
Bom dia Droppers,
Hoje eu aprendi: sobre o "Cemitério Das Startups" (Graveyard). Um projeto vibe-coded que usou IA para analisar 925 startups que juntas levantaram US$ 32,5 bilhões em venture capital antes de fracassarem. Você pode navegar por escalabilidade, potencial e dificuldade de reconstrução – e analisar a causa da morte e receber dicas de como reconstruir cada projeto do zero!
No Drop de hoje, em 5 min e direto ao ponto:
• Apple: o preço de não competir
• Trending: delivery pelos ares
• Instagram e X: abriram a caixa preta
• Stats: 300mi views
• Sony: as TVs sob nova direção
• Contra Dados Não Há Argumentos: Netflix subs

MERCADO
Apple Card: o preço de não competir

O quinto maior banco dos Estados Unidos, Goldman Sachs, não conseguiu segurar a bronca de operar os cartões de crédito da Apple. Agora o maior de todos, JP Morgan Chase, quer mostrar que consegue e está assumindo de vez a operação do braço fintech do pomar.
O Apple Pay gera aproximadamente 0,5 centavo por transação de débito e 14 centavos por transação de crédito. Em termos de volume, isso representa centenas de milhões anualmente nos cofres da Apple. Sem fazer nada – além de não competir.
Mas quanto custa não chamar a Apple de concorrente? Bem…
→ Google paga US$ 20 bi por ano pra não competir em search
→ Visa paga milhões de dólares por ano para não competir nas bandeiras
→ JP Morgan paga com lucros menores e risco de dívidas para não competir
O primeiro corajoso: desde que aceitou ser o provedor de cartões da Apple (e atender todos os pré-requisitos para isso), o Goldman Sachs investiu bilhões, subscreveu risco de crédito ao consumidor, construiu a infra de serviços, contratou time e criou playbooks. O resultado foi US$ 1 bi de preju e uma saída vergonhosa com desconto.
O segundo corajoso: mesmo assim, o JP Morgan estava lá para assumir a bronca. O banco vai respeitar todas as promessas, como até 3% de cashback, opção de buy-now-pay-later, aceito em +85% dos EUA, transações com tokenização, autenticação biométrica (Face ID ou Touch ID) e um suporte de altíssimo nível.
Poder chamar a Apple de cliente e não de concorrente tem um valor. Afinal, só a ameaça dela entrar em um novo mercado, levando seus ~2 bilhões de fiéis escudeiros já é suficiente para assustar qualquer possível-provável-futura rival.
QUICK DROPS
Mundo Afora
Polymarket: tem 48h para tirar sua plataforma do ar em Portugal e na Hungria, que mencionam a ilegalidade das apostas em eventos políticos.
OpenAI: não quer depender da honestidade dos menores de idade e se prepara para lançar previsão de idade no ChatGPT para segurança infantil.
Anthropic: o CEO Dario Amodei comparou a política de venda de chips da Nvidia para a China com “vender armas nucleares para a Coreia do Norte”.
Humans&, a startup usando IA para aumentar capacidades humanas levantou um SEED ROUND de US$ 480 mi a um valuation de US$ 4,4 bilhões.

A de ads, B de busca, C de computação, D de delivery
Você possivelmente nem sabia, mas além de search, ads, carros autônomos, IA, cloud, emails, photos, mapas, computação quântica, etc… a Alphabet também tem um negócio de entrega com drones, a Wing – que acaba de fechar uma parceria com o Walmart para expandir o delivery com asas para um total de +270 lojas, cobrindo ~11% de toda a população americana (40mi)
A fase de testes começou em 2023 com apenas 2 lojas, mas não demorou para crescer para 18 lojas, depois para as atuais 150 e finalmente para as 270 lojas esperadas até o ano que vem. Um número já relevante, mas ainda tímido perto dos 4.600 lojas do Walmart no país.
Você pode até achar que um salgadinho chegando pelos ares é coisa de sci-fi, mas a expansão sugere que a entrega por drone já se tornou normal para alguns clientes: os 25% melhores clientes da Wing fizeram 3 pedidos por semana, e as entregas triplicaram nos últimos 6 meses.
SOCIAL MEDIA
Instagram e X: abrindo a caixa preta social

Foi só Elon Musk anunciar que iria cumprir a promessa que fez quando comprou o X e abrir o código do algoritmo de recomendação da sua rede social… que Mark Zuckerberg se obrigou a mostrar parte das cartas do algoritmo do Instagram também.
Desde o lançamento do Twitter (2006) e do Insta (2010), o racional de recomendação e o controle disso é de conhecimento único e exclusivo dos times de engenharia de cada empresa (e nem de todo mundo dentro deles). Mas agora…
X: abriu o código do algoritmo no GitHub. Construído do zero com a mesma arquitetura transformer do Grok, o Phoenix (nome interno) não segue regras pré-definidas, mas prevê 15 possíveis reações do usuário – de curtir e compartilhar a silenciar, bloquear ou denunciar – atribui pesos, soma probabilidades e decide o que entra no seu feed.
Instagram: não abriu tantos detalhes. Em vez de mostrar até o DNA do algoritmo, vai permitir que os usuários escolham o tipo de conteúdo que desejam ver com mais frequência – personalizando a experiência de uso e descobrindo mais sobre as próprias preferências.
A pressão por transparência das redes sociais existe desde que as timelines deixaram de ser “time” e passaram a ser algoritmos – prevendo gostos, sugerindo conteúdos e deixando os usuários cada vez mais presos às telas. Se essa abertura/controle vai se transformar em algo prático ou se são só manobras de relações públicas, saberemos nos próximos meses - mas já é um pequeno passo para as big techs, um grande passo para a turma pró-transparência.
PS: Musk disse que o X vai publicar o código a cada 4 semanas, junto com notas mostrando o que foi alterado no período.
QUICK DROPS
Brasil Adentro
Uma Penca, a startup de print on demand do grupo Chico Rei, recebe R$ 4,5 milhões para expandir em tecnologia e governança.
CashU, a fintech de crédito B2B, capta R$ 120 milhões em FIDC junto com BTG e Capitânia.
Nava, a consultoria tech, compra a Ventura Enterprise Risk Management (ERM), especializada em investigação digital e gestão de crises.
300 milhões
é o número de views no YouTube que o documentário “The Thinking Game” do Google DeepMind já tem, apenas dois meses desde o lançamento oficial.
Filmado por cinco anos pela própria equipe por trás das descobertas e inovações do DeepMind, o documentário mostra como o fundador da DeepMind, Demis Hassabis, moldou sua vida inteira pela busca da inteligência artificial geral (AGI).
Um breve spoiler (atenção) da vida de Demis:
Com 4 anos já mostrou talento para o xadrez.
Com 6 anos já era campeão de Londres na categoria abaixo de 8 anos.
Com 8 anos comprou seu primeiro PC com a grana dos campeonatos ganhos.
Com 12 anos já estava ganhando um concurso de design de jogos.
Com 17 anos foi um dos desenvolvedores do game de sucesso Theme Park.
Com 20 anos se formou em ciência da computação em Cambridge.
Com 30 anos finalizou o PhD em neurociência cognitiva na UCL.
Com 31 fundou a DeepMind…
Depois de ~10 anos trabalhando no desenvolvimento de jogos, Demis juntou o interesse por games com o interesse pela neurociência e começou o processo de descoberta que culminou no AlphaFold e na resolução do “problema do dobramento de proteínas” que já durava 50 anos - que também rendeu um Prêmio Nobel.
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POV: vendo os smartglasses dos sonhos

Usar câmera sem as mãos, traduções simultâneas, GPS sem tirar o olho do trânsito… São só algumas das features que o Ray-Ban da Meta leva para o usuário – e sem parecer um filme de 1980 “““prevendo””” os anos 2000. E você pode ter um em breve.
Gere seu link de indicação no botão abaixo e compartilhe sem moderação. Entre 7 e 30 de janeiro, quem somar mais indicações válidas entra na disputa por um óculos da Meta, um Echo Show 5 ou um headset da Havit.
E o topo do ranking atualizado tá assim:
katri***@ho***: 51 indicações
edubo***@gm***: 47 indicações
pcg***@gm***: 41 indicações
fili***@se***: 35 indicações
phsi***@gm***: 32 indicações
CONSUMO
TVs da Sony: sob nova direção

Depois de 66 anos produzindo TVs, com centenas de milhões de unidades vendidas ao redor mundo, chegamos ao fim de uma era: a Sony está separando sua divisão de hardware de TV e transferindo a operação para uma joint venture com a TCL.
O nonbinding agreement (acordo não vinculativo) da marca japonesa com a chinesa TCL deixa a nova sócia com 51% do negócio e é a segunda joint venture da Sony – a primeira foi com a Samsung (2004-2011) e terminou com a coreana passando a LG e liderando o setor em todo o planeta.
Na prática, a TCL vira majoritária e assume a operação, mas a forte presença global e boa reputação da Sony fará com que a marca utilizada continue sendo a Bravia. No mais, cada uma delas entra com o que tem de melhor:
Sony: entra com a tecnologia de imagem e áudio da Bravia, valor da marca, gestão da cadeia de suprimentos e outras especializações operacionais.
TCL: entra com a tecnologia de tela própria, a força da cadeia de suprimentos vertical, a presença no mercado global e a eficiência de custos end-to-end.
Mas o deal não é apenas qualquer parceria, é uma mudança estratégica de quem já foi um sonho de consumo player dominante da indústria de TVs – mas decidiu parar de brigar nos negócios de baixa margem e muita concorrência para focar em verticais de melhores margens e menor concorrência, tais como:
→ Games (PlayStation, PS+)
→ Smartphones (Xperia)
→ Músicas e Filmes (Spiderman, Resident Evil, Homens de Preto)
→ Sensores de Imagem (para smartphones, setor automotivo, etc)
→ Finanças (seguros, serviços bancários e gestão de ativos no Japão)
Apesar de a Sony já não ter a força de vendas do passado, o peso da marca ainda é BEM relevante e a cadeia de produção da TCL pode competir de igual pra igual com a líder Samsung.
CONTRA DADOS NÃO HÁ ARGUMENTOS
Netflix: os primeiros 325 milhões de assinantes

O streaming do tum-dummmm apresentou os resultados trimestrais ontem e trouxe boas e não-tão-boas notícias aos fãs de Hollywood e investidores de Wall Street:
→ o número de assinantes cresceu 8% a/a e bateu os 325 milhões pela primeira vez.
→ a receita gerada no ano chegou aos incríveis US$ 45 bilhões.
Tudo soava como música aos ouvidos do investidores até chegarem as bombas:
→ o orçamento de produção de conteúdo vai crescer 10% para US$ 20 bilhões no ano
→ o programa de recompra de ações vai ser pausado para juntar grana.
Isso porque, para ganhar a batalha pela Warner Bros contra a Paramount, a Netflix enfeitou sua proposta e ofereceu os US$ 83 bilhões 100% em dinheiro-cash-bufunfa. E apesar de estar comprando todo o catálogo da HBO, ainda vai investir quase metade do que gerou no ano na produção de novos conteúdos.
Mesmo batendo todas as expectativas, as ações da Netflix enfrentaram turbulência no fechamento de mercado (-5%).
PS: a temporada de earnings já começou e tá rolando uma cobertura completa e descomplicada no MoneyDrop.

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