Buenos dias, Dropper! Hoje eu aprendi: que Jeff Bezos quis proteger sua mansão de US$ 175 milhões com cercas muito mais altas do que a legislação de Los Angeles permite. Ele poderia diminuir ou pagar multas todos os meses… e estar no top 5 de pessoas mais ricas do mundo não deixou dúvidas: Jeffinho mandou um “I'm fine with the fines”.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• Apple: abrindo as portas da Siri
• Trending: a culpa é das estrelas redes sociais
• Reflect Orbital: a startup de Sun as Service
• Stats: US$ 9 trilhões
• OpenAI: de mal a pior
• Contra Dados Não Há Argumentos: palavras de humanos X palavras de IA

A tacada de mestre da Apple
Transformando a Siri na interface de todo e qualquer chatbot de IA.

Desde que o primeiro chatbot de IA (ChatGPT) chegou ao mercado, todas as outras big techs correram para desenvolver um rival à altura, menos uma delas: a Apple — que parecia estar dormindo quando na verdade estava jogando. Ao que tudo indica, a Siri vai abrir as portas para todo e qualquer LLM.
Funcionará assim: um sistema de extensões para a Siri permitirá que qualquer chatbot de IA se integre diretamente com a Siri no iPhone, iPad e Mac.
ChatGPT da OpenAI? Ok. Gemini do Google? Ok. Claude da Anthropic? Ok. Alexa da Amazon? Ok. Llama da Meta? Ok. Grok da xAI? Ok
Você decide qual LLM irá abastecer sua assistente virtual que, depois de 15 anos do lançamento, finalmente ficará inteligente.
Em outras palavras, mesmo sem nunca ter usado sua gigantesca quantidade de dados para desenvolver o próprio LLM e nem alocado centenas de bilhões de dólares em Capex, a Apple pode se tornar a principal interface de interação entre usuários e agentes/chatbots:
Para as startups de IA: não tem como ficar de fora. Com 2,5 bilhões de clientes, a Apple é o canhão de distribuição que toda e qualquer startup sempre sonhou. Inclusive para a Anthropic, que estava ficando pra trás no mercado B2C.
Para a própria Apple: além de ser um atalho para não ficar de fora da festa da inteligência artificial, é também uma significativa fonte de receita, já que a empresa cobra ~30% de todas as transações realizadas via AppStore.
A nova estratégia também elimina a necessidade de acordos de integração específicos — como o do ChatGPT, que tinha exclusividade dentro dos softwares iOS. Isso significa que a empresa pode adicionar serviços externos de IA mais rapidamente (sem integrações nativas) e expandir o uso nos seus sistemas sem sentar na mesa de negociação.
PS: a mesma Apple acabou de lançar o MacBook Neo e você pode concorrer a um deles só por indicar o TechDrop. Pega seu link aqui.
Mundo Afora
Hardware: depois de o Google mostrar um novo algoritmo de compressão para modelos de IA usarem menos memória, as ações das fabricantes de módulos DRAM caíram em bloco.
Google: está lançando o modo de buscas com IA ao vivo globalmente — e agora você também pode apontar o celular e fazer perguntas contextuais.
Anthropic: ganhou a primeira batalha na Justiça americana e teve o ban do governo temporariamente suspenso — depois de se recusar a dar o Claude sem limites para o Pentágono.
Meta: ampliou os investimentos em um data center a ser construído no Texas. Sai o projeto de US$ 1,5 bilhão, entra um novo de US$ 10 bilhões.
O ponto comum das empresas que travam com IA
Dropped by MATH
Grandes empresas ainda travam por um ponto em comum: quando cada área interpreta o negócio de um jeito, a execução vira negociação. Isso consome tempo, energia e velocidade. Não é lentidão. É má decisão em escala.
Sem sistema, a decisão vira disputa de interpretação, e a IA só aumenta esse abismo. Mas pra resolver, já tem hora e lugar. Anota aí:
No dia 08/04 às 9h, o Marcel Ghiraldini – CSO da MATH ensina um modelo para tratar o negócio como sistema e estruturar decisões, definir sinais e operar IA para gerar resultado real. 👉 Faça sua inscrição 0800 aqui.
P.S.: Pra quem não quer esperar quer se adiantar, o Especial Visão Sistêmica no DoTheMATH: traz como operar decisões em ambientes complexos com método e governança. Ouça o podcast aqui.

A culpa é das estrelas redes sociais
Um júri em Los Angeles bateu o martelo declarando: Instagram e YouTube são feitos para ser viciantes e negligentes com a saúde mental de crianças e adolescentes. E com isso Meta e Google vão ter que pagar US$ 6 milhões para uma menor de idade que desenvolveu dismorfia corporal e depressão.
Essa é a primeira vez que um júri aceita o argumento de que o problema está no produto (scroll infinito, autoplay, algoritmo viciante) e não no conteúdo. Aí as features viram risco legal. A Meta diz que só o Instagram não poderia causar tudo isso e o Google diz que o YouTube não é rede social — as duas vão recorrer.
Em outro tribunal e num caso “dono vs anunciantes”, uma juíza federal dos EUA disse que Elon Musk e o X não têm evidências de que os anunciantes agiram de forma conspiratória para criar um boicote na rede social em 2022.
O homem mais rico do mundo alega que a empresa perdeu bilhões em receita logo que ele assumiu o controle — quando afrouxou regras de moderação e reativou milhares de contas banidas. Mas segundo a juíza, os anunciantes têm esse direito garantido.
Sun as a Service
A startup vendendo luz do sol até a noite por assinatura

Precisando de um solzinho pra acelerar o bronze ou secar roupa? Em breve você vai poder encomendar 5 minutos de luz solar exatamente onde você está. Pelo menos é o que promete a Reflector Orbital, uma startup lançando 4 mil satélites no espaço prontos para refletir o Sol a qualquer momento, em qualquer lugar que o cliente pedir.
O CEO Ben Nowack (ex-SpaceX) promete que o tempo de ativação de cada pedido será de apenas 30 segundos, a qualquer hora do dia e por “apenas” alguns milhares de dólares.
Como? Cada um dos 4 mil satélites pode ser controlado rapidamente para mirar um espelho na angulação exata entre o Sol e o ponto desejado, iluminando um raio de 5 km.
Por quê? A ideia de ter um Sol extra no churrasco é legal, mas o que a startup quer é atender a fazendas solares, iluminações emergenciais em casos de desastres, agricultura, operações militares…
Para quem? A startup afirma que já tem uma lista de espera com +150.000 interessados em 57 países (alguns deles com pouco sol).
O roadmap é bem preciso: lançar dois satélites este ano, lançar 36 satélites ano que vem e chegar em 2035 com 50k satélites em órbita — o que seria 5x o número de Starlinks orbitando o planeta atualmente, algo que os astrônomos deram unlike.
Se tem louco para construir e louco para consumir, também tem para investir. A startup fechou uma rodada de US$ 28 milhões com a Sequoia (+ Lux Capital e exército dos EUA) e aguarda as aprovações para decolar. Quando passar da fase de testes e oferecer o “daylight at anytime” em 2030, a Reflector promete ser a primeira empresa de Sun as a Service da história.
PS: um vídeo que simula como vai ser o serviço na vida real.
PS2: a Rússia tentou fazer isso em 1993 com o Znamya 2, mas os testes não foram promissores e o projeto foi abandonado.
Brasil Adentro
Carreira anti-frágil*: Se a ideia de ser substituído por uma IA (ou por alguém que sabe usar) já passou pela sua cabeça, mas não sabe por onde começar: calma, dá pra virar o jogo. A TripleTen, uma das principais escolas tech dos EUA, tem formações intensivas e MBA no Brasil e te dá uma consultoria de carreira gratuita. Agende aqui!
Piauí,
a startupo estado brasileiro anunciou que está lançando o seu próprio LLM de IA, o SoberanIA 1, desenvolvido em parceria com a Serpro.Modular, a startup fabricando data centers modulares sob medida, captou uma rodada de R$ 232,5 milhões com o BNDES.
Boreal, a fintech dos provedores de internet residencial, captou uma rodada de R$ 15 milhões com a SRM Ventures.
UnblockPay, a fintech de pagamentos internacionais via stablecoins, captou uma rodada seed de US$ 4,5 milhões liderada pela Prelude.
Mevo, a startup de prescrição digital de medicamentos e exames, capta rodada extensão da série B de R$ 95 milhões liderada pela Prosus.
*Conteúdo de marca parceira
STATS
US$ 9 trilhões
é o valor de mercado que a Meta quer alcançar nos próximos anos. Pela primeira vez desde que se tornou uma empresa de capital aberto, a Meta decidiu lançar um pacote de compensação para sua liderança ancorado no seu valuation — e não economizou nos zeros do cheque.
Para chegar lá, a empresa de Zuck precisa crescer 6x, o que significa um crescimento de 45% ao ano, por cinco anos consecutivos. Para fins de comparação, o índice das 500 maiores empresas do mundo (S&P 500), retorna em média 10% ao ano.
Para compararmos, o valuation da maior empresa do mundo hoje, Nvidia, é de US$ 4,3 trilhões. A segunda maior é a Apple, com US$ 3,8 trilhões. A meta da Meta é maior que as duas juntas e ultrapassa o PIB de todos os países do planeta — exceto dos Estados Unidos e da China.
Quem topou o desafio?
o CTO, Andrew Bosworth
o CPO, Chris Cox
a CFO, Susan Li
o COO, Javier Olivan
o CLO, C.J. Mahoney
a Presidente, Dina Powell McCormicko CEO, Mark Zuckerberg (já tem uma fortuna pessoal de +US$ 200 bi e ficou de fora).
Quando a IA responde, sua marca aparece?
Dropped by HubSpot
O jogo mudou: tráfego orgânico caiu, ranking de palavra-chave virou item de museu e a descoberta saiu da prateleira dos buscadores e foi parar dentro das respostas da IA. E a pergunta mais valiosa é: sua marca continua aparecendo?
Sai SEO, entra AEO. Answer Engine Optimization: otimizar pra ser citado, ser fonte da IA.
O novo critério de autoridade não é mais domínio, é legibilidade. A HubSpot lançou um Diagnóstico AEO pra mostrar onde você aparece — ou some. Faça o diagnóstico gratuito aqui.
OpenAI de Mal a Pior
O sinônimo de IA perdeu o ritmo e pode ver sonho do IPO ficar mais longe

A OpenAI conseguiu transformar o ChatGPT em sinônimo de inteligência artificial para muita gente. Mas estar na boca do povo não quer dizer que está tudo bem. Julgando pelas últimas semanas da startup, o clima não está nada bom:
→ Criou um modelo text-to-video, lançou o Sora e fechou com a Disney.
🚩 Matou o projeto 100 dias depois.
→ Fechou um contrato de bilhões (com SoftBank e Oracle) para construir Stargate.
🚩 Cancelado 1 ano depois.
→ Subiu ao palco dizendo que Ads seriam o último recurso do ChatGPT.
🚩 Anunciou Ads 16 meses depois.
→ Lançou a funcionalidade de compras no app.
🚩 Cancelou.
→ Prometeu o primeiro device (hardware) ainda este ano.
🚩 Adiado para ano que vem.
→ Fechou um contrato de exclusividade com a Apple.
🚩 Perdeu a exclusividade.
→ Anunciou uma versão “adulta” do ChatGPT.
🚩 Colocou o projeto em espera indefinida
Ao mesmo tempo que a startup tem quase 1 bilhão de users e lidera o mercado B2C com certa folga, a startup ainda patina em soluções B2B (onde mora a grana) e agora busca investidores para colocar mais US$ 10 bi no caixa — para aumentar o poder computacional e acelerar em funções mais competitivas no setor.
Em documento oficial, a OAI até admite que depender da Microsoft pode ser um grande risco para o negócio — sem falar na demanda por infra, estrutura societária e ações na justiça. Até que tudo se resolva, o IPO previsto para o final deste ano pode até ser adiado.
Tudo isso enquanto vê a galera chamar o CEO de “Scam” Altman, a Anthropic voar alto com Code e Cowork e ainda sem saber de onde vai tirar a grana pra pagar tudo o que já assinou de compromisso para os próximos anos (coisa pouca, meros US$ 665 bilhões até 2030). Sem happy hour nessa sexta por lá.
PS: o projeto piloto de colocar ads no ChatGPT Go e Free já colocou US$ 100 milhões na linha de receita anual recorrente.
CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS
Quantidade de palavras escritas anualmente
Comparando a produção humana de texto ao longo de 500 anos com a produção da IA

via ARK
Nós (seres humanos) levamos +500 anos de evolução (de 1500 até 2022) para crescer de ~4 trilhões para ~5 trilhões de palavras escritas por ano.
Ela (inteligência artificial) chegou no pedaço em 2023 e levou menos de um ano para nos ultrapassar.
Em outras palavras, a velocidade relativa de produção no pico projetado da IA vs. pico humano é de ~10.000.000×. Ou seja, mais palavras por ano que toda a humanidade em 2020.
PS: o eixo Y é logarítmico — isso significa que o salto da IA não é "um pouco maior", é da ordem de milhões de vezes maior em velocidade de produção. Cada linha horizontal do gráfico representa multiplicar por 10, então visualmente parece pequeno, mas numericamente é colossal.
Drop Like It's Hot
[para admirar] a divisão entre as dunas e a floresta nos Lençóis Maranhenses.
[para não dizer que é bruxaria] como realmente funciona o Shazam
[para relembrar] um perfil no X para você gastar horas lembrando de jogos retrô
[para entender] por que a comida no aeroporto é tão cara? (em inglês)

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