
Bom dia, Dropper!
Hoje eu aprendi: que, em 2000, o Metallica contratou uma consultoria para descobrir quem estava pirateando suas músicas e entregou uma lista com +330k usuários no escritório do Napster exigindo o banimento! O Iron Maiden contratou o mesmo serviço, mas quando descobriu que a maioria da pirataria estava vindo da América do Sul, ao invés de baní-los, fez uma turnê por aqui!
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• Salesforce acabou com os cliques
• Trending: robôs corredores
• Anthropic: deu um uno reverse na Casa Branca
• Stats: R$ 6,5 bilhões
• Netflix: o plano do app de streaming
• Contra Dados Não Há Argumentos: A moeda de troca da Globo Ventures

Salesforce acabou com os cliques
O plano da Salesforce para transformar API em Interface do Usuário

Depois de décadas de evolução das interfaces, investimentos em UI/UX, milhares de otimizações… a Salesforce acaba de anunciar a morte dos cliques com o Salesforce Headless 360: sua aposta é que o SaaS não morreu, ele mudou!
Até ontem: ~US$ 40 bilhões por ano, majoritariamente cobrando por licenças para cada usuário que acessa seu sistema — do plano de entrada ($25/usuário/mês) ao plano enterprise ($550/usuário/mês).
A aposta da Salesforce é direta: quando um agente de IA substitui 20 humanos a 1/20 do custo, cobrar por "usuário" deixa de fazer sentido. O novo padrão é precificação por resultado — você paga quando o trabalho está feito, não quando o agente fez 10.000 chamadas de API por minuto.
The Old Way: o modelo de precificação de empresas SaaS sempre foi baseado na quantidade de usuários (per-seat-pricing) de uma organização. Funcionando sob a premissa de que os usuários fazem login, clicam aqui e ali enquanto navegam entre telas e dashboards para extrair informação.
→ $20 por mês por usuárioThe New Way: agentes de inteligência artificial não fazem login, não clicam em botões e não leem dashboards. Eles consomem informações em código por meio de APIs, MCPs e CLI. Como a projeção é que existam muito mais agentes que humanos, o Headless 360 é a Salesforce para era da IA.
→ $2 por conversa ou tarefa
A Salesforce foi uma das primeiras empresas tech a apostar na revolução do modelo On Premise para o modelo Cloud e criou um império de +US$ 160 bilhões em cima disso. Agora quer ser a primeira a descobrir o novo modelo da categoria que ajudou a criar há quase 30 anos.
PS: a previsão é de que os agentes usarão software 100x mais do que as pessoas no futuro.
Mundo Afora
Vercel: um dos apps queridinhos da geração vibe-coding foi hackeado e dados de clientes estão à venda na dark web — ainda sem números oficiais.
Cerebras: a startup que fabrica processadores personalizados para executar modelos avançados de IA entra na fila do IPO.
Tesla: vai reportar os resultados trimestrais nessa quarta-feira à noite e na quinta-feira pela manhã o MoneyDrop já está te explicando tudo que rolou.
Blue Origin: a startup espacial de Bezos, realizou um pouso bem-sucedido de um booster pela segunda vez. Só um probleminha: o satélite enviado foi colocado em uma “órbita fora da normal” — jargão espacial para acidente.
Cursor: pode estar perto de fechar um financiamento de US$ 2 bilhões a um valuation de US$ 50 bilhões.
Google está em negociações com a Marvell para desenvolver dois novos chips de IA para inferência e depois produzir pelo menos 2 milhões de TPUs.

A meia maratona dos robôs humanoides da China!
No ano passado, na meia maratona de robôs humanóides de Pequim, poucos deles foram capazes de cruzar a linha de chegada. Já na edição deste ano, teve robô humanoide vencendo a prova em 50 minutos e 26 segundos — mais rápido que o recorde mundial do corredor ugandense Jacob Kiplimo!
No ano passado, Pequim sediou os primeiros Jogos de Robôs Humanoides do mundo, que colocaram as máquinas à prova em futebol, boxe, artes marciais e outros esportes. Este ano, a Meia Maratona é mais que um evento esportivo, é um jeitinho sutil da China mostrar ao mundo sua superioridade tecnológica perante o ocidente e os avanços que tiveram de um ano para cá, como:
Equipes: de cerca de 20 para +100 competidores este ano (+5x)
Robôs: foram +300 competidores humanóides na disputa
Autonomia: ~50% dos competidores correram sem controles remotos
Formato: os robôs corriam em paralelo aos humanos em pistas separadas
Há dois anos essas máquinas não conseguiam atravessar uma sala sem cair. Este final de semana o vencedor correu 21 km a uma média de 25km/h sem tropeços.
A China já controla ~90% do mercado de robótica, vendendo estimados 15.000 unidades no ano passado, contra 1.500 do resto do mundo. Cerca de 9 a cada 10 robôs humanóides são made-in-China — o que, por sinal, já não tem o mesmo significado que tinha há 10/20 anos.
O ticket da Anthropic de volta à Casa Branca
Como a startup foi de fornecedor para inimiga para potencial fornecedora

Depois de ser chutado pela porta dos fundos da Casa Branca, o “inimigo” do governo e CEO da Anthropic, Dario Amodei, entrou de volta pela porta da frente. Dessa vez o motivo e o tom da conversa era outro: os perigos do Claude Mythos e uma possível reaproximação entre o governo e a startup.
Mythos é o modelo super poderoso com habilidades de cybersecurity (e cyberattack) tão evoluídas que fizeram com que a Anthropic decidisse não lançar o modelo ao público-geral e liberar o uso apenas para um seleto grupo de empresas especialistas - para que elas tenham tempo de se proteger.
Recapitulando os últimos meses de treta:
Dia 1: A Anthropic se torna fornecedora oficial de IA do Pentágono com um contrato de US$ 200 milhões.
Dia 2: O Secretário de Guerra americano decide exigir que todos os seus fornecedores devem obrigatoriamente deixar o uso irrestrito das tecnologias para qualquer uso.
Dia 3: a Anthropic se recusa e diz que não vai remover as proibições de uso para vigilância doméstica em massa ou armas autônomas.
Dia 4: o Governo não só cancela o contrato com a startup como também a classifica como "risco à cadeia de suprimentos de segurança nacional”.
Dia 5: a Anthropic processa o governo e lança o Claude Mythos — um modelo capaz de hackear tudo e todos. Libera para uso restrito de algumas poucas empresas de segurança.
Dia 6: o Pentágono olha para aquela arma branca e diz “não é bem assim… vamos conversar”.
Se há algum tempo, um modelo de ponta do ocidente tinha uma vantagem de ~6 meses até que os modelos open-source do oriente conseguissem alcança-lo, hoje os modelos são destilados e copiados em poucos dias.
Em outras palavras, muito em breve China, Rússia, Irã ou qualquer outra nação pode ter uma versão melhor do que qualquer hacker vivo atualmente na ponta dos dedos — motivo suficiente para Governo Americano mandar um “oi sumido” para Anthropic.
Brasil Adentro
Inova Cartórios, a startup com soluções digitais para cartórios, é a mais nova aquisição da PipeImob por valor não divulgado.
Aro, a fintech usando IA para oferecer créditos de uma maneira descomplicada, capta rodada pré-seed de R$12,5mi com a ONEVC e 17Sigma
Equinix inaugura data center de US$ 114 milhões no estado de São Paulo — o sexto da empresa no estado e nono no país.
STATS
R$ 6,5 bilhões
é quanto as empresas brasileiras de geração de energia renovável perderam no ano passado com o curtailment. Ou seja: ~20% de toda energia eólica e solar gerada em 2025 foi “jogada fora”
Curtailment: ocorre quando usinas eólicas e solares precisam ser desligadas momentaneamente para evitar um excesso de geração na rede elétrica que pode causar instabilidade no sistema e gerar blecautes.
Mas em vez de chorar pelos megawatts derramados, a Radius Mining quer usar essa sobra de energia limpa em Bitcoins. A energitech acaba de fechar uma rodada de R$ 28 milhões e um acordo com empresas de renováveis para jogar a energia extra diretamente para mineração de bitcoins.
Como 95% do custo operacional da mineração de criptomoedas é a energia, a startup espera fechar a conta comprando energia que, até então, era jogada fora.
via Brazil Journal
Espalhe a palavra
4 motivos para indicar o TechDrop pra galera!

Ainda te faltam motivos para indicar o TechDrop para os seus amigos? A gente tá aqui pra trazer alguns:
Você deixa a caixa de entrada deles mais inteligente
Você pode fazer a moral com o chefe no Slack
As conversas de corredor ficam mais produtivas
Tem brinde!
Para as três primeiras você pode só encaminhar esse email, mas pra número 4 você pega seu link único aqui!
Netflix: tem alguém assistindo planejando
Os planos da líder dos streamings sem Warner e sem o seu fundador

A Netflix soltou o report trimestral na sexta com resultados acima do esperado. Mesmo assim, as ações despencaram 11% no dia e US$ 45 bilhões de valor de mercado evaporaram. Culpa da troca no protagonista e do guidance, o teaser dos próximos capítulos.
O streaming terminou o ano passado com +325 milhões de assinantes pagos e quase 1 bilhão de espectadores depois de ter crescido 16% para fechar o ano com US$ 45,2 bilhões de faturamento.
Com a saída do cofundador Reed Hastings — que deixa o trono depois de 29 anos — quem assume é Greg Peters, que está confiante na avenida de crescimento à frente da Netflix: "temos apenas 5% da audiência global de TV, atingimos menos de 45% do mercado potencial e capturamos apenas 7% da receita que podemos”
O plano de ataque é ancorado em 3 frentes:
Ads: a base de publicitários investindo em anúncios na Netflix cresceu 70% no ano passado para +4000 marcas. O suficiente para gerar uma receita de US$ 1,5 bilhão, mas o plano é duplicar esse número em 2026.
Tecnologia: a Flix firmou uma parceria com a Amazon e com o Yahoo para disponibilizar a compra de ads através da plataforma de venda dedicada. As vendas agora são self-service em duas das maiores DSPs do mercado.
Além disso, a empresa celebrou os US$ 2,8 bilhões que ganhou depois de ter saído da mesa de negociações da compra da Warner e — assim como a GloboPop na semana passada — também está criando o próprio app de vídeos curtos verticais.
Para quem quer transformar atenção em dinheiro, qualquer oportunidade de coletar dados e mostrar ads vale ouro.
PS1: quando Hastings fundou a Netflix 29 anos atrás, alugava DVDs por delivery.
PS2: agora Hastings está no conselho de diretores da Anthropic.
PS3: Reed também comprou e hoje opera a Powder, um resort de ski privado em Utah.
CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS
A moeda de troca da Globo Ventures
Como a Globo usa mídia como capital para fazer investimentos

O mito da Globo ser dona da CazéTV realmente parece ser apenas um mito. Por outro lado, o braço de venture capital da Rede Globo tem um portfólio com um pedacinho de algumas das maiores startups do Brasil usando o modelo de media-for-equity.
Como o próprio Roberto Marinho Neto deixou escapar em uma entrevista ao NeoFeed: "Tratamos a mídia da Globo como capital. É moeda, e preciso valorizar essa moeda".
Em outras palavras, a Globo usa a mídia ociosa (“calhau”, para quem fala mkt) dos seus ativos por ações nas startups. Afinal, o que tem um custo marginal baixo para eles, pode ter um valor de mercado alto para uma startup.
DROP LIKE IT'S HOT
[para refletir] sobre uma tese sobre o futuro dos SaaS pela Crossover Research
[para acompanhar] o experimento de David Daines para ficar 1 ano com 0 telas
[para visualizar] o que é gratificação adiada (Delayed Gratification)

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