Bom dia, Dropper!

Hoje eu aprendi: que a Universidade Federal de Goiás (UFG) ultrapassou as empresas privadas para ocupar o lugar de maior cliente (de educação) da Nvidia no Brasil. Ao todo, a universidade comprou pelo menos 119 GPUs para formar o Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA‑UFG), com um investimento estimado em +R$25 milhões.

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• Enhanced Games: As Olimpíadas dos Esteróides
• Trending: No Limite versão Corporativa
• Tokenmaxxing versus Tokenminizing
• Stats: $200 bi da Amazon
• Satoshi: a identidade do criador do Bitcoin
• Contra Dados Não Há Argumentos: YouTube Shorts

Dropped pelos humanos Pedro Clivati e Renan Hamann

As Olimpíadas dos Esteróides

Enhanced Games, a healthtech vestida de competição esportiva.

img via Economist

No dia 24 de maio, Las Vegas será o palco da primeira liga esportiva profissional onde atletas não precisam passar por antidoping. Pelo contrário, o Enhanced Games encoraja os atletas a usarem drogas que aumentam o desempenho — para depois vender para quem assiste.

O Enhanced Games foi criado e financiado pelo venture capitalist Peter Thiel e está se tornando uma empresa de capital aberto (via SPAC) avaliada em US$ 1,2 bilhão, mesmo tendo zero de receita e menos de 50 atletas — uma média de US$ 31 milhões para cada.

Não são “jogos mutantes” e nem sem regras. Na Enhanced, todos os atletas são monitorados, compostos são clinicamente aprovados e doses são rastreadas por duas comissões médicas independentes que supervisionam todo o processo. Se seus exames de sangue não forem aprovados, você não compete. Mas os atletas estão liberados para usar de tudo:

(i) peptídeos,
(ii) otimização hormonal,
(iii) expressão gênica,
(iv) protocolos de recuperação que reduzem o tempo de cicatrização pela metade.

Ao contrário do que possa parecer, Peter Thiel não está criando novas Olimpíadas, está criando uma healthtech para o futuro da medicina de desempenho. A listagem mostra três fontes de receita: Medicina de desempenho DTC (direct-to-consumer), serviços de telemedicina e parcerias de marca.

O incentivo para os atletas é brutal: cada recorde mundial que for batido durante os Enhanced Games será premiado com mais de US$ 1 milhão. E só nos treinos já rolou:

→ Atleta batendo recorde mundial de levantamento de peso (182kgs, categoria 88kg)
→ Confirmou o dono do recorde mundial dos 50m livre (20,88s nos jogos (agora no modo “turbo”).

As competições de atletismo, natação e halterofilismo são apenas a vitrine. Os clientes são os espectadores assistindo a recordes mundiais sendo quebrados. E o produto final são os atendimentos médicos respondendo “o que aquele atleta tomou” e vendendo reposição hormonal.

Mundo Afora

  • Meta: lançou o primeiro modelo de IA, Muse Spark, criado depois de colocar Alexandr Wang no comando da divisão de superinteligência.

  • Intel: que na semana passada fechou uma parceria com a Terafab de Elon Musk, agora fechou contrato para fornecer chips para o Google.

  • Grunz: a marca de suplementos esportivos — com creatina em formato de gummy igual da Manu Cit — é adquirida pela Unilever por US$ 1,2 bilhão.

  • Shopify: lançou o AI Tool Kit e agora qualquer loja online no Shopify pode ser gerida pelo Claude Code, Codex, Cursor, VS Code e outros.

Por que os devs estão trocando o dólar pelo real

Dropped by Locaweb Cloud

Cloud computing já é o novo normal. Mas ficar refém de data centers gringos e da variação do dólar é de enlouquecer qualquer dev. O Locaweb Cloud resolveu fazer do jeito brasileiro (que funciona):

  • Nuvem no Brasil: Dados aqui reduzem a latência e dão aquele boost na performance, com 2 zonas de disponibilidade e disaster recovery pronto.

  • Pay-per-use: Sem pagar por servidor ocioso. Só o que você usar, sem estourar o budget.

  • Zero câmbio: Esqueça o IOF e a torcida pro dólar cair.

  • Suporte no seu fuso: Atendimento em PT-BR por quem fala a língua do seu problema.

  • LGPD first: Compliance total com as leis brasileiras, sem adaptações de última hora.

No Limite versão Corporativa

A Plex tem um app gratuito de streaming à la Netflix ou Globoplay e opera de forma completamente remota. Para celebrar o fechamento do ano, investiu US$ 500k e levou seus 120 funcionários para “férias corporativas” em Honduras por uma semana com o tema do reality show Survivor (No Limite).

O que seguiu foi um corporate retreat que nem os roteiristas do The Office conseguiriam replicar:

  • O gerente geral do hotel se demite 3 semanas antes e diz "Desejo-lhe tudo de bom com seu retiro"

  • O chefe de cozinha do hotel se demite 3 dias depois

  • A estrada para o resort não era pavimentada e tinha torres com guardas armados com metralhadoras no caminho #tranqs

  • A comida é péssima e avisaram para não comer salada... O CEO da empresa ignorou e pegou E.Coli já no primeiro dia.

  • Um soldado da Marinha americana foi contratado para treinar a equipe. O resultado? Um desastre com o comentário “Nunca vi um grupo tão despreparado”.

  • O primeiro desafio era comer o que estivesse no prato. Um funcionário levantou a tampa e encontrou uma tarântula morta, comeu e disse “Bem nojento, não vou mentir. Aqueles pelos."

  • Voaram para uma ilha remota para uma das atividades, mas ~20 pessoas ficaram presas durante a noite toda já que o avião monomotor de 8 lugares não conseguiu trazer todos de volta antes de escurecer

Impressionantemente, não houve relatos de funcionários pedindo demissão depois desse presentão da Plex e o CEO ainda afirma que "Você cria laços muito fortes nessas viagens. É como a força vital da empresa”.

Tokenmaxxing versus Tokenminizing

A corrida corporativa por quem consome mais (e menos) tokens.

via NYT

Os tokens se tornaram a unidade de medida padrão da era da inteligência artificial — com alguns dizendo que eles estão para a IA assim como os quilowatt-hora (kWh) estão para a energia elétrica. A prática deliberada de maximizar o consumo de tokens ganhou até nome (e competição): Tokenmaxxing!

Um estudante escrevendo uma redação de ~7500 palavras, contando com as rodadas de revisão, deve consumir algo em torno de 10.000 tokens.

Um engenheiro da OpenAI processou 210 bilhões de tokens somente na última semana, o suficiente para gerar 33 wikipedias.

Um engenheiro da Anthropic usou tanto o Claude Code que sozinho gerou uma conta de consumo de +US$ 150.000 no mês.

Como o que não falta por aí é CEO cobrando seus times de usarem mais e mais IA — com Meta e o Shopify adicionando a quantidade de tokens consumidos nas suas performance reviews —, o movimento tem criado apoiadores e detratores.

  • Os Tokenmaxxers

Os funcionários da Meta entraram na onda e elevaram o jogo a outro patamar com uma competição para eleger “A Lenda Dos Tokens” – um ranking que mede o uso de IA de +85 mil funcionários, mas só apresenta os top 250 (que não incluía Mark Zuckerberg).

  • Os Tokenminimizers

Nem todo mundo comprou essa ideia de que quanto mais IA, melhor. Quase metade dos funcionários da Geração Z admitiram que sabotaram ativamente as estratégias de IA dos seus empregadores.

Apoiador ou detrator, é fato que a quantidade de tokens disponível por funcionário já entrou no pacote de benefícios e sua próxima contratação pode decidir se aceita ou não uma oferta com base em quantos tokens poderá consumir.

O que ninguém ainda respondeu: se o funcionário que consome mais tokens entrega mais resultadoou só gera mais custo com a ilusão de produtividade. Por enquanto, as empresas estão apostando na primeira hipótese.

Brasil Adentro

  • Panorama Finance 2026*: o jogo ficou mais complexo, e mais caro errar. O estudo da Blip mostra como conversas se tornaram cada vez mais sobre estratégia financeira, e menos sobre chatbot. Aquisição, suporte, cobrança: tudo passa por ali. E o que você precisa fazer agora, tem no report completo baixando aqui.

  • ConCrédito, a fintech do crédito consignado privado, capta um FIDC de R$ 100 milhões.

  • Lauduz, a healthtech que desenvolveu um telekit — uma maleta capaz de realizar exames físicos completos à distância, capta R$ 5 mi com a Quartzo.

  • Digi+ o banco controlado pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da Rede Record de TV, fecha acordo para ser comprado pelo BTG Pactual.

  • Nubank: comprou os naming rights do Palestra Itália Parque Antárctica Allianz Parque estádio do Palmeiras.

*Conteúdo de marca parceira

STATS

US$ 200 bilhões

É quanto a Amazon vai gastar neste ano com Capex neste ano. Para a surpresa de ninguém, a grande maioria desses muitos zeros vai para infraestrutura de IA.

Mas não para por aí. Na carta anual aos acionistas, o CEO Andy Jassy contou que:

  • A receita anual da AWS ultrapassa US$ 142 bi.

  • O Projeto Leo já possui mais de 200 satélites em órbita antes do lançamento.

  • Mais de 1 milhão de robôs implantados nos centros de distribuição.

  • Mais de US$ 4 bilhões destinados à expansão de entregas em áreas rurais.

  • As vendas brutas de supermercado ultrapassaram US$ 150 bilhões em 2025.

Além disso, apesar de ainda ser vista pela maioria como um e-commerce, a Amazon mostra que é cada vez mais uma empresa de IA:
(i) a AWS, a receita anualizada com IA já atingiu US$ 15 bilhões;
(ii) o negócio de chips próprios, como Graviton e Trainium, supera US$ 20 bilhões ao ano e cresce em ritmo de triplo dígito.
(iii) é uma das maiores investidoras da Anthropic com 22% de equity.
(iv) recentemente se tornou uma das maiores acionistas da OpenAI com ~6%.

As ações dispararam +5% com a publicação da carta e a Amazon adicionou +US$ 133 bilhões de valor de mercado em um dia!

via Amazon

O ponto de encontro obrigatório das startups brasileiras

Dropped by Startup Summit

Passageiro: sua startup
Destino: o futuro!
Parada obrigatória: Florianópolis.

Entre os dias 26 e 28 de agosto acontece o Startup Summit 2026, que vai reunir 32 mil participantes (10 mil presenciais + 22 mil online) e 247 palestrantes em 10 palcos. Para os empreendedores, 152 fundos e aceleradoras estarão no evento prontos para apertar a mão de quem tiver ideias inovadoras. Clique aqui pra garantir seu ingresso com 20% de desconto!

Quem é Satoshi? 

O NYT acredita que finalmente descobriu quem é o criador do Bitcoin

img via cridutrol

Um dos maiores mistérios da sociedade moderna era o nome real de Satoshi Nakamoto, o criador do Bitcoin que gerou uma indústria de US$ 1,4 trilhão, mas teve a identidade mais protegida que mil camadas de blockchain criptografadas. Até essa semana, quando o NYT supostamente revelou que Satoshi é…

Adam Back, 55 anos. Um criptógrafo britânico, cientista da computação e autodenominado cypherpunk. Antes mesmo do paper do Bitcoin, ele inventou o Hashcash em 1997, um sistema de prova de trabalho (proof-of-work) que inspirou o mecanismo de mineração do BTC.

Atualmente Adam atua como CEO e cofundador da Blockstream, empresa de infraestrutura para Bitcoin.

Adam já negou ser Satoshi, como seria esperado que Satoshi realmente faria. Mas a investigação tem bons argumentos para provar o contrário

  • A análise escaneou +34.000 usuários participantes de pelo menos 3 listas de emails sobre criptografia e +134.000 posts — que viraram 620 após filtros sobre dinheiro digital.

  • Adicionou uma camada de comparação que analisava estilo de escrita (britânica versus americana, erros de ortografia, padrão de escrita, termos obscuros e quase nunca utilizados).

  • Chegou ao nome de Adam Back. Ele negou, mas sem querer deslizou para primeira pessoa ao responder sobre uma das frases de Satoshi.

  • Décadas antes da publicação do paper que deu origem ao Bitcoin, Adam foi responsável pela criação e documentação de basicamente todos os principais conceitos por trás da tecnologia na lista de emails da Cypherpunk.

  • Durante os períodos que Satoshi estava presente se comunicando na lista de emails, Adam desaparecia. Quando Satoshi sumia, quem participava era Adam.

Se Adam é Satoshi. Se Satoshi é um grupo de pessoas… ainda não é possível bater o martelo. Mas essa é, provavelmente, a investigação mais metódica e baseada em evidências já publicada sobre Nakamoto.

PS: o nome foi revelado por John Carreyrou, mesmo jornalista que denunciou a fraude da Theranos, que levou Elizabeth Holmes e Sunny Balwani à prisão.

PS2: se Back for mesmo Satoshi, ele tem cerca de 1 milhão de BTC (~US$ 72 bilhões).

CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS

O monopólio do YouTube Shorts

2 bilhões de pessoas assistindo shorts todos os dias

via Qualtrim

Depois de dar um control+C / control+V na estratégia de vídeos curtos do TikTok e do Instagram, o YouTube comemorou os primeiros 2 bilhões de usuários ativos diários no Shorts — o dobro do número de visualizações diárias do TikTok.

Somente no último trimestre, a vertical de anúncios do YouTube trouxe US$ 40,4 bilhões em receita. Para fins de comparação:

  • ~8x mais que a Hulu (~US$ 5,2 bi), a segunda maior plataforma de streaming por receita publicitária

  • ~8x mais que a Netflix nos EUA (~US$ 4,8 bi), mesmo com o crescimento acelerado pós-tier com ads.

  • ~16x mais que o Amazon Prime Video em ads de vídeo standalone (~US$ 2-3 bi estimados).

Apesar da comparação, o maior concorrente do YouTube não são os apps de streaming que cobram por assinatura, é a TV Aberta. No ano passado, o streaming ficou com 38% do investimento total em TV Ads, mais que o dobro de dois anos atrás.

DROP LIKE IT'S HOT

[para admirar] a Sphere de Las Vegas foi transformada na Lua para homenagear a missão Artemis II (que volta hoje).

[para relembrar] a história da (provavelmente) foto mais vista da história… aquele wallpaper do Windows XP.

[para bater palma] a nova campanha publicitária da Coca-Cola usando Emojis

[para malhar] esse app que limita seu tempo de tela, a menos que você pague flexões.

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