Bom dia, Droppers!
Hoje eu aprendi: que a memória RAM ficou tão cara devido à fome insaciável dos data centers de inteligência artificial, que a Samsung Semiconductor disse NÃO para um pedido de RAM para os novos celulares Galaxy da Samsung Electronics — sim, duas unidades de negócio da mesma empresa.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• SpaceX: os detalhes do maior IPO de todos os tempos.
• Trending: NASA rumo à Lua
• OpenAI: o lado do CEO vs o lado da CFO
• Stats: 18x de retorno (captable da OpenAI)
• Anthropic: quer descobrir novas drogas
• Contra Dados Não Há Argumentos: capacidade energética da OpenAI

O IPO da SpaceX
As características únicas do maior IPO da história

img via NYP
Ninguém quer ficar de fora do que pode ser o maior IPO da história. Bancos, investidores, advogados, conselheiros, fundos, bolsas… todo mundo disputando cada pedacinho da SpaceX na expectativa da estreia no mercado de capitais.
Surfando todo esse hype, o chefe Musk está usando a estratégia ““Quem quer rir, tem que fazer rir” para mudar algumas regras do jogo ao seu favor:
O tamanho: quer levantar ~US$ 75 bilhões numa avaliação de US$ 1,75 trilhão — simplesmente a maior initial public offering de todos os tempos.
A galera: Musk está reservando até 30% da oferta de ações para investidores individuais — três vezes o que é normalmente alocado.
O controle: uma estrutura de ações de duas classes que preserva o controle e poder de decisão de Musk.
O conglomerado: quem comprar ações leva junto a xAI (grok), X (Twitter) e a Starlink (internet via satélite).
A exigência: todos os fornecedores que trabalharem no IPO precisam ter uma assinatura ativa da sua inteligência artificial, Grok.
O fast-track: Nasdaq, S&P 500, e Dow Jones estão todos considerando mudanças para acelerar a inclusão de empresas recém-listadas no índice.
Os bancos: são 21 participando. Incluindo os bookrunners (Morgan Stanley, Goldman Sachs, JPMorgan, Bank of America e Citigroup) e outros com papéis menores (com o BTG sendo o único representante brazuca e latino da lista).
O pacote do IPO mistura foguetes, satélites, IA, rede social e chips numa única oferta de US$ 75 bilhões, com regras de distribuição repensadas. Tudo isso com uma pitada nada discreta de um fundador que já é o homem mais rico do mundo e que sabe falar a língua que Wall Street entende. Vai ser difícil precificar… e impossível ignorar.
Mundo Afora
BYD teve uma queda no lucro pela primeira vez em 4 anos e decidiu demitir ~100.000 funcionários na China (cerca de 10% da força de trabalho).
Coinbase: criou o "Quantum Defense Fund", uma iniciativa de US$ 150 mi, liderada pelo CEO Brian Armstrong para proteger o Bitcoin das ameaças da computação quântica.
Microsoft: vai investir US$ 10 bilhões no Japão para aumentar capacidades de IA e cibersegurança junto ao governo do país.
Para dirigir inteligente e melhor
Dropped by Renault
A experiência de ir do ponto A até o ponto B pode ser completamente diferente com os recursos certos. E a Renault decidiu elevar o padrão do que você deveria esperar ao entrar no carro, com mais tecnologia e segurança para a experiência de quem dirige.
O app My Renault permite mais controle na palma da sua mão: acender os faróis e acionar a buzina remotamente, rastrear o veículo e receber alertas de intrusos, além de acessar o cronograma de manutenção do veículo.
Com o Google integrado, o carro tem seu próprio pacote de dados para acessar +100 apps de entretenimento e navegação.
+20 sistemas de assistência de direção auxiliam na condução e aumentam a segurança a bordo.
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NASA rumo à Lua
Se você tem menos de 53 anos, nunca viu um ser humano na Lua — até agora. Enquanto os bilionários disputam para colocar datacenters em satélites artificiais, a NASA quer colocar humanos novamente no satélite natural com a Missão Artemis II. Preparando o caminho para a alunissagem da Artemis III no ano que vem.
Ao longo de ~10 dias, os quatro astronautas da Artemis II vão orbitar a Terra 2x antes de contornarem o lado oculto da Lua e retornarem para casa, percorrendo 405.554.688 km e chegando ao ponto mais distante da Terra que qualquer ser humano já chegou.
A missão é um enorme e complexo teste para verificar as condições do pouso da Artemis III (2027) — o primeiro desde 1972, quando os telefones ainda eram fixos e a internet se chamava ARPANET. Dessa vez, os astronautas estão bem mais geekies:
Microsoft: é a fornecedora oficial, com um contrato de US$ 100 milhões cobrindo desde a Microsoft 365 até o armazenamento na Azure. O problema é que já nas primeiras horas os astronautas precisaram dizer “Houston, we have a (Outlook) problem”, depois que o app de emails deu bug nos tablets Surface Pro.
Apple: não é a fornecedora oficial, mas cada tripulante recebeu um iPhone 17 Pro Max para tirar selfies das janelas do foguete com o planeta Terra de fundo e viralizarem nas redes sociais. Sem precisar pagar nada por isso.
Streaming: Youtube, Amazon Prime, Netflix, Peacock, Facebook, Twitch, X… todos com canais dedicados da NASA para transmissões ao vivo dos principais momentos da missão, incluindo a decolagem bem-sucedida, pousos e até lives com perguntas e respostas aos tripulantes.
Diferente das missões da Apollo, quando os astronautas tinham que prender bolsas e tubos especiais a si mesmos sempre que precisavam ir ao banheiro… a NASA investiu US$ 23 milhões para criar um vaso sanitário espacial para a Artemis — que acabou interditado já nas primeiras horas da missão, mas foi resolvido pela tripulação.
PS: hoje às 14h tem uma live direto da Artemis II na Netflix.
A disputa entre o CEO e CFO da OpenAI
Fundador visionário obcecado versus executivo financeiro avessos ao risco.

A mesma dupla que acabou de comemorar a maior rodada de investimentos da história (colocando US$ 122 bilhões nos caixas da OpenAI)… agora não está mais se falando. A CFO Sarah Friar deixou de reportar para o CEO Sam Altman.
CEO: o ex-founder de uma rede social de localização (Loopt), presidente da maior aceleradora de startups do mundo (Ycombinator) e brevemente CEO interino do Reddit antes de se tornar cofundador e CEO da OpenAI.
CFO: uma ex-analista de ações da Goldman Sachs, que depois foi para o financeiro da Salesforce, ajudou a Square (agora Block) a abrir capital e passou ~6 anos como CEO da rede social local Nextdoor.
A pessoa responsável por vender o sonho não é a mesma que atualiza a planilha. Mas as duas precisam concordar e a matemática precisa funcionar e não é o que está acontecendo na OpenAI. Os principais pontos de atrito são:
Organização:
CFO: acredita que a OpenAI não tem tempo de se preparar para abrir IPO ainda neste ano.
CEO: está pisando no acelerador o quanto consegue para entrar na fila dos IPOs antes da sua principal concorrente e ser a primeira a abrir capital.
Compromissos:
CFO: apesar de já ter cortado as ambições de gastar US$ 1,4 trilhão em poder computacional para “só” US$ 600 bilhões, Sarah ainda tem dúvidas sobre a capacidade de assinar contratos se comprometendo a consumir tanta computação/energia/chips/etc.
CEO: está assinando contratos como se não houvesse
amanhãconcorrência. Contratos circulares e fornecedores que também são investidores se tornaram a nova norma.
Crescimento:
CFO: o share de APIs corporativas caiu de 50% em 2023 para 25% em meados de 2025, enquanto a Anthropic subiu de 12% para 32%. E o CEO assinava compromissos financeiros cloud (US$ 600 bi) com Microsoft, Amazon, Oracle, etc.
CEO: quer sair de US$ 13 bilhões em receita em 2025 para US$ 30 bi em 2026. Depois US$ 62 bi → US$ 113 bi → US$ 184 bi… até US$ 284 bilhões em 2030, quando supostamente daria lucro.
Para a OpenAI, o IPO é uma questão de necessidade: (i) os cofres privados já estão quase zerados e precisam das carteiras dos investidores públicos; (ii) a narrativa de dominação AINDA é mais forte que a unit economics; (iii) os gastos seguem aumentando, a concorrência cresce e fica cada vez mais difícil mostrar o .ppt sem o .csv.
PS: para piorar, o projeto de data center Stargate em Abu Dhabi se tornou alvo do Irã.
Brasil Adentro
Answer Engine Optimization (AEO)*: O Inbound mudou e levou junto com ele o SEO. Ranking ainda importa. Mas quem ganha é quem aparece nas respostas da IA. A maioria ainda joga o jogo antigo. O Diagnóstico AEO da HubSpot mostra onde sua autoridade não aparece. Faça o diagnóstico gratuito.
Hero Seguros, a insurtech especializada em seguros de viagem, capta sua primeira rodada de investimentos de R$ 35 milhões com a Headline XP.
Trela, a investida do Softbank, é a última startup de delivery de alimentos a fechar as portas — seguindo o mesmo fim das concorrentes Justo e Mercado Diferente.
Mercado Livre agora é LP (Limited Partner) da Gradient, um fundo de venture capital no Vale do Silício focado em startups de IA em estágio inicial.
*Conteúdo de marca parceira
STATS
18x
é o retorno sobre o investimento (ROI) que a Microsoft teve ao investir na OpenAI. Mesmo depois de ter transformado US$ 12 bilhões em US$ 215 bilhões, ela não está no topo da lista de investidores com maior retorno:
Investidores Anjo: 140x de retorno ($10mi → $140bi)
Sound Ventures (do ator Ashton Kutcher): 43x de retorno ($30mi → $1.3bi)
Khosla Ventures: 30x de retorno ($50mi → $1.5bi)
Thrive Capital: 4.8x de retorno ($2.8bi → $13.4bi)
MGX (Mubadala): 3.9x de retorno ($1.1bi → $4.4bi)
Coatue Management: 3.1x de retorno ($548mi → $1.7bi)
Sequoia Capital: 3x ($667mi → $2bi)
Blackstone / BlackRock: 3x ($667mi → $2bi)
Andreessen Horowitz a16z: 2.7x ($1.6bi → $4.3bi)
Amazon: 2.6x ($9.5bi → $24.7bi)
TPG: 2.5x ($920mi → $2.3bi)
SoftBank: 1.5x ($23.1bi → $34.7bi)
No captable, a Microsoft fica como maior acionista individual da OpenAI com ~27%, à frente até mesmo da entidade-mãe sem fins lucrativos (~26%) e seguida por SoftBank (~12%), Amazon (~5%) e Nvidia (3,5%).
Os atuais funcionários da startup são proprietários de 16% das ações, enquanto os ex-funcionários ficam com ~3,5%, o equivalente a US$ 135 bi e US$ 30 bi, respectivamente.
Notavelmente, quem fica com 0% da startup é o CEO e cofundador Sam Altman!
Anthropic quer descobrir novas drogas
A startup de IA acaba de pagar US$ 400 milhões pela biotech Coefficient

A mesma empresa criando a tecnologia que possivelmente vai substituir o seu emprego também quer criar a tecnologia para criar novas drogas, curar doenças e estender a qualidade e o tempo da sua vida. Para isso, a Anthropic está adquirindo a biotech Coefficient por US$400 milhões.
A Anthropic já havia anunciado a Claude for Life Science em outubro, uma iniciativa para ajudar pesquisadores científicos a fazerem descobertas usando IA.
A Coefficient foi fundada há apenas oito meses e estava usando IA para ajudar na descoberta de medicamentos e na automação de experimentos científicos.
A indústria farmacêutica investe +R$ 1 trilhão por ano em pesquisa e desenvolvimento e a Anthropic quer um pedacinho desse bolo. Com a passadinha na farmácia, a startup mostra que a estratégia é de verticalização da inteligência na biologia:
Passo 1: fechou parcerias com as maiores farmacêuticas e empresas de biociência do mundo, como Sanofi, Novo Nordisk, Genmab, AbbVie, Instituto Allen e o HHMI.
Passo 2: expandiu para a área da saúde ao permitir que médicos, seguradoras e empresas de saúde utilizem o Claude para tarefas médicas em um ambiente controlado e regulado.
Passo 3: melhorias no Claude para automatização de tarefas de pesquisa científica, preparação de submissões regulatórias, elaboração de ensaios clínicos, etc.
Passo 4: adquiriu a tecnologia, o talento e a experiência de um time que está trabalhando na intersecção entre tecnologia e saúde aplicada ao desenvolvimento de novas drogas.
O trabalho de biotech exige rotinas em que pesquisadores precisam:
(a) rastrear experimentos,
(b) conectar dados de laboratório,
(c) auxiliar no planejamento de estudos,
(d) elaborar a complexa documentação de medicamentos e regulamentações.
Todos processos que IA consegue executar com mais velocidade, precisão e qualidade que seus concorrentes humanos.
Enquanto a vantagem competitiva na indústria passa de conhecimento de moléculas para arquitetura de modelos, a Anthropic vai mostrando que quer controlar os fluxos e ferramentas para se tornar o posto Ipiranga da biotecnologia.
CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS
A capacidade de energia da OpenAI
A startup quer aumentar sua capacidade em 125x nos próximos 8 anos

Segundo o CEO e dono de 0% da OpenAI, Sam Altman, a startup começou o ano com 0,23 GW de capacidade energética (próximo ao que todo o país de Malta consome), mas deve acabar o ano em 2 GW (próximo ao consumo da Islândia) e chegar nos 250 GW até 2033. Para fins de comparação:
Estados Unidos: 488 GW
OpenAI: 250 GW
Índia: 223 GW
Brasil: 209 GW
Alemanha: 57,7 GW
Reino Unido: 35,3 GW
A demanda energética projetada por UMA das mais de 10 startups competindo pela liderança na corrida de IA é maior que o uso energético de quase todos os países da Terra (com exceção de quatro: EUA, China, Rússia e Japão).

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