
Bom dia, Dropper!
Hoje eu aprendi: que depois do desastroso lançamento do seu primeiro carro elétrico, Luce, a Ferrari demitiu o seu diretor de marketing Enrico Galliera - com 16 anos de casa. No lugar dele vem Massimiliano Di Silvestre, que carrega junto mais de duas décadas de BMW.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• Eli Lilly: a AppStore dos Cientistas
• Trending: Datacenters que não bebem água
• Meta: o novo acquihired do WhatsApp
• Stats: $26bi do Prime Day
• AppsFlyer: está voando!
• Contra Dados Não Há Argumentos: Robôs vs Humanos

Eli Lilly: do Mounjaro à IA cientista
Os planos da farmacêutica Eli Lilly para criar uma “AppStore” para cientistas

Enquanto os clientes da Eli Lilly perdem quilos, a fabricante da Mounjaro ganha bilhões e já até passou do US$ 1 trilhão em valor de mercado. Agora, a farmacêutica quer aproveitar os US$ 7 bilhões de reserva para criar uma loja de apps para ajudar biotechs a descobrirem novos medicamentos.
Apostando no futuro onde IA é utilizada para criar novas drogas, a Lilly pegou ~20 anos de dados internos e treinou modelos de IA. A soma de +500 mil moléculas e +US$ 1 bilhão investidos resultou em 18 modelos proprietários: uns prevendo propriedades de moléculas pequenas, outros avaliando anticorpos.
A AppStore dos cientistas, chamada de TuneLab, já tem +100 biotechs participando. Mas em vez de baixar aplicativos, a lojinha funciona assim:
As biotechs ganham acesso a um datacenter (poder computacional) e a modelos especializados (IA) no segmento da saúde.
A Eli Lilly ganha acesso aos dados utilizados pelas biotechs para treinar mais modelos mais inteligentes.
Não há troca de equity, não há investimento financeiro, apenas uma evolução conjunta que a Eli está chamando de federated learning (aprendizado federado)… mas isso vai além:
→ Flywheel: um monte de startups alimentando modelos com dados fresquinhos gera modelos melhores e vantagem escalável.
→ Radar de M&A: a empresa anunciou 11 aquisições só no ano passado. O laboratório funciona como um peneirão do que está dando certo e merece mais atenção.
→ Infraestrutura: se todas as biotechs trabalhando no desenvolvimento de novos medicamentos estiverem usando o modelo da Lilly, a inteligência artificial se torna defesa competitiva.
O moat das farmacêuticas costuma ser as patentes. Mas em um mundo onde qualquer um pode usar IA para desenvolver um medicamento sob medida para o seu caso… o maior moat pode estar na inteligência.
Mundo Afora
Meta: lançou duas versões baratex dos seus óculos inteligentes, Adventurer e Fury, com câmeras, fones, microfones por US$299 (lá fora).
Meta (2): está preparando um app de apostas previsões, mas que inicialmente não vai lidar com dinheiro de verdade.
Oracle: admitiu que para pagar as contas dos investimentos em inteligência artificial (datacenters), teve que demitir 21.000 funcionários.
Ethereum Foundation: a empresa por trás da segunda maior criptomoeda do mundo, está reduzindo sua equipe em 20% (demitindo 54 funcionários).
SpaceX: acabou de captar US$ 85,7 bilhões no maior IPO da história e levantou outros US$20bi emitindo títulos de dívida de longo prazo
Google: está de malas prontas para Hollywood depois de um investimento de US$ 75 milhões no estúdio de filmes A24.
Walmart: acaba de adquirir a plataforma de anúncios em Smart TVs Vibe.co por valor não revelado.
LastPass: confirmou que uma falha de segurança permitiu que hackers acessassem dados sensíveis de usuários.
EUA: Trump assinou ordens executivas para acelerar o desenvolvimento de PCs quânticos no país.
Ouviram do Ipiranga com graves plácidos!

A Copa Drops é a competição para elevar o QI da internet e descobrir qual é a empresa mais Dropper do Brasil! Chame seus colegas para essa disputa.
Nessa semana, cada indicação vale uma chance no sorteio do fone Beats Solo 4. E nem precisa de um heroico brado, porque uma mensagem já resolve!

Os Datacenters que não bebem água
Ao mesmo tempo que os datacenters se tornaram os protagonistas da corrida da IA, também ocupam o papel de vilão quando o assunto é meio ambiente - dado o tanto de água que esses monstrinhos consomem. Mas a Nvidia tem uma solução que promete fechar essa torneira e acabar com o debate de uma vez por todas:
Datacenter convencional: funciona com resfriamento por ar e torres de evaporação, consumindo milhões de galões de água por ano e gerando ruídos que exigem protetores auriculares. Nesse formato, até 40% da energia vai só para resfriamento.
Datacenter Nvidia Rubin (DSX): a refrigeração é 100% líquida, sem fan ou corredores de ar, fazendo com que o consumo de água se aproxime de zero (loop fechado, sem evaporação) ao usar dry coolers externos como radiadores gigantes.
O líquido que resfria os chips entra nos servidores a 45°C (mais quente que uma banheira de hidromassagem), absorve o calor e sai a ~55°C, voltando para o loop sem consumir uma gota nova de água.
Quanto mais quente o líquido, mais eficiente o sistema. Cada grau a mais no refrigerador corta ~4% do custo de energia de resfriamento. Os números que fecham o argumento:
Água consumida: de 2,6 milhões de galões/MW/ano → zero
Economia anual: US$ 4 mi+ por datacenter de 50 MW
Participação do resfriamento na conta de energia
Calor residual reaproveitado para aquecer prédios
Um problema a menos para os hyperscalers, mas ainda tem muitos pela frente: licenciamento, regulação, localização, financiamento, estética, energia, tributação, supply chain e mais…
→ Esse ad da Polaroid te convidando a dar um mergulho antes dos datacenters beberem tudo.
O novo acquihired do WhatsApp
Meta está pagando US$ 900 milhões pela CRED + seu fundador

Depois de sete anos no comando de um app usado por + 3 bilhões de pessoas, Will Cathcart deixou de ser adm e saiu do grupo “C-Levels do WhatsApp”. Ele dá lugar a Kunal Shah, que assume a chefia da divisão depois de a Meta investir US$ 900 milhões por 20% da sua fintech CRED.
As big techs pararam de comprar empresas e agora compram founders
O investimento de ~US$ 1 bilhão não dá à Meta assento no conselho, poder de decisão e nem acesso a dados. Ele é um cheque disfarçado de oferta de emprego para Kunal Shah, o fundador da CRED que deixa a Índia para comandar o WhatsApp para o mundo todo na Califórnia.
Mais do que um especialista em tecnologia, a Meta trouxe para casa um especialista em mercados emergentes que também são os maiores do WhatsApp:
Índia entre ~536–854 milhões de usuários
Brasil entre ~124–148 milhões de usuários
Indonésia entre ~94–112 milhões de usuários
A Meta conseguiu fazer o WhatsApp se tornar o mensageiro mais usado nos países em desenvolvimento, mas não conseguiu repetir o sucesso na missão de transformá-lo em um superapp de finanças - e segue com menos de 1% do share de pagamentos online nesses países.
Mais do que uma ficha técnica, a Meta está adquirindo o conhecimento:
→ WhatsApp se beneficia de um líder com conhecimento e domínio do produto e dos mercados locais.
→ Meta ganha a chance de finalmente conseguir monetizar um dos produtos mais utilizados da família de apps
→ Usuários devem ganhar mais funcionalidades e uma integração com menos atrito ao ecossistema de pagamentos de cada país.
Abrir a carteira dessa forma é mais uma prova recente de que a Meta está mesmo olhando para fora dos EUA na hora de buscar por novas fontes de receita. A primeira é o investimento em outra fintech indiana chamada Jio Platforms - que está de malas prontas para o IPO.
Brasil Adentro
Telecardio, a primeira empresa de telediagnósticos médicos no Brasil, desde 1993, é adquirida pelo Search fund Nosara por R$ 50 milhões.
Brasil anunciou que vai aumentar a taxa de importação de carros elétricos de 14% para até 35% em 2027.
SoftBank está mudando o comandante da operação latino-americana com a saída de Alex Szapiro para a entrada de Juan Franck.
STATS
US$ 26,6 bilhões
é quanto a Amazon espera vender durante o Prime Day deste ano, um crescimento de 9% do ano passado. Em 2015, quando começou com a tradição promoção, a Amazon tinha 40 milhões de assinantes Prime. Mais de uma década depois e hoje são 200 milhões de Prime Members.
2026: US$ 26,3 bilhões
2025: US$ 24,1 bilhões
2024: US$ 14,2 bilhões
2023: US$ 12,7 bilhões
2022: US$ 12,0 bilhões
2021: US$ 11,0 bilhões
2020: US$ 10,4 bilhões
2019: US$ 7,2 bilhões
2018: US$ 4,2 bilhões
2017: US$ 2,4 bilhões
2016: US$ 1,5 bilhão
2015: US$ 900 milhões
via Yahoo Finance
AppsFlyer está voando!
Google, Meta, Unity e Moloco estão investindo US$ 1 bilhão na AppsFlyer

Quando quatro dos maiores players do mundo dos anúncios digitais se juntam para comprar um pedacinho minoritário de uma empresa ao mesmo tempo, é um sinal de que tem cachorro nesse mato e caroço nesse angu.
AppsFlyer é uma empresa de mensuração de performance de mídia paga, até então independente, que oferece métricas omnichannel em dispositivos móveis, na web e em TVs conectadas, além de links diretos e colaboração de dados.
Mais do que um interesse financeiro, as big techs que controlam os ads querem se certificar que a AppsFlyer continue independente e não caia nas mãos erradas.
Por quê? Porque os dados de mensuração alimentam os mecanismos de lances com IA das big techs, que querem garantir a independência dos dados
Como? Melhores sinais de atribuição tornam os algoritmos mais inteligentes e se traduzem em maior receita publicitária para elas.
Quem? Em vez de um único proprietário que não presta contas aos clientes, eles têm 4 acionistas minoritários com um valuation de US$ 2,7 bilhões.
Adjust, Singular, Branch e outros concorrentes ficaram de fora de um deal que girou em torno de uma só palavra: Neutralidade. Já que a plataforma se tornou uma peça central dos fluxos de trabalho de mensuração do ecossistema de apps, se manter independente é um serviço essencial para as big techs.
CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS
Humanos versus Robôs
A quantidade de funcionários robôs da Figure passou a de humanos pela primeira vez

As previsões (mais otimistas) são de que o número de robôs humanoides chegue a alguns bilhões até a década de 2040-2050.
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