Buenos dias, Droppers!

Hoje eu aprendi: que o CEO do LinkedIn escreveu um livro chamado Open To Work sobre como conseguir emprego na era da IA e “presenteou" funcionários da Microsoft com a obra. Semanas depois, alguns deles acabaram desligados durante uma demissão em massa. A justificativa do layoff? Investimentos em IA.

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• Google, o motor turbo da Anthropic
• Trending: Google Live Translate
• TikTok: embarcando nos micro-dramas
• Stats: $100 milhões em Ads
• EntrePay, a fintech liquidada pelo BC
• Contra Dados Não Há Argumentos: Boom ou Bolha de $9 tri

Dropped pelos humanos Pedro Clivati e Renan Hamann

Google, o motor turbo da Anthropic

Google vai ser o principal financiador de um dos maiores projetos da startup, mas a relação entre as duas não para por aí.

Você nem percebeu, mas big tech se tornou infra crítica para IA — com capital, energia, chips, crédito etc. É nesse contexto que a Microsoft está para a OpenAI assim como o Google está para a Anthropic, que vai apertar as mãos da gigante para a construção de um datacenter de US$ 5 bilhões.

O Data Center de 11 km² (~1.500 campos de futebol) será construído no Texas pela Nexus, 100% alimentado por turbinas a gás natural com 500 MW de capacidade já no final deste ano. No futuro isso pode chegar a ~7,7 GW (14x mais).

Agora, ao mesmo tempo, o Google é o provedor dos provedores de tudo:

  • Provedor de Crédito: a Anthropic ainda não tem moral para levantar bilhões sozinha. O Google entra como financiador e garantidor — coloca parte do capital saindo dos próprios caixas e empresta sua credibilidade para diminuir os juros de financiamento.

  • Provedor de Chip: o datacenter deve rodar majoritariamente em chips TPUs do Google. Isso cria um flywheel: quanto mais o Claude cresce, mais a Anthropic consome TPUs — e mais receita volta para o Google.

  • Provedor de Cloud: além de já hospedar parte relevante do treinamento e inferência da Anthropic no Google Cloud, o acordo ajuda o Google a “seedar” demanda para competir com AWS e Azure em AI workloads.

  • Provedor de Capital: somando os aportes, o Google já investiu bilhões na Anthropic e deve ser dono de ~15–20% da startup. É participação relevante, mas não controle absoluto para não alertar os órgãos antitruste.

  • Provedor de Clientes: os produtos da Anthropic estão integrados e disponíveis através do Google Cloud pelo Vertex AI, gerando demanda diretamente para a startup em um modelo “claude-as-a-service”.

Além de fornecedor dos 5C (Crédito, Chips, Cloud, Capital e Clientes), o Google tem um outro C para se proteger: Competidor. Ambas estão desenvolvendo os próprios modelos de inteligência artificial (Gemini e Claude).

win-win: se o Gemini perder, o Google ainda tem a Anthropic. Se a Anthropic perder, o Google ainda tem o Gemini.

Mundo Afora

  • Comissão Europeia: teve o seu website hackeado e agora hackers ameaçam publicar 350 GB de dados roubados online.

  • Wikipedia: resolveu banir formalmente artigos escritos por IA da sua plataforma, com duas exceções: traduções e correções.

  • Shield AI: a startup produzindo drones militares de direção autônoma capta uma rodada de US$ 2 bilhões que a avalia em US$ 12 bi (o dobro de 2025).

  • Ely Lilly: a big pharma trilionária fabricante do Mounjaro vai colocar US$ 2,75 bilhões na Insilico para usar IA no desenvolvimento de medicamentos.

IA não ficou só mais inteligente, ficou mais exigente

Dropped by Acer Empresas

Modelos maiores. Dados maiores. Processamentos maiores. A IA evoluiu — e junto veio uma nova exigência: mais poder computacional para sustentar esse ritmo. Quando o hardware não acompanha, o ciclo desacelera. E em IA, desacelerar é ficar para trás.

Os PCs Acer Veriton foram feitos para operar nesse novo nível. Com capacidade de petaFLOPs, permite executar modelos de IA diretamente no desktop, acelerando desde experimentação até prototipagem avançada em ciência de dados, engenharia e pesquisa.

Isso encurta o tempo entre um teste e outro e muda o ritmo do trabalho técnico. Mais potência onde a inovação acontece. Conheça a linha Veriton e leve performance para sua infraestrutura com IA.

Google Live Translate

Para usar a funcionalidade de tradução simultânea da Apple, você precisa no mínimo de um AirPod 4, um iPhone 15 Pro, iOS 26+ e ligar o Apple Intelligence — e torcer pra precisar de um dos cinco idiomas disponíveis. Enquanto isso, o Google acaba de lançar o novo recurso Live Translate de graça, para qualquer fone de ouvido e em +70 idiomas!

Agora, para conversar ao vivo, em tempo real, em basicamente qualquer idioma, tudo que o usuário precisa é fazer o download do app Translate (disponível para Android e iOS), conectá-lo com qualquer fone de ouvido e clicar em traduzir!

A Apple nem sentiu o jab, mas a Duolingo despencou -5% e já perdeu -70% do seu valor de mercado nos últimos 12 meses.

TikTok Drama

As mini-novelas-verticais de bilhões são a nova aposta do app.

O TikTok construiu o seu império de +US$ 100 bilhões sem nunca ter feito uma dancinha em frente às câmeras, usando apenas conteúdo dos próprios usuários. Mas isso está prestes a mudar, já que o aplicativo está lançando o TikTok Drama!

Os micro-dramas têm 60-90 episódios verticais com ~60 segundos cada e temas bem parecidos com os ebooks-romances no topo da Amazon.

Em receita, os micro-dramas já superam a bilheteria doméstica na China.
Em tempo gasto, o tempo de visualização já ultrapassou os apps de streaming de conteúdo longo.
Em número total de usuários, estão a caminho de superar completamente os vídeos de longa duração.

Há alguns anos, a indústria mal existia. Mas saiu de US$ 500 milhões em 2021 para +US$ 7 bilhões em 2024 e não demorou para que uma avalanche de aplicativos de mini-dramas surgissem por aí:

  • ReelShort: atingiu 370 milhões de downloads e faturou US$ 700 milhões no ano passado — tem parte da produção de conteúdo aqui no Brasil.

  • DramaBox: saiu de US$ 8 milhões em receita em 2023 para US$ 450 milhões em março do ano passado.

  • ShortMax: registrou um crescimento de 3.888% entre 2023 e 2024 e já estava gerando US$ 640 mil por dia em julho do ano passado.

  • DramaWave: lançou no final de 2024 e já acumulou 53 milhões de downloads e US$ 47 milhões em receita global em abril de 2025.

A ByteDance faturou +US$ 180 bilhões no ano passado, tudo isso enquanto via a indústria de micro-dramas ultrapassar a indústria de cinema na China. Agora resolveu agir: registrou a marca, entrevistou elenco e lançou um app independente chamado PineDrama (nos EUA e Brasil) e entrou no ringue!

PS: Usando IA para dublagem e legendagem, o custo de localização de conteúdo pode cair pra US$ 140 por minuto,
PS2: ~80% do orçamento das produtoras fica em atrair usuários — algo que o TikTok não precisa, já que conta com 1,6 bilhão deles.

Brasil Adentro

  • Shadow AI:* No Brasil, 74% dos profissionais já usam assistentes de IA pessoais para trabalhar. O risco é alto para empresas que não adotam políticas de uso e governança claras, já que a adoção individual cresce mais rápido que o apoio corporativo. O estudo Work:InProgress, do Google Workspace com a IDC traz insights de como IA já é parte do dia a dia dos profissionais — mas nem de todas as empresas brasileiras. Baixe o estudo completo aqui!

  • Valid, uma das maiores idtechs do Brasil, capta R$ 300 milhões com o BNDES para criar a ID Wallet Brasil, carteira digital de identidade e biometria com IA.

  • Nubank, Garantia Capital, MD Capital e Sputnik LLC são as quatro interessadas em adquirir o Banco Caixa Geral Brasil (BCGB) e levar a licença bancária.

*Conteúdo de marca parceira

STATS

+US$ 100 milhões

É quanto a OpenAI está gerando em receita recorrente anual apenas seis semanas depois do lançamento oficial dos anúncios pagos no ChatGPT.

O projeto piloto de ads está rodando exclusivamente nos EUA e contou com 600 anunciantes parceiros. Os ads não aparecem para usuários menores de idade e nem próximos a tópicos sensíveis (política, saúde e saúde mental).

Segundo a empresa, apesar de 85% dos usuários dos planos Free e Go estarem elegíveis, apenas 20% deles viram ads diariamente.

Uma vez que os anúncios cheguem a todos os usuários em todos os países, a expectativa (dos analistas) é que a receita chegue em US$ 1 bi no fim deste ano e US$ 25 bi até 2030.

EntrePay, a fintech fechando as portas

O Banco Central decretou a liquidação da Fintech na última sexta-feira

Antonio Carlos Freixo largou uma carreira em bancos tradicionais (Garantia e Credit Suisse) para se aventurar no mundo startupeiro em 2016 com o Grupo Entre, uma especialista em estruturação de fundos e operações financeiras. A partir daí, começaram as aquisições que terminaram com liquidações! #sentaquelávemhistória

Diferente das fintechs que, normalmente, levantam rodadas de investimento com fundos de venture capital (anjo, seed, série A, B, C, D, etc), o grupo Entre usava FIDCs e securitização de recebíveis como mecanismos para capitalizar as operações.

  • em 2021: concluiu sua primeira aquisição, trouxe a Global Payments, entrou no mercado de adquirência e criou a marca EntrePay.

  • em 2022: além da compra do portal da revista IstoÉ, o grupo concluiu a aquisição das startups Pmovil (pagamentos alternativos), Wealth Money (empréstimos P2P) e Linked Gourmet (startup de alimentação).

  • em 2023: entrou de cabeça no modelo b2b com o modelo white-label, permitindo que outras empresas (bancos, apps, franquias) usassem sua infraestrutura para operar serviços financeiros com a própria marca.

  • em 2024: continuou a máquina de aquisições com a compra da Acqio (rede de franquias de maquininhas), Credihome (fintech de crédito da startup Loft) e fez o rebranding para Octa, que seria o core bancário do Grupo.

  • em 2025: fechou uma parceria com o Banco do Nordeste (BNB) para fornecer maquininhas gratuitas a clientes do Crediamigo — o maior programa de microcrédito da América Latina.

  • em 2026: os repasses a lojistas começaram a atrasar, o contrato com BNB foi rescindido e as queixas no ReclameAqui começaram a empilhar.

O caso está longe de encerrar, mas as operações das empresas do grupo (EntrePay, Octa e Acqio) já estão impedidas de continuar depois que o BC decretou a liquidação extrajudicial das mesmas — seguindo uma investigação da Polícia Federal na Operação Compliance Zero

CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS

O Boom ou a Bolha de US$ 9 trilhões?

Quanto mais as big techs gastam em data centers,
menos receita cada dólar investido consegue gerar.

via FT

A contar pelo tanto que você lê “datacenter” por aqui, já ficou claro que esse se tornou o grande gargalo e obsessão das big techs. Só as hyperscales (Meta, Google, Microsoft, Amazon, Oracle) devem gastar US$ 4 trilhões em capex até 2030 — podendo chegar a US$ 9 trilhões. O dobro do que investiram antes do crash pontocom.

Para justificar esse capital com uma taxa de retorno de apenas 10%, seria necessário gerar US$ 900 bilhões de lucro por ano — o que implica uma receita anual de US$ 2,7 trilhões. Isso é próximo de todo o gasto dos EUA com software em 2024.

  • O que dizem os otimistas (bull): diferente das outras crises, dessa vez a demanda já existe, os clientes estão fazendo fila e os pedidos dobraram — além das big techs terem outras fontes de receita seguras que podem aguentar o tranco caso dê tudo errado.

  • O que dizem os pessimistas (bear): a demanda pode não crescer tão rápido quanto se espera, cerca de +90% dos projetos de IA falham e qualquer descompasso de tempo aqui pode causar grandes estragos.

No fim do dia, as hyperscalers provavelmente não vão à falência, mas a chance desse ser o maior evento de destruição de capital em escala histórica é não-zero.

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