
Bem-vindos de volta, Foliões Droppers. Exclusivamente hoje, na quarta-feira de cinzas e ponto facultativo, o TechDrop está chegando depois do almoço no seu inbox!
Hoje eu aprendi: que o Brasil agora gera ~34% de toda a eletricidade do país a partir de fontes eólica e solar — um aumento de 15x na última década.
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• OpenClaw agora é OpenAI
• Trending: a luta contra para/tetraplegia
• Prévias: o novo Ibope ou velho tigrinho?
• Stats: $16 milhões em um card Pokémon
• Apple: thinking different (com IA)
• Contra Dados Não Há Argumentos: os robôs chineses

AGENTES
OpenClaw agora é OpenAI

img via The Information
Em 2023, quando o ChatGPT já era um adolescente virando o mercado cabeça pra baixo, Sam Altman previu que, graças à IA, logo existiria uma empresa com só um funcionário e valor de +US$ 1 bilhão. Ninguém sabe quanto valia a OpenClaw, mas ela só tinha um funcionário e acaba de ser comprada (acqui-hired) pela OpenAI.
OpenClaw é um assistente de IA pessoal que realmente faz coisas por você: reserva voos, gerencia agenda e interage através do WhatsApp, iMessage e Telegram — tudo rodando localmente em uma máquina.
Peter Steinberger, o único funcionário e founder do agente de IA open-source mais badalado da web, vai se juntar ao time da OpenAI para trabalhar no que seu novo chefe chama de “a próxima geração dos agentes pessoais de IA”.
A OAI já disse que 2026 é o ano dos agentes. Pra fazer jus à previsão, lançou o Frontier (voltado para empresas), comprou a Nerve e depois de comprar a OpenClaw (que continuará vivendo como um projeto open-source independente), vai colocar Peter à frente da criação de um ClosedClaw futuro multiagentes.
Peter criou o projeto durante um único final de semana, há exatos 85 dias:
25 de novembro: nascia o projeto com o primeiro commit no GitHub;
25 de janeiro: o projeto viraliza, 9k estrelas em um dia e 2mi de acessos no site;
27 de janeiro: Anthropic reclama do nome ClawdBot, que vira MoltBot;
29 de janeiro: MoltBot não colou, rebranding para OpenClaw com 100k estrelas;
5 de fevereiro: chega aos primeiros 150k estrelas e 20k forks;
11 de fevereiro: Steinberger diz que 180 mil pessoas estrelaram o repositório;
12 de fevereiro: Peter compartilha sua visão no podcast do Lex Fridman;
13 de fevereiro: Mark Zuckerberg abre a carteira e faz sua oferta para levar Steinberger pra Meta;
15 de fevereiro: Sam Altman confirma que Peter está indo para a OpenAI.
Ao contrário do que parece, Peter não é um marinheiro de primeira viagem e a OpenClaw não foi um bilhete da sorte. Em 2011, ele criou o PSPDFKit como um side project que eventualmente atingiu +1 bilhão de usuários e foi comprado pela Insight Partners por €100M+ depois de 13 anos.
Mesmo depois do primeiro exit, Peter continuou criando projetos que julgava interessantes e montou um verdadeiro exército de agentes AI-coded até chegar no ecossistema da OpenClaw.
QUICK DROPS
Mundo Afora
Figma: fechou uma parceria com a Anthropic e lançaram o “Code To Canva”, que converte código gerado no Claude em designs editáveis dentro do Figma.
Thrive: a firma de venture capital de Josh Kushner, acaba de fechar um novo fundo de US$ 10 bilhões (US$ 1 bi para early stage, US$ 9 bi para growth stage).
Netflix: deu uma isenção de 7 dias para que a Warner Bros Discovery reabra as negociações com a Paramount Skydance.
Kavak: o marketplace mexicano de compra e venda de veículos usados recebeu o maior cheque da a16z na América Latina, uma rodada Série F de US$ 300 milhões.
Runway, a startup que nasceu com modelos de IA text-to-video, pivotou para modelos de mundo e captou US$ 315 milhões.

A cientista brasileira fazendo para e tetraplégicos voltarem a andar!
A brasileira mais influente nesses últimos dias não foi a rainha de bateria de alguma escola de samba, foi de outra escola. Dra. Tatiana Sampaio, a cientista-chefe da UFRJ, passou os últimos 25 anos lutando para fazer o que a medicina achava impossível: regenerar a medula espinhal e devolver o movimento a paraplégicos e tetraplégicos!
O estudo: extraiu uma proteína das placentas (polilaminina) que age como uma “cola biológica” e recria condições para que os neurônios embrionários voltem a se conectar.
O resultado: com seis pacientes com lesões medulares completas recuperaram 75% dos movimentos — com alguns deles já na academia 15 dias após o tratamento.
O medicamento: já recebeu autorização da Anvisa para iniciar a fase 1 de estudos clínicos. Antes de ser comercializada, ainda precisa passar por outras duas fases.
Ainda não é considerada uma cura e vai levar um tempo até que se tornem medicamentos comercializáveis. Dito isso, talvez já esteja na hora de atualizarmos o famoso “agora a NASA vem” para “agora o NOBEL vem”!
STARTUPS
Prévias: o novo Ibope ou velho tigrinho?

img via InGame
O mercado de previsões já alcançou seu lugar ao sol nos EUA, com as duas maiores startups (Polymarket e Kalshi) atingindo valores de mercado de +US$ 10 bilhões e volumes de transações de +US$ 20 bilhões/ano. Agora chegou a vez das plataformas de apostas preditivas aterrissarem em terras brasileiras com a Prévias.
Fundada pelos empreendedores seriais Leonardo Rebitte e Arthur Farache, a plataforma rodou um beta fechado com convidados no ano passado e agora se prepara para abrir as portas ao público comum.
Para não serem confundidos com jogos de azar e conseguirem as autorizações legais da CVM, a Prévias tropicalizou o seu modelo:
Bets: usam o modelo fixed odds, onde a casa define as quotas no momento da aposta, assume o risco e garante pagamento pré-determinado ao ganhador.
Prévias: usa o modelo pari mutuel, onde as apostas formam um pool coletivo e os prêmios são divididos entre os vencedores após dedução da comissão.
Os founders dizem que o formato do mercado de previsões não é o novo tigrinho, é o novo Ibope — já que quando alguém coloca dinheiro na previsão, está defendendo a opinião com dinheiro, o que é mais forte que responder uma pesquisa na rua.
O plano é que qualquer usuário possa criar a sua própria aposta e já é possível encontrar opções como:
→ Quem vai ganhar as eleições presidenciais no Brasil (volume: R$ 477,00)
→ Quem será o campeão do BBB26? (volume: R$ 631,00)
→ Virginia e Vini Jr acabam o relacionamento em 2026? (volume: R$ 35,00)
A Prévias não está sozinha. Até a B3 já disse que quer lançar sua própria plataforma já no começo do ano. Afinal, se depender dos eventos programados para 2026 (Copa do Mundo, Eleições), o mercado de previsões vai ter um ano e tanto pela frente.
QUICK DROPS
Brasil Adentro
Snapfy.ai, a startup usando IA para transformar croquis em fotos de moda com modelos reais, recebe seu primeiro aporte da Stamina, Canastra e WOW.
Freedom.ai, a startup que permite que grandes empresas criem os próprios agentes de IA, capta R$ 14,5 milhões em rodada liderada pela Bertha Capital.
MoveSmart, a startup paranaense fabricando robôs autônomos para intralogística industrial, capta rodada pré-seed de R$ 550k com a Koinz Capital
Linda, a healthtech criada por brasileiros no Canadá, que está usando IA para detectar câncer de mama, capta rodada seed de R$ 10mi com a SkyRiver.
i4sea, a plataforma de previsão e insights hiperlocais de mar e tempo, capta rodada de valor não revelado com a LightHouse.
STATS
US$ 16,5 milhões
é por quanto Logan Paul vendeu um card de Pokémon, batendo o recorde mundial, que já era dele mesmo quando comprou a mesma carta por US$ 5,275 milhões em 2021 — ou seja, um retorno de ~US$ 8 milhões.
O — um dos apenas 39 criados — foi comprado na segunda-feira, após 42 dias de leilão e inúmeras lives no YouTube do influencer/lutador.
Pokémon é a franquia de mídia de maior bilheteria do mundo, maior que Disney e Star Wars. Com tanta popularidade, o valor dos cards explodiu a ponto de superar o mercado de ações (S&P 500) em 3.000% nos últimos 20 anos.
BIG TECHS
Apple: thinking different das big techs

Enquanto as outras big techs zig, a Apple zag. Indo na contra-mão da estratégia das demais — que estão investindo o que podem e o que não podem em capex — a estratégia da Apple parece ser… “não interrompa os inimigos enquanto eles erram".

Apesar de não estar construindo datacenters, comprando chips, instalando servidores e produzindo energia a todo e qualquer custo, a Apple ainda quer sentar na janela do trem da inteligência artificial e dar tchauzinho, mas de um jeito diferente.
Em vez de desenvolver a própria IA, fechou um acordo de US$ 1 bi com o Google.
Em vez de criar agentes, vai renovar a Siri que está presente em 2.5 bi devices.
Em vez de gastar bilhões em datacenters, planeja rodar sua IA localmente.
Em vez de entrar na fila dos chips da Nvidia, já desenvolve os próprios.
Em paralelo, a Apple está pisando no acelerador do desenvolvimento de três novos produtos que prometem ser os carros-chefes da transformação da IA:
→ Smart Glasses
→ Pingente Inteligente (Ai Pin)
→ AirPods
Se engana quem pensa que a Apple está dormindo. A segunda maior empresa do mundo já tem os usuários, já tem os hardwares, já tem os softwares, já tem os fornecedores e está se preparando para entrar na pista.
Enquanto as demais big techs vão para o tudo ou nada, a Apple gerou US$ 123 bilhões em fluxo de caixa livre até dezembro de 2025. Destes, ~US$ 100 bilhões voltaram aos acionistas em dividendos, além de ter reduzido o número de ações disponíveis em quase 1/3 nos últimos 10 anos.
Você concorda que a Apple acordou?
CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS
China: liderando os robôs com folga

via RestOfWorld
A indústria dos robôs humanoides ainda está engatinhando... pelo menos é o que pode parecer quando você está no ocidente. Mas a vista da China mostra uma outra realidade: ~90% de todos os robôs humanoides vendidos no ano passado eram chineses!
A grande maioria dos 13k-18k robôs vendidos no ano passado foram para o uso no varejo, fábricas e indústrias. Mas a previsão é que eles se tornem companheiros pessoais com adoção máxima em meados de 2035 — quando o mercado deve alcançar US$ 38 bilhões, chegando a US$ 5 trilhões até 2050.

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