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Bom dia Droppers,

Hoje eu aprendi: que a MoviePass – a startup que dava um ingresso de cinema por dia por US$ 10/mês – mudava a senha dos usuários automaticamente para trancá-los fora da conta. Dessa forma, eles (1) não usavam os ingressos, (2) ainda pagavam a assinatura mensal e (3) não conseguiam cancelar. Isso melhorava a unit economics da startup, mas não o suficiente para evitar a falência.

No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:

• Meta goes Nuclear
• Trending: a tiktokzação do streaming
• Nvidia: a primeira CMO da maior empresa do mundo
• Stats: $90bi de Ilya Sutskever
• a16z captou a15b
• Contra Dados Não Há Argumentos: a carteira de clientes da TSMC

Dropped by Pedro Clivati e Renan Hamann
ENERGIA

Big tech goes nuclear

Nem mesmo todos os bilhões das big techs são suficientes para matar a sede energética dos datacenters de IA. Se falta usina pra tanta demanda, o jeito é sair do grid tradicional e entrar em modo nuclear, literalmente. Agora chegou a vez da Meta, que atende metade do planeta com sua família de apps, expandir sua capacidade computacional e abastecer seu supercluster Prometheus com parcerias nucleares.

Quais as startups plugadas na Meta?

Vistra: uma produtora de energia nuclear, vai apoiar a construção de duas plantas nucleares para data centers em Ohio e na Pensilvânia.

TerraPower: a startup apoiada por Bill Gates e Nvidia, com uma tecnologia nuclear avançada desenvolvida internamente, começa a abastecer a Meta em 2032 – e até seis geradores podem ser adicionados até 2035.

Oklo: a nucleartech projetando reatores pequenos de última geração, com Sam Altman como investidor e chairman, também deve ficar em Ohio e começar a fornecer energia até 2030.

A Meta corre contra o tempo para garantir seus gigawatts, assim como seus rivais. Hoje já são 70 GW de carga global e as expectativas para os próximos anos são bem maiores – o que pressiona a rede atual e ameaça até o abastecimento de energia residencial. Quem mais tá partindo para os átomos?

  • Microsoft: já compra energia nuclear em vários estados dos EUA e vai ativar uma unidade da Three Mile Island somente para data centers de IA.

  • Amazon: liderou investimentos em startups de energia nuclear, comprou um campus de data centers próximo a usinas e já assinou parceria com a Dominion Energy.

  • Google: foi a primeira a apoiar a construção de reatores pequenos (SMRs) da Kairos e deve expandir o uso para seus serviços de alta demanda energética.

  • OpenAI: a maior startup do setor de IA não tem nada oficial divulgado, mas com Altman investindo e a altíssima demanda, é difícil que isso continue assim por muito tempo.

Caneta dropadora: para essas big techs, toda a má reputação da energia nuclear desde a catástrofe de Chernobyl é exagerada – já que os SMRs rodam em sistemas atualizados, mais seguros e mais eficientes. Sem contar com o fato da energia nuclear ser uma fonte de baixo carbono, extremamente confiável, de alta densidade e que se adequa à carga de 24/7 dos datacenters de IA e nuvem.

PS1: logo após o anúncio da Meta, as ações da Vistra e da Oklo subiram 15% e 17%, respectivamente – a TerraPower tem capital fechado.

PS2: fora das usinas nucleares, a OpenAI e a Softbank anunciaram um investimento de US$ 1 bilhão na SB Energy – que produz energia renovável.

QUICK DROPS

Mundo Afora

  • CrowdStrike comprou a startup de segurança de identidade SGNL por US$ 740 milhões para integrar suas capacidades da sua plataforma principal Falcon.

  • Grok: desde que aprendeu a gerar imagens, o chatbot de IA da X não parou de criar imagens sexualizadas de tudo e todos, mas agora recebe restrições.

  • Google: removeu resumos de saúde gerados por IA das suas respostas depois de uma investigação expor infos falsas e potencialmente fatais.

  • X: vai tornar seu algoritmo open-source, incluindo todo o código usado para determinar quais publicações são orgânicas e quais são patrocinadas.

  • OpenAI: lançou o ChatGPT Health, um aplicativo que coloca um médico de inteligência artificial no seu bolso.

BRANDED CONTENT

O que seu time faz em menos de 1 min?

Planejar campanha não deveria consumir mais da metade do tempo do time. Mas consome. Ou consumia.

Agora a Zia, IA do Zoho Marketing Plus, cria planos completos de campanha com poucos inputs. Em minutos, ela monta cronograma, sugere atividades diárias, define sequências de ações e recomenda os melhores canais.

Com o planejamento resolvido pela IA, o time entra onde importa: estratégia, mensagem e criatividade. E como tudo acontece numa plataforma unificada, o plano já vira execução, sem perder contexto, sem retrabalho, sem planilha perdida.

Comece o seu planejamento clicando aqui

PS.: leitor do Drops tem 15 dias de teste grátis.

A TikTokzação do Streaming

O TikTok popularizou os vídeos curtos verticais em todo o mundo, o Instagram seguiu a trend com os Reels e depois o YouTube foi na mesma onda com os shorts. Agora o formato de vídeos verticais de curta duração está quebrando a barreira das redes sociais e entrando na área do streaming, com a Disney+ lançando seu próprio feed.

A Disney não pretende lançar um app dedicado, mas adicionar os vídeos verticais, a descoberta personalizada por algoritmos, o conteúdo conciso e atualizações dinâmicas diretamente no aplicativo existente. Os objetivos são claros:

(a) aumentar o engajamento diário;
(b) se tornar mais sexy para audiências mais jovens sem abandonar quem já está por lá;
(c) mudar a frequência de uso do app de semanal/mensal para um hábito diário;
(d) melhorar ads com + pontos de contato, + impressões e + oportunidades para as marcas.

O plano da Disney+ pode não ser exatamente igual ao Facebook ou ao TikTok, mas a filosofia por trás é inconfundível – e isso por si só já representa uma das mudanças mais significativas que o app de streaming fez desde o seu lançamento.

MARKETING

Nvidia: contratou a sua primeira CMO.

Pode ser difícil acreditar, mas a Nvidia conquistou o mundos dos gamers, dos superPCs e da IA até se tornar a empresa mais valiosa do mundo sem nunca ter tido um CMO. Mas Jensen Leatherjacket Huang sabe que não dá mais pra improvisar e contratou Alison Wagonfeld (ex-VP do Google) para o cargo.

Antes de inaugurar a vaga de CMO da Nvidia, ela:

i. foi Analista da Morgan Stanley por 3 anos
ii. Product Manager da Microsoft por 1 ano
iii. cofundou a Quicken Loans, que foi comprada pela Intuit
iv. se tornou Diretora de Marketing da Intuit
v. foi Diretora Executiva de Harvard
vi. entrou para o conselho da BILL
vii. liderou por ~10 anos o time de marketing do Google Cloud

O timing da decisão não é por acaso. A maior empresa do mundo também precisa se reinventar para se manter no topo, e chegou a vez da Nvidia:

← De: a empresa criadora e fabricante de chips GPUs
Para: a plataforma completa de infra para IA (full stack e rack)

Isso porque, quanto mais as big techs investem no desenvolvimento dos próprios chips (alternativas à Nvidia), maior a concorrência, menor a margem, menos lock-in. A solução é expandir as ofertas para além dos hardwares e se tornar o posto ipiranga sistema operacional da indústria de IA:

  • Modelos: NeMo (voz e texto), BioNemo (fármacos e biologia), Climate (previsões e simulações climáticas), Vision (visão computacional para indústria/varejo)

  • Networking: InfiniBand (clusters de treinamento), Spectrum-X (ethernet), NVLink (interconexão ultra-rápida entre GPUs), BlueField DPUs (aceleração de rede)

  • Storage: integração com data lakes e pipelines, parceria com vendors e GPU Direct Storage (GDS)

  • Simuladores: Omniverse, Simulação física realista, Treinamento de dados sintéticos

  • Robótica: Isaac Platform (Sim e ROS), Modelos para robôs,

  • Software: CUDA (camada fundamental de programação paralela), bibliotecas otimizadas (cuDNN, cuBLAS, NCCL), Inferência (TensorRT, Triton), Data (RAPIDS)…

A Nvidia sabe que conversar com chatbots foi apenas a primeira fase da dominação implementação da inteligência artificial. As próximas incluem sair das telinhas para o mundo físico real, seja qual for a aplicação.

O desafio principal de Alison será posicionar a Nvidia não como uma vendedora de componentes isolados, mas uma plataforma integrada de modelos, software, simulação, robótica, networking e computação que define como a IA moderna é construída, treinada e operada.

QUICK DROPS

Brasil Adentro

  • Numen, empresa parceira de marcas como SAP, AWS e Salesforce, comprou 25% das operações da Backlgrs – consultoria paulistana focada em Salesforce. 

  • Rural Ventures, a firma de venture capital focada em agtechs, fecha a captação de um fundo de R$ 50 milhões para investir em tech para agronegócio.

  • Aliado, startup de IA para o varejo físico, fundada há apenas oito meses, capta R$ 13 mi em uma rodada seed liderada pelos fundos Headline e Nestal.

  • Azul quase conseguiu receber um investimento de US$ 100 milhões da United Airlines – mas o presidente do CADE barrou o deal.

STATS

US$ 90 bilhões

é a fortuna estimada (no papel) de Ilya Sutskever, o cofundador da OpenAI e cofundador da Safe Super Intelligence, incluindo somente as suas ações nas duas empresas:

  • OpenAI: tinha 11,4% de ações vestidas da OpenAI em meados de 2023. Assumindo que ele não as vendeu, que sua participação foi diluída para 9.5% depois das rodadas de investimento e que a OpenAI realmente tenha um valor de mercado de US$ 850 bi, as ações de Ilya valeriam ~US$ 81 bilhões.

  • SSI: depois das desavenças internas e até do golpe para substituir o CEO Sam Altman, Ilya decidiu sair para criar a própria startup de IA. Mesmo antes de contratar funcionários, alugar um escritório, criar um produto e vender para um cliente, o nome e a experiência do founder foram suficientes para colocar um valuation de US$ 30 bilhões em uma startup da qual ele é dono de 33%. Ou seja: +US$ 9 bilhões.

A matemática de padaria não contabiliza as outras dezenas de investimento anjo e equity de mentorias dos últimos ~20 anos. Mas também vale ressaltar que, por enquanto, esses muitos zeros valem apenas no papel, já que apenas um IPO ou uma secundária podem dar liquidez às ações.

VENTURE CAPITAL

a16z captando a15b

2025 ficou marcado como um dos anos mais difíceis para a indústria de venture capital, com ~1.000 fundos levantando ~US$80 bilhões marcaram o pior desempenho nos últimos 8 anos. Apesar disso, uma das firmas mais icônicas do mercado parece imune à crise: a a16z acaba de anunciar a captação de um fundo de 15 bilhões!

Os US$ 16 bilhões que Andreessen Horowitz captou representam +18% de todo volume de venture capital captado em todo ano de 2025.

São cinco fundos temáticos para investimento nos próximos cinco anos. Cada um tem uma tese diferente, mas todos com uma só espinha dorsal: fazer com que os EUA dominem as tecnologias disruptivas do próximo século – e deixar a China comendo poeira:

  • American Dynamism de US$ 1,176 bilhão

  • Apps de US$ 1,7 bilhão

  • Bio + Health de US$ 700 milhões

  • Infrastructure de US$ 1,7 bilhão

  • Growth de US$ 6,75 bilhões

  • Outros de US$ 3 bilhões

Diferente dos demais fundos, esses últimos bilhões captados serão investidos única e exclusivamente em empresas americanas, sob o lema de fazer com “que os EUA vençam”. A estratégia é investir em 3 frentes:

Começa conquistando as principais arquiteturas do futuro: IA e criptomoedas.
Continua aplicando essas tecnologias às áreas-chave que geram o florescimento humano como biologia, saúde, defesa, segurança pública, educação e entretenimento.
Termina com o governo americano adotando essas tecnologias para defender e promover os interesses americanos.

A dupla de carecas mais famosa do Vale do Silício agora tem US$ 90 bilhões em ativos sob gestão, o que a coloca em primeiro lugar do ranking, à frente da Tiger Global (~$70bi), Sequoia Capital (~$60bi) e Legend (~$50bi).

CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS

TSMC: a maior do mundo

O boom das IAs jogou as fabricantes de chips no topo do mercado, mas os trilhões em valor não tornaram o setor mais fácil de entender. Entre complexidade técnica e segredos industriais, tudo segue meio nebuloso. Mas uma coisa é clara: o mercado é extremamente concentrado. Basta olhar a carteira de clientes da maior fabricante do planeta, a TSMC.

As empresas de chips se concentram em duas categorias:

  • Fabless: as que fazem o design do chip, como Nvidia, AMD, Qualcomm, etc…

  • Foundry: as que produzem o chip fisicamente, como TSMC, Intel, Samsung…

Hoje, apenas a TSMC consegue fabricar os chips de IA mais avançados porque somente ela conseguiu dominar simultaneamente a tecnologia, a escala, o rendimento e a confiança necessária para fabricar chips de ponta – enquanto nenhuma das demais concorrentes consegue entregar esses quatro atributos ao mesmo tempo.

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