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Era para ser um final de semana qualquer, mas os últimos dias se tornaram marcos históricos em muitos sentidos: maior rodada da história, maior operação militar dos EUA desde o Iraque, ataque cibernético, cloud vítima de guerra e uma empresa de IA que foi transformada em arma, banida e celebrada…

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• GPT x Claude: IA fugindo da guerra e a IA indo para guerra
• Trending: AWS atingida na guerra
• Anthropic: passo a passo para chegar em #1
• Stats: US$ 529 milhões na Polymarket
• OpenAI: lotando o cofrinho com US$ 110 bi
• Contra Dados Não Há Argumentos: o round da OpenAI vs outras

Dropped pelos humanos Pedro Clivati e Renan Hamann
GEOPOLÍTICA

IA fugindo da guerra e IA indo para guerra

As duas principais startups de IA do mundo, OpenAI e Anthropic, passaram o final de semana em guerra, literalmente.

Contexto: desde 2024 a IA oficial do Pentágono foi o Claude da Anthropic, mas com alguns guardrails de segurança. Só que agora o Departamento de Guerra “pediu” uma versão sem limites que possa ser usada pra: (I) vigilância em massa de cidadãos americanos e (II) armas totalmente autônomas. A startup não curtiu.

A Anthropic de Dario Amodei tinha até sábado pra descer do muro. E aí começou o rolo:

  • de manhã: Amodei disse um NÃO em letras garrafais ao maior complexo militar do planeta e se recusou a ceder às exigências do cliente em “prol da segurança do mundo”!

  • de tarde: Sam Altman (OpenAI) manifestou apoio ao concorrente: “Apesar das divergências com a Anthropic, confio bastante neles e acho que eles realmente se importam com segurança”. Funcionários do Google e da OpenAI assinaram a carta pública “Não seremos divididos” em apoio.

  • de noite: o presidente Trump cancelou o deal de US$ 200 mi com a Anthropic, proibiu a startup de trabalhar com agências federais e a classificou como “risco da cadeia de suprimentos" — o que impede todo e qualquer contratado/fornecedor/parceiro (cerca de 60k empresas) de trabalhar com ela.

  • de madrugada: Sam Altman mudou de ideia, apresentou uma proposta que atendia aos desejos do Departamento (IA sem barreiras, rodando na nuvem privada do Pentágono) e fechou um acordo substituindo a concorrente.

Para a Anthropic, que se torna a primeira empresa americana a entrar no grupo antes reservado a empresas russas e chinesas, o contrato de US$ 200 mi representava só 1,4% da receita de US$ 14 bilhões anuais. O problema é que agora outros clientes têm que reavaliar a relação com a startup — que tem na lista de clientes 8 das 10 maiores empresas do país e muitas com contratos militares.

Para a OpenAI, o contrato de US$ 200 mi não move tanto o ponteiro da receita (US$ 20 bilhões), mas muda a relação com o órgão responsável por regulamentar todo o setor. Apesar da repercussão negativa, Sam deu a cara a tapa: fez entrevistas ao vivo na TV e abriu espaço para responder a qualquer dúvida da audiência (AMA) no X.

Já o Pentágono, que agora espera para fazer a migração oficial do Claude para o GPT, aproveitou seus últimos dias como cliente da Anthropic para planejar o ataque ao Irã com direito a avaliação de inteligência, identificação de alvos e simulação de cenários de batalha.

PS1: como amanheceu a calçada em frente ao escritório da OpenAI
PS2: como amanheceu a calçada em frente ao escritório da Anthropic
PS3: a migração Claude→GPT pode levar até seis meses.

QUICK DROPS

Mundo Afora

  • Honor: uma das maiores fabricantes de celulares da China agora está entrando para competir no segmento de robôs humanoides.

  • Japão: disse que powerbanks são uma ameaça à segurança e vai proibir o uso em voos domésticos a partir de abril.

  • Apple: começa seu evento de 3 dias hoje. A expectativa é que a big tech faça o lançamento de pelo menos 5 novos produtos.

  • Binance: viu o maior fluxo de baleias depositando fundos na exchange desde 2022, totalizando US$ 8,8 bi em bitcoins nos últimos 30 dias.

AGENTES

A IA de milhões

Dropped by TOTVS

A TOTVS quer mudar a lógica do “as a service” para IA: cobrar pelo quanto você usa e não por quantas pessoas acessam o software. E para isso, a empresa já sabe como vai investir R$ 75 milhões por ano até o final dessa década:

O LYNN é o foundation de IA B2B da TOTVS — uma base onde serão criados agentes especializados que executam tarefas diretamente dentro do ERP, como análises, validações e processos operacionais. Num modelo Task-as-a-Service (TaaS), o acesso fica liberado e a IA vira parte da operação.

É um movimento inteligente para o B2B (principalmente SMBs) já que +90% das empresas têm algum processo com IA, mas poucas já conseguiram ver resultados. Clica aqui pra ver mais da visão da TOTVS pra IA B2B.

AWS atingida na guerra

A AWS se tornou a primeira provedora de nuvem a sofrer danos em sua infraestrutura em uma zona de guerra e descreveu os destroços de mísseis como “objetos” — afinal, nenhuma equipe de PR no mundo estava preparada pra isso.

→ O que rolou? A AWS confirmou que, por volta das 4h30 de ontem, "objetos atingiram" as instalações na zona de disponibilidade mec1-az2 (nos Emirados Árabes), criando faíscas e iniciando um incêndio. A zona ficou sem energia, os servidores desligados, as nuvens fora do ar e o pânico se instalou.

→ O que significa? Esta é a primeira vez na história que um importante centro de dados de um hyperscaler foi atingido fisicamente durante uma guerra. Na mesma região, AWS, Microsoft Azure, Google Cloud e Oracle também têm infraestrutura.

→ O que vai rolar? Todas as empresas que executam cargas de trabalho de produção na região agora estão calculando cenários de recuperação de desastres que eram classificados como “teóricos” há 72 horas. Só as implicações para o setor de seguros já devem reestruturar os preços da computação em nuvem por uma década.

A AWS passou anos construindo redundância em múltiplas zonas de disponibilidade para terremotos, falhas de energia e partições de rede. Só não contava com a questão dos “objetos”.

APPS

Anthropic: em 1º lugar na AppStore

Enquanto o ChatGPT se tornava sinônimo de IA para os consumidores e liderava as app stores por sete meses consecutivos… a concorrência patinava para chegar no top 200. Mas domingo o Claude superou todo o mercado e chegou ao #1 de apps mais baixados.

Um breakdown de uma das estratégias de marca para o consumidor mais eficazes em IA, onde cada movimento foi deliberado:

  • Super Bowl Ad: o anúncio zoando os Ads do ChatGPT durante os segundos mais caros da TV americana fez com que o Claude furasse a bolha tech e chegasse pela primeira vez na posição #47.

  • Não ao Pentágono: com o presidente Trump gritando na sua rede social em CAPS LOCK que a Anthropic era uma ameaça à segurança nacional, o aplicativo rapidamente subiu para posição #2 no ranking.

  • Katy Perry: a cantora publicou uma foto no X com a confirmação da assinatura do Claude, que já soma +12 milhões de visualizações e +50k curtidas.

  • Importando Memórias: tal qual a portabilidade do seu celular, a Anthropic lançou a função de importar memória do ChatGPT para o Claudinho, fazendo com que as interações/preferências/adaptações “venham de fábrica”.

  • Cancel ChatGPT: o movimento incentivando os usuários a cancelarem a conta na OpenAI está ganhando força. Afinal, a empresa disposta a desistir de um contrato enorme por motivos éticos provavelmente cuidará dos seus dados com mais cuidado do que a outra que fez o contrário.

  • Cursos Gratuitos: aproveitando o timing, a Anthropic liberou acesso gratuito a uma academia proprietária com 13 cursos gratuitos sobre AI, MCP, Claude Code, APIs e mais.

O resultado? O app que ocupava a posição #131 no dia 30 de janeiro viu o total de usuários aumentar em 60%, os signups diários triplicarem desde novembro e os usuários pagos dobrarem este ano. Todos os dias da última semana tiveram um recorde histórico quebrado e março começa com a posição mais alta do ranking de downloads.

QUICK DROPS

Brasil Adentro

  • Oxus Finance, a fintech que quer ser a Decolar das stablecoins, capta rodada de US$ 2,4 mi liderada pela Echo3 Participações.

  • OceanPact e CBO fazem fusão e dão origem à maior operação brasileira de serviços marítimos para a indústria petroleira, com 73 embarcações.

  • DGenny, a startup colocando agentes para negociar com fornecedores da construção civil, capta rodada de R$ 2 mi com a ABSeed.

  • OranjeBTC, a empresa brasileira compradora e acumuladora de bitcoins, listada no Ibovespa, teve sua conta no Instagram suspensa pela terceira vez.

STATS

US$ 529 milhões

foram movimentados na Polymarket com apostas previsões sobre os bombardeios dos EUA no Irã. No sábado, seis contas recém-criadas ganharam ~US$ 1 milhão acertando o dia em que o ataque iria acontecer. Se isso parece estranho é porque é mesmo: o Bloomberg diz que as suspeitas de insider trading não são poucas.

Na Kalshi também tem polêmica. As apostas na previsão "o líder iraniano não estaria mais no poder no dia 31 de março” foram interrompidas e serão pagos somente os valores de antes dos ataques, o que deixou muita gente irritada. O CEO teve que ir ao X para dizer que a Kalshi não “lista mercados diretamente ligados à morte” e que suas regras são desenhadas para “impedir que as pessoas lucrem com a morte”.

DINHEIRO

OpenAI: lotando o cofrinho com US$ 110 bi

Um dia antes de fechar o contrato com o Pentágono e dar um nó na concorrente, a OpenAI anunciava a sua maior rodada de investimentos até agora. Essa também é a maior rodada de funding de uma startup privada da história, tornando ela a maior (em valuation) startup privada da história. Quanto ela vai colocar nos cofres?

US$ 110 bilhões

… atingindo o valuation de US$ 840 bilhões (post-money). Entre os responsáveis pelos muitos e muitos zeros dos cheques e suas condições para investir estão:

  • Nvidia: entra com US$ 30 bilhões. Como parte do deal, a OpenAI se compromete a continuar comprando bilhões em chips da nova família VeraRubin (5 GW).

  • Amazon: entra com US$ 50 bilhões. Como parte do acordo, a OAI se compromete a comprar bilhões em chips Trainium (2GW) e a Amazon começa a fornecer acesso aos modelos GPT diretamente pela AWS — além de se tornar o fornecedor cloud 3P exclusivo do Frontier

  • SoftBank: entra com US$ 30 bilhões em troca de mais ações da empresa.

O valor de US$ 730 bilhões (pré-money) avalia a startup em 56x sua receita do ano passado. Para fins de comparação, a Apple está avaliada em 9x a receita e o Google é negociado a 7x receita.

Apesar dos pesares e dos deals circulares, o crescimento é real: a startup bateu 900 milhões de usuários ativos semanais, 50 milhões de assinantes pagos e saltou de US$ 3,7 bilhões para US$ 13,1 bilhões em receita no ano passado.

PS1: a Microsoft não participou da rodada, mas ainda manteve o acesso exclusivo à propriedade intelectual e o direito a 20% de toda receita gerada pela startup até 2032.

PS2: a Amazon agora é dona de ~6% da OpenAI e ~21% da Anthropic — ambas com planos de abrir capital ainda este ano.

CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS

O round astronômico da OpenAI

Captação de investimentos anual de empresas apoiadas por venture capital:

via carta.com/data

O round de US$ 110 bilhões da OpenAI representa pelo menos 50% de toda a captação de recursos com VC de empresas americanas em 8 dos últimos 11 anos.

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