Buenos, Dropper!

Hoje eu aprendi: que segundo Musk o gatilho para fundar a OpenAI rolou numa festa, quando ele alertou Larry Page sobre os riscos da IA para a humanidade - e ouviu que estava sendo "especista", priorizando humanos em vez de computadores. Elon saiu da conversa e foi fundar uma organização sem fins lucrativos e de código aberto. O resto é história.

Anthropic, OpenAI e suas joint-ventures

As duas maiores startups de IA em busca dos clientes corp (B2B)

Dominar o mercado de consumidores finais é ótimo para o ego. Mas dominar o mercado de private equity, hedge funds e super bancos é excelente para os bolsos. Os dois maiores labs independentes de IA sabem disso - tanto que ambas anunciaram joint ventures para atacar o mercado trilionário financeiro no mesmo dia.

Empresas diferentes, parceiros diferentes, valuations diferentes mas uma mesma proposta: (1) captar dinheiro de gestoras de ativos para (2) criar canais privilegiados de venda e (3) tornar as empresas do portfólio das parcerias em clientes.

  • Para os labs de IA: é um atalho para trazer mais clientes e aumentar a receita. O produto já vem com o selo de qualidade da investidora e condições especiais para não gerar dúvidas.

  • Para as gestoras de capital: é uma forma de ganhar dos dois lados. Ganham se a investida melhorar performance operacional e financeira com aplicação de IA e ganham pois também se tornam parcialmente fornecedoras.

  • Para as empresas do portfólio: é um jeitinho de conseguir aquela condição especial de preço, forma de pagamento e implementação normalmente reservadas para um seleto grupo de empresas gigantescas.

O pacote contratado não inclui apenas acesso aos modelos e ferramentas de cada startup, mas principalmente aos chamados Forward Deployed Engineers (FDEs): engenheiros alocados ao projeto com objetivo de implementar, treinar e acompanhar a criação e adoção dos produtos de IA - afinal, para cada $1 gasto em software, as empresas gastam $6 em serviços.

O contexto ajuda a entender a urgência:
a OpenAI captou US$ 122 bi em março a um valuation de US$ 852 bi.
a Anthropic está prestes a levantar US$ 50 bi a US$ 900 bi de valuation

Em breve, ambas precisarão dessas mesmas gigantes financeiras para abrir o caminho do IPO, fazer o roadshow com investidores, organizar a papelada e estrear no mercado de capitais - e nada como elas terem um alinhamento de incentivo onde o sucesso de um é a fortuna do outro.

Mundo Afora

  • Governo Americano: fechou com 7 empresas (SpaceX, OpenAI, Google, Nvidia, Reflection AI, Microsoft e AWS) mas não com a Anthropic, para se tornarem fornecedores ilimitados do departamento de defesa guerra

  • Coinbase: está cortando 14% da sua força de trabalho (700 funcionários) e colocando a culpa na volatilidade do mercado e, claro, em IA.

  • Pinterest: come tão quietinha que poderia ser mineira. A rede social trouxe seu primeiro bilhão de receita trimestral e vai demitir 15% da força de trabalho.

  • Apple: não conseguiu decidir e vai deixar os próprios usuários escolherem qual modelo de IA do seu iPhone, iPad e Mac.

  • Anthropic: está assumindo US$ 200 bilhões em compromissos financeiros para comprar chips e cloud do Google nos próximos cinco anos.

Como economizar R$ 45k/mês com infra nacional

Dropped by Locaweb Cloud

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A Demissões Tech

Cortar funcionários e colocar a culpa em inteligência artificial se tornou o novo hype entre as empresas de tecnologia. Nas últimas semanas, seguindo a temporada de resultados trimestrais, algumas delas contaram os planos:

  1. Coinbase: demitiu 700 (~14%) e vai testar times de 1 pessoa, apenas 5 camadas gerenciais abaixo do CEO e sem gestores puros.

  2. Shopify: sem novas contratações, a menos que se prove que a IA não consegue realizar o trabalho.

  3. Block: corte de aproximadamente 4.000 vagas (cerca de 40%). O CEO Dorsey afirma que a IA permite que equipes muito menores façam mais.

  4. Klarna: seu assistente de IA agora realiza um trabalho equivalente a cerca de 700 funções de suporte.

  5. Duolingo: adotou a estratégia "IA first", orientando as equipes a reestruturarem os fluxos de trabalho em torno da IA ​​antes de contratar.

  6. Salesforce: suspendeu novas contratações de engenheiros depois que as ferramentas de IA aumentaram a produtividade dos devs em cerca de 30%.

  7. Amazon: corte de cerca de 16.000 vagas corporativas este ano em uma iniciativa de eficiência/automação.

  8. Meta: corte de aproximadamente 10% da equipe e congelamento de milhares de vagas em aberto, enquanto investe ainda mais em IA.

Cada uma usou uma palavra, mas todas elas quiseram dizer a mesma coisa: uma só pessoa com IA pode fazer o trabalho que costumava exigir um time inteiro. Se as empresas tech forem qualquer indicativo do que está por vir no mercado não-tech… brace yourselves.

Amazon: logística as a service

Amazon Supply Chain Services: logística para tudo, para todos em qualquer lugar.

A maioria das empresas tenta eliminar custos. A Amazon prefere transformá-los em receita.

Tinha gastos enormes com infra → criou a AWS e hoje gera US$ 100 bilhões por ano
Tinha gastos enormes com marketing → criou o Amazon Ads e hoje gera US$ 50 bilhões por ano.
Tinha custos enormes com logística → acaba de criar a Amazon Supply Chain Services, a rede de logística que agora é aberta a qualquer um!

Seguindo o anúncio, as ações das gigantes globais de logísticas imediatamente despencaram (FedEx caiu -9% e a UPS outros -9%) e outras gigantes globais de produtos de consumo correram para entrar na rede de contratantes (P&G, 3M, American Eagle, etc) - mas o maior dos impactos ainda está por vir:

  • Antes da ASCS: as empresas precisam integrar de 6-8 fornecedores diferentes para construir uma cadeia de suprimentos: um corretor de frete, um despachante aduaneiro, um armazém, um centro de distribuição, uma transportadora last-mile.

  • Depois da ASCS: liga para a Amazon Supply Chain Services!

A Amazon construiu uma rede logística verticalmente integrada em uma escala que nenhuma outra empresa do mundo consegue oferecer - e agora qualquer outra empresa do mundo pode contratar.

Adicione nessa equação a busca interminável pela automatização e a Amazon tem todo o seu modelo de negócio, de ponta a ponta, no piloto automático: carros e caminhões autônomos, carregamento e descarregamento com humanoides, armazenamento com robôs, empilhadeiras automatizadas - tudo orquestrado por uma IA que supervisiona o sistema para garantir que não haja falhas.

Brasil Adentro

  • Marketing na era da IA:* A Pós em IA & Marketing da PUCPR prepara líderes marketeiros para usar a IA em automações, hiperpersonalização em tempo real e integração de dados. Aprenda com profissionais do Google, NVIDIA, Netflix e Sapienship. Garanta sua vaga aqui.

  • Dharma AI, a startup carioca desenvolvendo Small Language Models (SLM) fecha rodada de US$ 8 mi e adiciona um late co-founder Umberto Mancebo.

  • Benup, a hrtech de benefícios corporativos fechou uma rodada pré-seed de US$ 3,5 milhões liderada pela Pátria Investimentos.

  • Tasy, o software de gestão hospitalar e prontuário eletrônico da Philips, é adquirido pela gigante de saúde tech brasileira Bionexo por R$ 940 mi.

  • Nubank trouxe o Chief Design Officer do Shopify como novo Diretor de Produto (CPO) do banco digital

*Conteúdo de marca parceira

STATS

R$ 500 milhões

é quanto o primeiro unicórnio de IA da América Latina, a Enter, captou na sua última rodada de investimentos série B, triplicando seu valuation para US$ 1,2 bilhão.

A Enter usa inteligência artificial para estruturar estratégias jurídicas em larga escala - em outras palavras: analisar processos, organizar provas e sugerir caminhos jurídicos usando os modelos de linguagem da OpenAI, Anthropic e Google.

O pitch para convencer o hall da fama dos VCs (Founders Fund, Sequoia, OneVC, Atlantico, Kaszek, Ribbit) a pularem no barco? O Brasil tem 40 milhões de novas ações judiciais por ano, aproximadamente 8x o volume de reclamações de consumidores dos EUA, em uma economia muito menor.

A legaltech foi criada em 2023 e dois anos depois já tinha R$50 milhões em receita anual recorrente (ARR), fruto de uma estratégia de pricing que combina (i) pagamento antecipado para acesso ao sistema e (ii) 30% de taxa de sucesso nas ações.

Computadores flutuantes em alto-mar

A Panthalassa quer colocar seus data centers para flutuar no oceano

Se nem os US$ 700 bilhões que serão investidos em data centers este ano, nem os planos de literalmente enviá-los para o espaço te convenceram da importância deles para as big techs, essa notícia talvez convença: Panthalassa, a startup de data center oceânico movido a ondas!

A ideia ataca três dos principais problemas responsáveis por ~50% dos cancelamentos e atrasos dos projetos planejados do setor:

  • Eletricidade: um único centro de dados pode consumir tanta energia quanto uma cidade pequena (24/7) e poucos países conseguem suportar essa demanda.

  • Permissões: o que por consequência leva à resistência dos órgãos governamentais para as liberações necessárias para construção, com alguns estados banindo por completo novos data centers.

  • Cooling: como os chips consomem muita energia, sofrem de superaquecimento. Resfriar equipamentos pode consumir 5 milhões de galões de água por dia, o mesmo que uma cidade de 50.000 habitantes. A água fria do mar resfria gratuitamente.

Toda essa inovação fez a Panthalassa chegar ao status de unicórnio esta semana, depois de convencer John Doerr (um dos primeiros investidores do Google e da Amazon), Marc Benioff (fundador da Salesforce) e a firma de venture capital de Peter Thiel (Founders Fund), a alocarem US$ 140 milhões na exótica ideia.

CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS

O Takeover Logístico da Amazon

O volume de encomendas nos EUA por transportadora em bilhões de pacotes

Amazon não entrou no jogo da logística… ela já ganhou!

DROP LIKE IT'S HOT

[para fazer pipoca] e acompanhar o que rolou na primeira semana do julgamento Elon Musk versus OpenAI.

[para se inspirar] a história de como a Enter se tornou o primeiro investimento da Sequoia no Brasil em 12 anos.

[para lembrar que tudo é tech] e que até o papel higiênico já foi inovação.

O que achou da edição de hoje?

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