
Sextou Droppers, Hoje eu aprendi: que quem trabalha na sede do maior banco do mundo, JP Morgan, pode aproveitar o happy hour sem sair do escritório depois que ele abriu um pub chamado Morgan's — só que o bar já está totalmente lotado e agendado com semanas de antecedência. Antes do chefe acabar com a brincadeira, os bartenders até imprimiam o rosto do CEO Dimon na espuma das cervejas Guinness.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• Toto: de vasos sanitários para chips de memória
• Trending: o maior cluster de IA LATAM é nosso!
• Investimentos Circulares: a gambiarra financeira da OpenAI
• Stats: +7 milhões de Meta Ray-Ban
• Apps: games portáteis com o pé no freio
• Contra Dados Não Há Argumentos: Garmin sobrevivendo às big techs.

CHIPS
Toto: de vasos sanitários para chips de memória

Qualquer empresa que não conseguiu adicionar as duas letrinhas mágicas (IA) em suas ofertas está tendo calafrios e sendo penalizada nos mercados. A fabricante japonesa de vasos sanitários inteligentes, Toto, passava por isso, até ela descobrir que a tecnologia usada nos vasos também pode ajudar na fabricação de chips… e tudo mudou!
Desde os anos 80, a Toto tem uma tecnologia de fixação que usa cerâmica para permanecer estável em temperaturas muito baixas. Sabe o que mais precisa estar preso firmemente? As pastilhas de silício durante a produção de chips de memória NAND.
Foi por uma carta (não solicitada) do investidor ativista, Palliser Capital, chamando a empresa de “beneficiário de memória de IA mais subestimado e negligenciado” que a Toto descobriu que sua expertise em cerâmica de toilets poderia ser usada para fins muito mais lucrativos:
Mercado de privadas inteligentes: US$ 9-10 bilhões
Mercado de cerâmicas para semicondutores: US$ 36-57 bilhões
As ações da Toto já subiram ~60% desde que a empresa descobriu que também pode entrar pra turminha de IA. Mas a Palliser acredita que elas podem subir +55% se souberem aproveitar ainda mais a posição competitiva — já que a concorrência vai levar pelo menos 5 anos para se adaptar — e 5 anos em IA são ~50 anos de cachorro.
PS: a Ajinomoto (sim, dos temperos) também cresce com IA. Desde os anos 70 ela domina ~95% do mercado de isolantes intercamadas para chips com um coproduto do glutamato monossódico.
QUICK DROPS
Mundo Afora
Figma: teve o seu melhor trimestre da história, acelerando a receita em 40% (yoy) e finalizando 2025 com $1.7bi em cash e investimentos.
Visa: está adquirindo as fintechs argentinas Prisma e Newpay da private equity Advent para aumentar sua presença
em canasvieirasna Argentina.Snap: acabou de chegar ao primeiro US$ 1 bilhão em receita anual recorrente (ARR) com assinaturas e agora tem tantos usuários pagantes quanto a ESPN.
Apple: está fechando uma parceria com a IMAX para transmitir corridas de F1 ao vivo nos cinemas do mundo.
Amazon: ultrapassou o Walmart e agora é pela primeira vez a maior empresa do mundo em receita, depois de reportar US$ 716,9 bilhões em 2025.
xAI: que agora também é SpaceX, captou uma última rodadinha pré-IPO com uma empresa do governo saudita, Humain, que investiu US$ 3 bilhões.

O maior cluster de IA da América Latina fica no Brasil!
A Universidade de São Paulo (USP) acaba de inaugurar o maior cluster de inteligência artificial da América Latina, depois de um investimento de R$ 40 milhões na aquisição de 96 GPUs Blackwell B200 da Nvidia — os mais poderosos e de última geração.
Batizado de Jairu (Joint Artificial Intelligence Research Unit) e localizado no Centro de Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina (CIAAM) da universidade, o projeto contou com tecnologia internacional (Nvidia) e hardware nacional (Positivo Servers) além da mão de obra local (Scherm Brasil) para tirar o projeto do papel.
Além do Jairu, também foi apresentado o PocketFab, uma fábrica modular de microprocessadores e semicondutores, o Núcleo de Excelência em Tecnologias Quânticas e a aquisição de uma Ressonância Magnética de 7 Teslas.
#VaiBrasil.
MERCADO
Os deals circulares da OpenAI

Economia Circular costumava descrever produção e consumo sustentáveis (reutilização, reciclagem e reparo). Mas a OpenAI inventou uma versão financeira do termo com os Investimentos Circulares — em que o capital investido volta como receita via compra de produtos/serviços. Funciona mais ou menos assim:
1) Empresa-A investe na Startup-A em troca de equity
2) Startup-A usa esse capital para comprar produtos/serviços da Empresa-A
3) Empresa-A vira investidora e fornecedora da Startup-A
4) Startup-A vira é investida e cliente da Empresa-A
Com a OpenAI em vias de finalizar sua nova rodada de investimentos, essa gambiarra financeira está prestes a ficar US$ 100 bilhões maior, já que:
→ Nvidia deve investir US$ 30 bilhões em troca de equity — mas a grana volta para os cofres com a compra de chips.
→ Amazon deve investir até US$ 50 bilhões em troca de equity — mas a grana volta para os cofres com o uso da AWS (Cloud).
→ Microsoft deve investir outros US$ 10 bilhões em troca de mais equity — e assistir à grana voltando em forma de uso da Azure (Cloud).
→ SoftBank deve investir até US$ 30 bilhões em troca de equity — mas também deve receber um trocado de volta através da Arm (Chips).
Não é ilegal, mas isso não quer dizer que seja sustentável. A mesma OpenAI que planeja gastar US$ 600 bi até 2030 registrou -US$ 5 bi de prejuízo ano passado e deve triplicar o preju neste — que deve virar ~US$ 115 bi nos próximos anos. Lucro? Só em 2029, quando prevê um ARR de US$ 100 bi.
A estratégia até chegar lá, porém, parece ser a mesma de “Se você deve US$ 1 milhão ao banco, o problema é seu. Se você deve US$ 1 trilhão, o problema é do banco”… Ou gastar tanto para crescer a ponto de ser “too big to fail”
QUICK DROPS
Brasil Adentro
Nuvem e IA*: O que 500 líderes de tecnologia da América Latina já sabem sobre o futuro dos negócios? Google Cloud e IDC decifraram as estratégias que estão movendo o mercado hoje. Acesse aqui o estudo 'Horizonte em Foco' e veja o mapa completo.
99, o app de mobilidade, concluiu a captação de R$ 700 mi por meio de um FIDC para ampliar o seu braço financeiro (99Pay).
AgiBank, nem teve tempo de comemorar a chegada ao mercado de capitais e já precisou reportar um incidente com vazamento de dados de 5,3k clientes.
Woovi, a fintech de gestão de pagamentos e recebimentos, relatou que sofreu um ataque Zero Day que afetou alguns clientes.
*Conteúdo de marca parceira
STATS
+7 milhões
de pares de smartglasses Meta Ray-Ban foram vendidos no ano passado — um crescimento expressivo em comparação com 2 milhões desde o lançamento em 2023 até o final de 2024. Traduzindo para dinheiro: +US$ 2,5 bilhões em receita.
Para fins de comparação da escala dessa nova unidade de negócios da “rede social” Meta, a quantidade de unidades vendidas ano passado de produtos populares:
iPhone vendeu ~250 milhões de unidades
Kindle (reader) vendeu entre 3-5 milhões de unidades
Whoop (fitness band) vendeu 1-2 milhões de unidades
Nintendo Switch (videogame) vendeu 18 milhões de unidades
Apple Vision Pro VR (headset) vendeu uns ~200 mil (mil, não milhões)
Agora que a Meta sentiu o gostinho do que é ser dona do hardware, não apenas do software… ela quer mai$. O projeto dos smartwatches que havia sido pausado pela divisão Reality Labs está de volta na esteira de produtos — enquanto os outros players correm para não perderem o trem dos smartglasses.
via The Information
IA
Dropped by AiDrop, a.k.a. nossa news de IA
O carnaval acabou e nesse exato momento, existem 2 tipos de pessoas:
As que voltaram da folia de corpo, mas não de alma;
As que voltaram e em 5 minutos já se atualizaram sobre a avalanche de novidades no mundo de inteligência artificial que rolou durante a folia: seis novos modelos lançados, ferramentas, prompts e até um diagnóstico de SEO.
Essa segunda turma? Leu a edição de ontem do AiDrop. E não é só porque foi carnaval, toda semana é assim: 5 minutos e você já fica sabendo de tudo o que rolou no mundo da IA. Assine o AiDrop for free que você não fica mais de fora (mesmo quando for pra farra).
MOBILE
Apps: games portáteis com o pé no freio

O tempo em que sua avó passava horas plantando e cuidando de animais virtuais pode finalmente estar chegando ao fim. O mercado dos jogos de US$ 0,99, marcado por ícones como o Candy Crush e Angry Birds, está oficialmente estagnado: a receita global cresceu somente 0,2% no ano passado — contra 3% do ano anterior.
→ Downside: a receita cresce menos do que o número de downloads, mas a escolha por opções grátis e menos compras in-app fazem a diferença.
→ Mais-ou-menos-Upside: pequenos avanços em Reino Unido, Alemanha e França só compensam parcialmente quedas em mercados asiáticos de alta monetização, como a Coreia do Sul.
A pesquisa da AppMagic mostra que alguns tipos de jogos estão sofrendo mais do que outros:
Cassino: caíram 7,6% em receita (e 15,8% em downloads).
RPGs: caíram 16,6% em receita (e 9,1% em downloads).
Estratégia: subiram 16% em receita (e 15% em downloads).
O estudo também traz uma informação que não surpreende ninguém que passe pelo menos 10 minutos por dia em redes sociais: mais que a metade dos 100 jogos que mais faturaram usam IA na criação de anúncios para reduzir custos — além de aumentar as variações dos ads para tentar converter espectadores em novos jogadores.
Por falar em IA, o mercado global de apps só cresceu 19% em receita por causa dela. A categoria cresceu 273% em faturamento in-app, puxada pelo ChatGPT (513%). Enquanto jogos, delivery e redes sociais disputam um público cada vez mais saturado, a IA virou o novo atalho direto para o cartão de crédito.
CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS
Garmin: sobrevivendo às big techs

Poucas empresas no mundo teriam força e coragem pra bater de frente com as big techs e ainda sair vitoriosas do outro lado, mas é exatamente essa a história da Garmin. Ontem, a empresa que se reinventa sempre que ameaçada, anunciou o recorde de vendas com US$ 7,3 bilhões no ano passado!
Ao longo dos últimos 18 anos, a empresa conseguiu resistir às batalhas:
GPS: antes do Google lançar os Mapas para Android em 2008, o melhor sistema de GPS de navegação para carros era da Garmin. Mas com todo smartphone com um GPS, a saída foi se reposicionar para o mercado de aviação e náutica — que hoje representa 40% da receita.
Smartwatches: antes do lançamento do Apple Watch em 2014, os relógios inteligentes da Garmin dominavam o mercado. Com a ameaça, a empresa se reposicionou para um nicho premium de atletas de alta performance — que hoje é o maior segmento, com US$ 2,3 bilhões em vendas.
Depois de sobreviver aos golpes das big techs, o valor de mercado da Garmin aumentou mais de 7x desde 2008 e ontem atingiu um valor recorde de US$ 45 bilhões (um salto de ~10%).
DROP LIKE IT'S HOT
[para rir] uma IA que transforma perfis do LinkedIn em músicas.
[para instalar] um guia (em inglês) de instalação do OpenClaw.
[para assistir] a China construiu uma fazenda de peixes/camarão/carangueijos coberta por painéis solares (sistema de duas camadas).
[para admirar] cientistas mapearam 1 mm³ de um cérebro humano — menos que um grão de arroz — e um cosmos microscópico surgiu (dê zoom).

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