar lucro pela primeira vez já neste trimestre.

A matemática para o segundo trimestre da Anthropic:

+ US$ 10,6 bilhões de receita (mais que o dobro do primeiro trimestre, US$ 4,8bi)
- US$ 6,2 bilhões de compute
- US$ 2,7 bilhões de vendas e marketing
- US$ 1,5 bilhão em outros custos
= US$ 559 milhões de lucro operacional

Da porta para fora, a Anthropic está crescendo em um ritmo que fica difícil acompanhar sem uma calculadora (ou um Claude). A startup mais que dobrou a receita em um trimestre - e com +50% das vendas enterprise no modo self-service, ou seja, sem participação humana do time de vendas (e sem comissão).

Da porta para dentro, quanto mais clientes usando, mais tokens consumidos e maior a necessidade de computação/infra (data centers, chips, energia, servidores, refrigeração, etc), que são o maior gasto para treinar e entregar IA. Por outro lado, o custo ficou em 56 centavos por cada dólar de receita, uma margem acima do que os especialistas esperavam.

Como a Anthropic não tem os próprios data centers, a saída foi fechar parceria com os hyperscalers. Somente no último trimestre, Dario Amodei apertou a mão:

  • do Google: escala massiva e chips proprietários baratos (TPU).

  • da Amazon: chips de próxima geração (Trainium) + eficiência de treinamento.

  • da SpaceXAI: capacidade bruta imediata via mega data centers Colossus.

  • da Microsoft: para usar os chips da IA da big tech (ainda não assinado).

Os acordos foram uma mistura de investimento na startup, compromisso de compra de poder computacional e chips com algumas pitadas de incentivo ao uso dos produtos.

Independente de quem vença essa corrida da IA, seja OpenAI ou Anthropic, uma coisa já ficou clara: não existe amor fidelidade quando o assunto é IA.

→ a OpenAI fechou o primeiro trimestre com US$ 6 bi de receita (mais que a Anthropic), mas já crescendo menos e gastando mais.

→ o TechDrop está dando 1 ano de Claude Pro para quem indicar mais novos droppers até dia 26.

Mundo Afora

  • GitHub: confirma que ataque hacker teve acesso a 3.800 repositórios - pouco menos do que os 4 mil alegados pelos hackers.

  • Intuit: decidiu demitir 3.000 funcionários (17%) para focar em IA, mas jura de pé junto que a culpa não é da IA.

  • Oura: o anel inteligente de iA para monitoramento da saúde e performance de atletas e não-atletas enviou a papelada para o IPO.

  • Blockchain.com: a exchange de criptomoedas americana também entrou na fila (confidencial) do IPO.

  • Manus: está tentando levantar uma rodada de US$ 1 bilhão para se recomprar de volta da Meta, já que o governo chinês proibiu a aquisição.

  • Samsung: fechou um acordo trabalhista para distribuir 10,5% do lucro operacional anual aos funcionários na Coreia (~US$ 400k) e deu fim à greve.

Prepare sua carreira para a era da IA - com curadoria Ibmec direto do SP Innovation Week

DROPS no SPIW powered by Ibmec

A pergunta certa a se fazer agora não é como usar IA, mas o que sobra quando IA for o padrão no mundo do trabalho. O Drops se juntou ao Ibmec para cobrir o SP Innovation Week, para responder essa pergunta e entender como você pode, e deve, aproveitar essa janela.

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Quanto ganha o CEO da Nvidia?

Jensen Huang tem duas experiências profissionais no seu LinkedIn: (1) foi lavador de pratos na rede de fast-food Denny’s por cinco anos e depois saiu para (2) fundar a Nvidia em 1993… empresa em que continua como CEO 33 anos depois.

Durante esse período, Jensen transformou uma simples fabricante de chips de videogames na maior empresa do mundo, a primeira a chegar a valor de mercado de US$ 5 trilhões e com projeções de chegar nos US$ 10 trilhões.

Mas quanto o CEO responsável por criar e comandar a maior empresa do mundo durante praticamente toda a sua vida merece ganhar? Em 2025, como CLT, Jensen recebeu:

  • Salário fixo: US$ 1,5 milhão

  • Salário variável: US$ 48,5 milhões

Mas o pulo do gato está nos dividendos. Como Jensen ainda tem 854 milhões de ações, os cálculos são impressionantes:

→ Ontem, a Nvidia tinha uma taxa de dividendos de US$ 0,01 por trimestre, Jensen ganhava: US$ 0,04 por ação por ano x 854 milhões de ações = US$ 34,16 milhões por ano.

Aí a empresa revisou sua política e aumentou seu dividendo trimestral em dinheiro de US$ 0,01 por ação para US$ 0,25 por ação…

→ Hoje, com a nova taxa de US$ 0,25 por trimestre, Jensen ganhará: US$ 1,00 por ação por ano x 854 milhões de ações = US$ 854 milhões por ano.

Lição: não lave pratos para o resto da vida, fabrique chips!

O Raio-X da SpaceX

O que o formulário S-1 da empresa espacial revelou

Um dos maiores IPOs da história está prestes a acontecer já no mês que vem: a SpaceX preencheu o formulário exigido para abrir capital na Nasdaq e, pela primeira vez, revelou ao mundo o que se passa por dentro (e fora) da maior empresa espacial já criada, que combina a SpaceX, Starlink, X e xAI.

Juntas, as empresas acreditam ter identificado o maior mercado endereçável total (TAM) acionável na história da humanidade, totalizando US$ 28,5 trilhões (o que também seria top 2 de PIBs):

  • Espaço: US$ 370 bilhões

  • Conectividade: US$ 1,6 trilhão

    • Starlink Banda Larga: US$ 870 bilhões

    • Starlink Mobile: US$ 740 bilhões

  • Inteligência Artificial: US$ 26,5 trilhões

    • Enterprise apps: US$ 22,7 trilhões

    • Infraestrutura: US$ 2,4 trilhões

    • Consumidores finais: US$ 760 bilhões

    • Publicidade digital: US$ 600 bilhões

Musk é conhecido por exagerar, mas nem tanto por mentir. Mas é fato que o braço espacial responde por apenas 7% do total, enquanto os demais 93% ficam com a promessa do que IA pode alcançar - sem contar com China e Rússia nas projeções.

Falando em exagero, Elon ocupará os seguintes cargos depois do IPO:
→ CEO
→ CTO
→ Presidente do Conselho

O que mais sabemos sobre o evento mais esperado de Wall Street:

  • Será negociada sob o ticker $SPCX

  • Está visando um valuation de US$ 1,75 trilhão

  • Quer captar US$ 80 bilhões no IPO

  • Teve US$ 18,67 bilhões em receita no ano passado

  • Mas registrou um preju de US$ 2,59 bilhões

No lado espacial da coisa: a empresa já lançou ~650 foguetes, sendo que 85% destes usavam boosters reutilizáveis.
No lado conectividade da coisa: a Starlink chegou aos 9.600 satélites, com +10 milhões de assinantes em 164 países.
No lado artificialmente inteligente da coisa: com apenas ~US$ 800 mi de receita e um prejuízo de US$ 2,47 bilhões no Q1.
No lado social da coisa: são +350 milhões de posts diários, com ~550 milhões de usuários ativos mensais.

Apesar de ser dono de 12,3% das ações classe A e de 93,6% das ações classe B, Musk ainda irá controlar +85% do poder de voto. #NgmMandaEmMim

→ As imagens sinistras que a empresa adicionou no S1 e as inovações em que foi pioneira.

Brasil Adentro

  • Cloud no Brasil:* 77% das empresas brasileiras já usam Cloud, mas a maioria ainda opera sem extrair o real potencial da tecnologia. O Panorama Cloud nas empresas brasileiras, estudo realizado pela TOTVS, mapeou onde o mercado está e o que separa cada nível de adoção. Baixe aqui o material completo →

  • Memed, a healthtech de prescrições eletrônicas, acaba de levantar uma rodada de R$ 80 milhões co-liderada pela DFG e BridgeOne.

  • BBChain, a startup de infra blockchain para financeiras, é adquirida pela Evertec, com um investimento inicial de R$ 28 mi por 67%.

  • SolarZ, a energytech com um CRM para empresas de energia solar, capta rodada de R$ 5,8 milhões com a Triaxis e Crescera Capital.

  • Draiven, a startup usando IA para analisar dados corporativos e executar tarefas autônomas, usa o aporte de R$ 3 mi para adquirir a Rabt Automation.

  • Robbin, a fintech de crédito b2b para varejistas parcelarem as compras com a indústria, capta US$ 8 mi com a Canary, Atlantico e Crescera e outros.

*Conteúdo de marca parceira

STATS

US$1,25 bilhão

é quanto a Anthropic está pagando para a SpaceX POR MÊS para alugar a capacidade computacional dos seus data centers Colossus I e Colossus II. No final do ano, a boletada chega a R$ 75 bilhões.

Mas isso não é tudo… os advogados de ambos os lados gastaram a tinta da caneta para desenhar um acordo em que:

  • Anthropic Feliz: pode aumentar o deal para até US$ 40bi em 2029.

  • Anthropic Infeliz: pode cancelar tudo em 90 dias.

A SpaceX não estava na lista dos maiores hyperscalers do mundo. Mas tudo indica que Microsoft, Google, Amazon e Oracle agora têm mais um concorrente.

A OpenAI quer colocar a IA como sidekick da democracia brasileira

Dropped by Replit

De agente do caos a aliada: essa é a virada que o hackathon apoiado pela OpenAI quer trazer pra IA em ano eleitoral. Menos deepfake, fake news e vídeo suspeito no grupo da família antes das 8h da manhã.

Organizado pelo Replit e Escola 42, o evento vai reunir 180 builders no dia 30/05, em São Paulo, pra criar soluções que deixem a democracia mais transparente, acessível e justa.

Designer, jornalista, estudante, servidor público**, todos são bem-vindos - não precisa “falar dev”, o Replit faz o trabalho pesado. Se você tem uma ideia, inscreva-se aqui →

Chips: até onde vai o mercado?

Só o backlog da Nvidia já chegou à marca de US$ 1 trilhão

Na quarta-feira, a Nvidia soltou seu report trimestral com o som de “recorde histórico, receita explodindo” no repeat - só de backlog a empresa tem US$ 1 trilhão de receita em data centers. Mas se o mercado faz fila na porta de Jensen Huang, a Nvidia não é a única a surfar a onda e isso vale pra quem desenha e pra quem fabrica.

Foundry: as empresas que produzem o chip fisicamente, operam as fábricas, cuidam do processo de fabricação em silício.
→ Exemplos: TSMC, Samsung, Intel.

Fabless (design): projetam a arquitetura do chip, definem o que ele faz, como processa dados, qual a estrutura lógica, mas sem "mão na massa".
→ Exemplos: Nvidia, AMD, Apple, Arm.

É tanta demanda que tem mercado de sobra para todo mundo. Nos últimos 12 meses, todas as cinco maiores empresas do segmento cresceram - incluindo a Intel, que já estava com velório marcado:

  • Nvidia: se tornou a empresa mais valiosa do mundo, com US$ 5,4 tri de valuation - quase dobrando de tamanho em um ano. Atende os principais modelos de IA e backlog de US$ 1 tri garante sossego por trimestres.

  • TSMC: é a maior fabricante de chips do mundo e as altas recentes a colocaram no ATH no mês passado. Cresce bastante junto com as big techs provisionando cada vez mais dinheiro para Capex.

  • Broadcom: a ação da maior híbrida (desenha e produz) sobe quase 80%, aproveitando a necessidade de chips customizados das clientes (incluindo Amazon, Google e OpenAI, que querem depender menos da Nvidia).

  • Samsung: posicionada como uma das gigantes da produção de memória, viu o mercado se curvar para melhorar o desempenho dos hyperscalers com chips HBM e subiu +150%.

  • Intel: depois de quase fechar as portas anos atrás, se recuperou com forte crescimento no setor de foundry e deve subir mais ainda com parcerias nos EUA (Apple).

O céu é o limite e por enquanto ninguém sabe até onde vai a subida. O mercado global de chips deve ficar na faixa de US$ 1 trilhão em 2026 - e continuar avançando até US$ 1,5 trilhão em 2030.

CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS

A importância dos data centers na receita da Nvidia

A Nvidia já fabricou os sonhos de consumo de qualquer gamer, mas desde o surgimento da inteligência artificial, o grande foco da Nvidia migrou de chips de videogames para chips de chatbots - alimentando data centers ao redor do mundo.

Dá uma olhada no tamanho do setor de data center no faturamento total da maior empresa do mundo:

  • 2022: 39%

  • 2023: 56%

  • 2024: 78%

  • 2025: 88%

  • 2026: 90% (projetado)

  • 2027: 92% (projetado)

A fatia saiu de US$ 2 bilhões no Q1 de 2022 para US$ 75,2 bilhões projetados no Q1 do ano que vem, um aumento de 3.660% em apenas cinco anos.

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