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Bom dia Droppers,

Hoje eu aprendi: que depois que o presidente francês Emmanuel Macron discursou no Fórum Econômico Mundial usando óculos de sol no estilo aviador (em ambiente fechado) e o vídeo viralizou, as ações da fabricante dispararam +30%, adicionando 3,5 milhões de euros de valor de mercado à iVision Tech.

No Drop de hoje, em um pouco mais de 5 min mas ainda direto ao ponto:

• IPO da SpaceX: foguetes, telecom ou energia?
• Trending: Will virou Won’t Bank
• OpenAI: em busca do tesouro perdido
• Stats: $100 bi do YouTube
• Brex: o exit de R$ 27 bilhões
• Contra Dados Não Há Argumentos: o downround do Brex

Dropped by Pedro Clivati e Renan Hamann
MERCADO

IPO da SpaceX: foguetes, telecom ou energia?

gif via NYPost

Enquanto a SpaceX se prepara para o maior IPO da história, que pode avaliar a empresa espacial de Musk a mais de US$ 1,5 trilhão, o público ainda tenta entender o que, realmente, é a SpaceX.

Lá na fundação em 2002, a visão não poderia ser mais clara: “Tornar o espaço acessível economicamente ou morrer tentando”. O caminho pra essa decolagem estava em reduzir o custo de lançar foguetes, viabilizando o primeiro objetivo:

→ Objetivo 1: tornar a espécie humana multiplanetária com um assentamento em Marte.

Para isso, a empresa espacial focou em:
(a) integração vertical: construiu motores, aviônicos e estruturas internamente.
(b) foco em simplicidade: menos partes e iterações mais rápidas
(c) tolerância ao risco: fracassos / explosões farão parte do processo

E funcionou: a SpaceX dominou o mercado de lançamento de foguetes ao torná-los reutilizáveis, ultrapassando em quantidade de lançamentos e peso enviado à órbita até das nações mais avançadas. Hoje a empresa gera US$ 4,4bi (28%), mas entendeu que essa fonte de receita não seria suficiente para financiar a colonização de outro planeta. Aí vem…

→ Objetivo 2: internet via satélite a baixo custo nas áreas mais remotas da Terra.

Para isso, o foco foi:
(a) receita recorrente: com previsibilidade e constância
(b) mercado maior: o mercado total endereçável (TAM) é massivo
(c) sinergia vertical: usar os próprios foguetes para viabilizar os lançamentos.

E funcionou: a Starlink hoje gera mais grana que todos os lançamentos de foguete juntos, a receita é recorrente através das mensalidades e o crescimento vem dos próprios usuários, não de governos e grandes empresas, gerando US$ 10,4bi (70%). Depois de criar a própria demanda, agora a empresa planeja levantar +US$ 30 bilhões no IPO para atacar o seu próximo foco:

→ Objetivo 3: datacenters no espaço com fonte energética inesgotável.

Ainda não funcionou: mas a SpaceX já provou que a única limitação dos seus planos é a Física – todo o resto é possível!

PS: a Blue Origin, de Jeff Bezos, engrossou o caldo ao anunciar a TeraWave, a própria rede de 5.408 satélites para entregar internet de banda larga via satélite.

QUICK DROPS

Mundo Afora

  • Amazon: foi na onda da OpenAI e da Anthropic e lançou o Health AI, um assistente que oferece orientação 24/7 e ajuda a ligar o usuário ao seu médico, marcar consultas, ler exames e gerir medicamentos.

  • TikTok: depois de negociações muito longas, a operação dos EUA finalmente vai se separar da ByteDance e 80% do negócio passa pras mãos de Oracle, MGX e Silver Lake.

  • Lemonade: a seguradora americana começa a oferecer 50% de desconto nos planos para clientes assinantes do FSD (direção autônoma) do Tesla.

  • Vimeo: que foi comprado pela Bending Spoons, a private equity fantasiada de startup tech, demite a maioria dos seus funcionários.

  • Volvo: quer ter o primeiro veículo elétrico com IA do mundo e está levando o Gemini do Google para interface multimidia de +2,5mi de veículos.

AROUND THE WORLD

Ser global não é mais privilégio de empresa grande

Oferecimento Deel

Expandir globalmente deixou de ser coisa de empresa grande com um escritório em cada fuso. PMEs já estão entrando na internacionalização, principalmente quando o assunto é talento. 

O desafio vai muito além de mudar o idioma do site ou ativar um gateway internacional. O Guia para Expansão Global de PMEs traz o passo a passo pra virar essa chave e entender como:

  • Testar novos mercados sem precisar abrir novas sedes

  • Contratar talentos globais sem diluir a cultura

  • Lidar com as muitas regulações sem crise

  • Folha de pagamento internacional descomplicada

  • Padronizar a expansão com processos que escalam

Erros no processo são mais comuns do que você imagina, mas a Deel pega na sua mão pra mostrar na prática os melhores caminhos. 

→ Se você sabe que o mundo tá perdendo de não ter sua empresa por aí, baixe o Guia.  

Will Bank virou Won't Bank

Quem acessou o site do will bank nos últimos dias deu de cara com um PDF horrendo do Banco Central declarando a liquidação extrajudicial da fintech.

Quem tentou usar o app da fintech notou que não podia mais fazer transações nem movimentar a conta. Compras, transferências e pagamentos foram bloqueados.

Quem achou que não precisaria pagar a fatura do cartão de crédito e as dívidas feitas antes da liquidação, achou errado – além dos boletos continuarem chegando, podem vir com juros e acompanhados de nome negativado no Serasa

Quem precisa ressarcir os valores depositados nas contas, pode ficar à deriva. Já que a will é uma financeira, não havia conta corrente e sim conta de pagamento pré-paga. Por isso, o ressarcimento não é feito pelo FGC e será feito pelo próprio will bank.

Quem investiu nos CDB+tudo precisam procurar o aplicativo do Fundo Garantidor de Crédito e começar o processo para ressarcir até R$250k investidos.

Quem está contratando, pode e deve acessar a lista de contato dos talentos – que não tiveram culpa nenhuma das trapalhadas do Banco Master – e que agora estão #OpenToWork.

IA

OpenAI: em busca do tesouro perdido

Menos de um mês depois da SoftBank assinar o restante do cheque de US$ 40 bilhões de investimento na OpenAI, o CEO Sam Altman já vestiu o turbante e partiu rumo ao Oriente Médio para tentar convencer os bolsos fundos do petróleo a investir na startup que mais planeja queimar dinheiro na história desse país planeta.

O motivo é $imple$: a startup tem US$ 1,4 trilhão em compromissos financeiros e um fluxo de caixa negativo acumulado de US$ 143 bilhões antes de (talvez) se tornar lucrativa em 2030. Como a receita anual ainda é de US$ 13 bilhões, o restante precisa de outras fontes…

Sam pretende voltar com um cheque de US$ 50 bilhões, batendo o próprio recorde de maior rodada de investimento da história (sua rodada e recorde anterior foi de US$ 40 bilhões). Mesmo se conseguir, o problema da OpenAI não para por aí:

→ Uma galinha só pra muito ovo: algumas das principais rivais (Google e Meta) já possuem outros negócios como fonte de receita e podem financiar o desenvolvimento e segurar a urgência do monetizar por maiores periodos de tempo.

Ovos mais frágeis do que se imagina: suportar ~1 bilhão de usuários com a maioria no tier gratuito demanda muito poder computacional e alto custo. Além de que qualquer melhoria técnica nos modelos demanda investimentos não proporcionais.

Isso quer dizer que a OpenAI vai falir antes que o ChatGPT consiga dizer “você está errado?”? Provavelmente não… Mas a real é que o modelo de negócio precisa se mostrar sustentável mais rápido do que está fazendo OOOUUU em algum momento a independência da OpenAI vai ser colocada em xeque.

PS: os US$ 134 bilhões que Musk está pedindo em indenizações e aguardam a decisão do juri, nem foram contabilizados.

QUICK DROPS

Brasil Adentro

  • Nubank: fechou com a Mercedes e vai se tornar a parceira oficial da escuderia de Fórmula 1 do time para a temporada deste ano.

  • CazéTV: fechou com a Coca-Cola, Adidas, Hellmann’s, iFood, Mercado Livre e YouTube para serem patrocinadores da Casa CazéTV da Copa do Mundo 26.

  • Nagro, a fintech descomplicando o acesso ao crédito para o agro, capta uma rodada Série B de R$ 50 mi, liderada pela Rabo Partnerships.

  • Multiplan, a holding dona de +20 shopping centers em 8 estados do Brasil, sofre ataque hacker em seu app e tem dados de usuários vazados.

STATS

+US$ 100 bilhões

foi quanto o YouTube pagou aos criadores de conteúdo nos últimos 4 anos. O valor pago é maior do que todas as outras plataformas de mídias sociais JUNTAS:

TikTok: tinha um fundo inicial de US$ 1 bi
Instagram: está rodando um experimento sem oficializar há anos
Snapchat: queimou US$ 250 mi e terminou o programa meses depois

Enquanto isso, o YouTube, paga de 20-50x mais por view que qualquer competidor. Um creator recebe de US$ 15- 30 de CPM por lá, enquanto o mesmo conteúdo recebe de US$ 0,50-2 no TikTok.

O efeito cria um ciclo virtuoso: mais pagamentos > melhores criadores > melhores conteúdos > mais espectadores > maior receita de ads > mais pagamentos…

O MrBeast é a prova real: ganha bem > contrata mais equipamentos e times > reinveste nos próprios vídeos > chegou em +450mi assinantes > gera mais visualizações > YouTube mostra mais ads > paga melhor o Mister.

INDIQUE O DROP

Sexta-feira, 6h… A vontade é mudar o status do slack pra “Quem fez, fez”!

Mas já que a demanda é maior que a vontade de sextar mais cedo, aproveita pra indicar o TechDrop pra todo mundo aí na firma. De 7 a 30 de janeiro, quem tiver mais indicações válidas pode levar pra casa um Ray-Ban da Meta, uma Echo Show da Amazon ou um headset da Havit.

M&A

BREX: o exit da fintech de R$ 27,15 bilhões

Um dos maiores deals entre um banco tradicional e uma fintech descolada rolou ontem com o Capital One comprando a Brex por ~R$ 27 bilhões (ou ~US$ 5bi de dólares)!

Esse é o segundo golaço da dupla de founders Henrique Dubugras and Pedro Franceschi antes de completar 30 anos!

O primeiro foi com a pagar.me, uma fintech nacional que atuava como processadora de pagamentos e chegou a processar US$ 1 bi em volume transacional antes de ser adquirida pela Stone

O segundo foi com a Brex, a fintech nascida nos EUA que atua com gestão de gastos, cartões corporativos e soluções bancárias, chegou aos +US$ 500 milhões de receita anual recorrente e agora ganha um novo lar.

O pagamento será feito 50% em ações e 50% em cash, com a expectativa de que Pedro siga como CEO. O deal parece fazer sentido para ambos os lados:

  • A Brex foi uma das primeiras fintechs a integrar (a) cartões de crédito corporativos, (b) software de gestão de gastos e (c) funções de banking no mesmo guarda-chuva, se tornando a queridinha das empresas de tecnologia do Vale e acumulando uma carteira de +30k clientes.

  • A Capital One revelou seu plano de rejuvenescimento já no ano passado quando adquiriu a Discover, maior emissora de cartões de crédito dos EUA por US$ 35 bilhões. Agora gasta 3,5% do seu valor de mercado na compra de uma startup que atende quem não costuma escolher bancos tradicionais.

Ao longo da jornada, a fintech levantou ~US$ 1,2 bilhão em VC com alguns dos maiores nomes da indústria (Greenoaks, IVP, Tiger Global, Y Combinator, Kleiner Perkins, DST Global, Peter Thiel, etc), incluindo duas últimas rodadas a um valuation acima do seu valor de venda:

  • Abril de 2021: quando levantou a um valuation de US$ 7,4 bi

  • Janeiro de 2022: quando levantou a um valuation de US$ 12,3 bi

Depois da pandemia a startup teve que corrigir a rota, cortou 20% da força de trabalho, reduziu a queima de caixa em 50% e pivotou (mudando o público de startups pra grandes empresas).

Funcionou: hoje ela atende +150 empresas de capital aberto como Robinhood, Arm, Wiz, Anthropic, cresceu a receita em ~80% em 2025 e chegou aos ~US$ 700 mi de run rate. Mas, ao invés do plano do IPO, a startup optou pelo EXIT.

CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS

Downround: as rodadas e valuations do Brex

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